PENSANDO

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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

ERA ASSIM QUE FALAVAMOS.

Não vale uma pataca.
Assim falavamos de alguém que não tinha lá muitos atributos, ou era malandro(a) ou não gostava de trabalhar. Uma Pataca, moeda do tempo colonial, valia 320 Réis, e não faço ideia se isso era muito ou pouco, mas pela lógica era pouco, pois a pessoa não valia nada.
Usávamos muito essa frase pra pessoas e coisas. Caiu no esquecimento.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

E brincando, brincando cheguei à minha postagem número 700... esta sim a minha postagem final deste blog.
Obrigados a todos que estiveram ou passaram por aqui nos últimos 7 anos.
Vou para minha nova morada, junto do Pai.
Fui,

Agora que o blog acabou estou entre:

Opção número 1 : Ir para o céu

Não este porra, O sem acento...



Ou... Opção por de número 2 :

Ir para além do céu... ir para o espaço infinito e alem.

O fim não é o fim... mas sim... enfim... o começo de um novo blog em outro alojador... menos careta e capitalista que o gu.gol.
O que vem depois do fim?
Mistério....


É mais divertido fazer a despedida do blog... que propriamente faze-lo...







sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Depois de mais de meio século da existência deste blog...
Depois de mais de 37.400 postagens...
Depois de ter sido visitado por mais de 14.000.000.000 ( é isso mesmo, mais de coatorze biliões de pessoas dos oito continentes )...
Depois de ter escrito mais de uma caralhada de palavras... estamos encerrando nossas atividades porque este blog foi considerado "porniográfico"...

Na verdade eu descobri coisa melhor para fazer e não pretendo mesmo continuar mais postando aqui, já havia decidido isso antes, muito antes de receber o email do Google me avisando que eu estava de aviso prévio, bem agora que mudaram as regras do seguro desemprego...

Tchau zente, nada de lágrimas, vamos fazer como se fosse shampoo Jonsonsoonn...
Achem vocês também algo melhor que fazer na vida que ficar lendo blogs do Google...

Adeus Google, eu não cedi aos seus apelos de permitir que veiculassem propagandas em meu blog...

Mas Google é deus, e deus pôe e deus dispõe... estou indo,.. habitar ao seu lado no céu.
Tchau barangaiada, fui.


Desfaz-se neste momento a cadeia nacional de rádio e televisão.
Boa noite.




sexta-feira, 6 de junho de 2014

QUANDO O SONHO ACABOU EU NEM ESTAVA SABENDO QUE ERA PAR TER COMEÇADO A SONHAR.

Eu também nunca tinha ouvido falar de Freda Kelly... pode ser até que eu tenha lido o nome dela na biografia dos Beatles, mas passou batido, a referência, se houve, foi tão pequena e rápida que eu nem notei. Mas não é justo deixar de lado essa figura histórica do rock porque ela é uma das chaves para entender um dos sentimentos mais importantes e profundos do século passado e poder ser que tenha sido o sentimento mais importante na história da juventude, desde que os jovens existem.
Nos tempos dos homens das cavernas as crianças existiam, mas não existia a infância... coisa óbvia que crianças existiam... mas a infância foi algo descoberto na idade média, ou a partir dela. Antes disso um ser vivo era um ser vivo. A luta pela sobrevivência era tamanha que não fazia a menor diferença saber se o vivente era uma criança, um jovem, um indivíduo adulto e produtivo ou um velho. As pessoas simplesmente nasciam e depois de muita luta, sofrimento e falta de sentido na vida, morriam... e era só. Na idade média começou-se a levar em consideração que crianças tinham uma capacidade diferente de ver o mundo e tinham sentimentos diferentes dos demais... descobriu-se a infância, ou, uma idade do individuo em que os adultos deveriam ser mais suaves, cuidadosos e exemplares, porque era desse material que as crianças tiravam as informações para crescerem e se tornarem adultos mais produtivos. A infância então passou a ser objeto de atenção e por essa época começam a ser criados os contos de fadas, ou um jogo de histórias que servia para ensinar, ilustrar e distrair as crianças. A juventude foi uma invenção posterior a da infância, ela tentaria existir em vários momentos da história da humanidade, mas só passou a existir de fato e quase que globalmente nos anos 50 do século XX. Maluco né? saber que a juventude ainda não completou 100 anos.
A juventude era ou é um meio termo entre a infância e a vida adulta, é uma espécie de pode não pode, é uma luta de você com você mesmo e de você contra o resto do mundo. Em alguns momentos os jovens por meio de um algo que não se sabe ao certo o que é, passa a pensar e agir de forma idêntica e essa identidade faz existir os movimentos, ou os fenômenos de uma época que chamamos de movimentos, movimentos porque movem os jovens todos num sentido único e num propósito igual.
Aconteceu nos anos 60 de uma banda praticamente inventar o rock como o conhecemos hoje, e isso acho que já andei escrevendo por aqui. Bem, os Beatles saíram do nada e muito rapidamente viraram o tudo na vida de muita gente. Essa gente toda, milhões ao redor do mundo, esperavam por algo para se liberarem... mas essa libertação não tinha lá um contorno muito claro, no caso dos Beatles parece que o negócio era só correr atrás deles e gritas, arrancar cabelos e desmaiar... aconteceu em todas as partes do mundo por onde eles andaram no curto espaço de tempo em que existiram. Eles começaram e em seguida começou a gritaria e a correria atrás deles, e isso até hoje, bem estudado não faz sentido algum. Mas era o mundo da época, ser meio abobalhado, meio sem sentido, hiper valorizar coisas que não pesavam tanto assim na vida da maioria das pessoas, era tipo criar uma realidade paralela, mais ao gosto e meio que acessível apenas aos iniciados. O grande sonho de qualquer jovem inglês, principalmente, era tirar uma lasquinha dos Beatles, estar perto, ouvi-los, falar com eles, conseguir um autografo. Esses, entre outros elementos construíam o mundo da juventude daqueles anos de sonho. O sonho era isso, era poder, pelo direito dado pela natureza à juventude, gritar, dançar, cantar, ficar estérico ao som do rock... uma música horrível e desprezada por todos que não eram jovens. Os modismos existem para agredir e a beatlemania agredia muito.
Chegar perto de um Beatle, de repente virou algo impossível, era fácil, mas a subida deles foi tão vertiginosa que em poucos segundos eles se tornaram além homens... mas, alguém resolveu formar o fã clube oficial dos Beatles e por um acaso quem acabou encabeçando, bem acidentalmente, essa empreitada foi uma garota de 17 anos chamada Freda Kelly que zanzava por ali com as mesmas intenções das demais garotas: ficar perto dos quatro rapazes. Ela era uma datilógrafa que na hora de seu almoço ia ao Cavern Club ver os Beatles em suas primeiras apresentações públicas... e elas ocorriam diariamente nesse local insalubre e pouco abonador, um porão de ar parado, banheiro entupidos e úmido... uma caverna mesmo. Pela frequência e pela conjunção dos astros eis que alguém a convida para colar selos eu acho e ela abandona o emprego de datilógrafa e começa a desenvolver algo que também a história da humanidade ainda não havia construído que era a dirigente de um fã club... elas ficou 11 anos trabalhando a serviço dos Beatles e se saiu muito bem, mas no inicio deu o endereço de sua casa como sendo o do fã club, ela não pensou no que fazia... mas nos primeiros dias começaram a chegar 10 ou 20 cartas e seu pai ficou fulo da vida, mas ele enlouqueceu quando tinha que buscar a sua correspondência pessoal e suas contas para pagar no meio das mais de 3000 a 4000 cartas que chegavam diariamente, um caos na vida do velho.
Freda respondia cartas, colhia autógrafos dos quatro e colava selos.
Mas isso era o de menos, o de mais era ser a unica jovem de dezessete anos a viver ao lados dos Beatles quase todos os dias, e a frequentar a casa deles, ser amiga dos pais deles e saber tudo sobre suas intimidades. Esse era o sonho completo de todas as demais jovens da mesma idade no mundo: poder viver ao lado de seus ídolos todos os dias e ser parte de algo que esta acontecendo de forma arrebatadora e mudando a face da sociedade e criando várias coisas que antes não existiam e que viriam para ficar, entre elas a consolidação da rebeldia dos jovens, algo que não era permitido até então.
Freda passou a existir no ano passado com o filme NOSSA QUERIDA FREDA.
Não é um super documentário e só interessa aos beatlemaniacos, mas ela fala sobre o fim do sonho e isso transcende a beatlemania... a juventude delirou e gozou na ideia de que aquilo era para sempre. Na verdade é, parece que só os roqueiros que tinham 17 anos nos meados dos anos 60 é que descobriram a juventude eterna na mente e da alma. Mas nos anos 60 eles viram tudo começar explosivamente e acabar mais explosivamente ainda. Havia uma gigantesca lição ali, alguém estava querendo ensinar que a vida requer intensidade, que o momento é agora e que o sonho evapora na mesma velocidade com que se cria. Freda em alguns momentos fala das perdas, daquilo que sentia, da felicidade que era fazer parte daquela família e daquele movimento. Simbolo do sonho dentro do sonho, ser, não um dos Beatles, mas ser a pessoa que não sendo um dos Beatles vivia com eles e como eles, e isso hoje tem toda a validade, porque a figura do fã não deixa de existir e isso vazou para todos os ambientes onde possa haver uma celebridade, meteórica que seja. Hoje as pessoas ainda se matam para ficar na fila do gargarejo, passam noites em filas para comprar ingressos e depois em mais filas para ser o primeiro a entrar e poder ficar mais perto, e perseguem os ídolos e se sacrificam anonimamente por eles e nem sabem exatamente o significado dos ídolos em suas vidas, mas todos querem fazer parte, querem ser uma lasca que seja da celebridade. Essa louca forma de ser é uma invenção do século passado que ganhou uma força desproporcional nestas primeiras décadas do século XXI. A uma energia enorme sendo consumida para se obter a notoriedade e uma outra energia muito maior ainda para tentar viver a vida do ídolo integralmente, seguir os passos, copiar os modos e consumi-lo ao desgaste.
Eu descobri que os Beatles existiam só depois que eles já tinham acabado com o grupo, a isso dou o nome de Síndrome de Barichello, é o efeito de chegar atrasado, depois que a coisa acabou. Mas o material produzido é farto e deu para viver bem só com ele pelos últimos 40 anos... e penso que ainda não cheguei à metade do tudo. Mas o clima, a estería que foi possível de ser vivida por poucos que estavam próximos aos trajetos deles, os demais viram no cinema, nas revistas e nas tvs o que foi o clima de transgressão. Mas foi também uma enorme zona de conforto, um quarto onde você podia se trancar com os amigos e ouvir uma música que é boa até hoje. Esse clima de fraternidade e cumplicidade é o grande formador do caráter de muitos, é quando se descobre a extensão da gente nas outras pessoas, e por ai se descobre que os sentimentos da gente também vivem idênticos em outras pessoas. Esse comum entre as pessoas reforça a certeza de que estamos no caminho ou em algum caminho, isso dá firmeza, da noção e acalma, mesmo excitando. Ficar agrupado a quem pensa igual é fazer parte e fazer parte é meio caminho para a felicidade. Partindo de estar enturmado fica mais clara a visão do todo e das opções de escolha, por isso os movimentos são tão temidos. Quando um grupo elege um sonho em comum, ele pode passar, sabe-se lá por quê, a atrair mais e mais pessoas para essa ideia já aceita e confirmada e isso em geral causa algum dano para o estabelecido. Por isso quando o sonho acabou a Freda suspirou fundo e disse, acho que disse: O que eu vou fazer de minha vida agora? Na verdade ela já havia se casado e teve um casal de filhos e apenas continuou ( até hoje ) a trabalhar como secretária executiva, não enriqueceu e não fez uso dos contatos e influências que teve para obter vantagens pessoais, é quase uma santidade. Grande e invejada figura essa Freda Kelly...
Mas não me tranquei em quarto algum com amigos para ouvir os Beatles, não fiz parte e isso é um imenso vazio em mim... faltou uma parte de minha vida, não soube vivê-la adequadamente e agora já é quase tarde, mas sempre há um algo possível pairando por ai... mas inspirei, algumas pessoas conheceram os Beatles e outros grupos por intermédio de minhas influências e isso é um gozo. Fiz diferente, mas fiz algo.
O filme da Freda é um filme triste do começo ao fim... ela é a verdadeira viúva dos Beatles, é a mulher que viveu a vida deles, a vida da família deles, dos casamentos deles e se você junta tudo isso mais a obra que ela de alguma forma esteve perto quando estava sendo feita ( participou como figurante no filme The Magical Mistery Tour de Paul MacCartney )  e de dentro do olho do furacão foi mais uma das pessoas que o fez acontecer sem saber que estava fazendo. Como não havia uma doutrina, um dogma ou um plano, o sonho consistia em fazer algo naquele momento que já deveria ter sido feito ontem e ninguém se deu conta que era para fazer... ou seja, o sonho, em seu mecanismo orgânico, era tão somente uma gambiarra improvisada que nós hoje acreditamos seguiu na maior parte do tempo na direção certa, mas que em algum momento tropeçou, deu no saco, desgastou e implodiu. Terminou em alta e com isso tornou-se imortal, mas não é qualquer imortal é um imortal baseado numa memória afetiva forte demais e que vem passando por meio do DNA a novas gerações...
Então o sonho é uma coisa assim: De um lado quatro pessoas que inicialmente queriam apenas tocar música, passaram a fazer músicas bem feitas, acharam algumas pessoas certas, descobriram alguns caminhos nunca antes pisados e com isso criou-se um movimento em direção, olha que merda, ...em direção ao final do sonho. Quem sonhava? Bem, quem sonhava era que não estava fazendo o movimento produzir, eram os que consumiam o produto... e quando disseram que o Sonho acabou, o que havia acabado era a união disso tudo e não tinha mais como manter esse todo unido, e isso não ficou bem claro até hoje, por mais que se queira pensar e filosofar sobre. Mas pode acontecer com qualquer um de nós.
Bem descobri a Santa Freda Kelly, que um dia escreveu na revistinha que os Beatles editavam que o fã club oficial esta terminado, que os Beatles não existiam mais e que ( não foi ela que disse ) o sonho tinha acabado...

PS.: Brian Epstein, empresário dos Beatles, morreu no auge do grupo e isso foi o primeiro passo do fim, já que eles não tinham a menor ideia de como gerir as coisas...
Depois da morte do grupo, John Lennon é assassinado e isso coloca fim ao reinicio do sonho.
Mais alguns anos e morre George Harrison e mais uma pá de cal é colocada sobre o sonho do sonho voltar.
Eu como não vivi os anos ao vivo, sonhei que eles poderiam voltar e trazer tudo de volta, mas isso era uma miopia dos fatos que eu tinha. Não é possível reconstruir coisas que tiveram como fator fundamental de sua existência a espontaneidade dos agentes. Foi fundamental não ter intensão alguma para que tudo pudesse ter sido real.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

OTIMISMO X CONFIANÇA

Nunca fui otimista, e isso me tornou mal visto... em alguns momentos tornou.
Demorou para que eu me tornasse confiante... sempre fui muito prudente e desconfiado.
Lendo, estudando, buscando caminhos acabei pegando mais gosto por ser seguro do que ser otimista.
Com bagagem a gente vai aprendendo a não trocar uma coisa pela outra, e a coisa passa a ser vista de forma mais calculista mesmo... porque o otimista esta jogando numa loteria sem saber, ele aposta que vai dar certo sem se preocupar muito com as variáveis.
Já o buscador mais seguro, mais confiante tem bases, tem informações e tem até mesmo um certo pressentimento, uma espécie de otimismo camuflado.
Deseje menos, seja amigo de sua auto confiança e deixe o otimismo para os mais jovens.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

ELA E MAIS UM MONTE DE GENTE QUE VALIAM A PENA.

Elisa não era nem bonita nem feia, mas tinha uma mensagem velada.
Macrobiótica e com informações sobre coisas que haviam acabado de acontecer no mundo, estávamos no inicio dos anos 70.
Depois um garoto negro escuro hostilizado por todos, mas culto, esperto que me mostrou musicas e atitudes que eu não conhecia... sofria com os preconceitos, mas também no inicio dos anos 70, não ser preconceituoso já era motivo para ser alvo de preconceitos... ser errado era a regra e quem não seguisse a regra era alvo.
Depois uma casal que fazia artesanato, moravam em I*** e para chegar na vila que moravam você precisava atravessar uma linha de trem e eles tinham um brilho nos olhos quando contavam que ia largar tudo, nesse tudo um emprego na Mercedes Benz de Campinas, para se dedicar ao artesanato... ela muito mais velha que ele e ambos de uma generosidade...
Depois foi ficando mais raro e artificial... já não foi tão fácil encontrar alguém tão integral no papel e na atitude, ninguém mais tinha um todo para transmitir, só vinham fagulhas e frações... uma calça de algodão cru aqui uma alpargata rueda ali, mas tudo muito simulado, modismo, sem raiz.
Um dia ali próximo ao Brooklin vi uma senhora que desenha flores nas paredes de sua casa de madeira, era um Sábado e eu não fui ousado o suficiente para parar e puxar conversa...
Numa outra ocasião um encontro debaixo de uma enorme pedra numa cachoeira na Serra do Mar ao abrigo de uma garoa forte, um casal de amigos, mais uma vez ela mais velha, holandesa(?), funcionários de uma multinacional farmacêutica em busca de contato com a natureza oferecendo e compartilhando ideias e lanches naturais.
Quantas pessoas absorvíveis me passaram pela vida tão rapidamente.
Quantos universos interiores deixei escapar por absoluta falta de habilidade em abrir conversas objetivas e sérias...
Só me restaram os cães.

DEPENDE MUITO DO ANGULO QUE SE OLHA A COISA...

... eu por meu lado acho que a vida tem um segredo muito simples, mas tão simples que é quase impossível de desvenda-lo justamente por conta de ser tão simples e evidente que não pode ser visto ou entendido.
Vou explicar melhor... ou pior.
Imagine uma pessoa que lutou a vida inteira para conseguir uma posição e uma estabilidade material na vida, eventualmente até conseguiu algumas alegrias e uma dose, sei lá quanto, de paz interior... mas um dia se cansou, achou que a luta toda não valeu a pena... então reorganizou os objetivos, definiu novo foco e seguiu em busca de paz e iluminação, enquanto ainda acreditava que tinha tempo nesta vida para se redefinir e mudar,  você entende isso que esta lendo?
Em geral essa pessoa cai na armadilha da busca interior, de desvendar os segredos da vida, dos mistérios do universo e de um conjunto inesgotável de enigmas sobre o principio, o fim e o meio.
Mais cedo ou mais tarde vai chegar ao seu próprio ponto de partida e vai descobrir que continua com a mesma dúvida e com a mesma aflição, que o deixa incompleto(a) e com sede de busca.
Querer é o grande erro da vida.
Querer qualquer coisa só leva a uma outra coisa a ser desejada. O desejo nunca se esgota...
Alguém que depois de rico passou a buscar as explicações misticas para a vida, aparentemente abandonando mo sonho de riqueza material, apenas embarcou em outro sonho de riqueza... que ao final o escraviza na cadeia do desejo, do querer...
Não há que se querer nada, apenas faça o que esta mais próximo e ao alcance das mãos...
Apenas  elimine, elimine tudo de sua mente, esvazie, torne-se neutro e contemple o mundo a sua volta, ele já tem coisas demais feitas para apenas ser observado...

COMO OUVIDO.

Hoje só uma coisa me comove, só uma coisa me move, só uma coisa me faz sentir e pensar... um cão, qualquer cão, não importa qual cão... depois de viver muito, muito banalmente, muito displicentemente comigo mesmo, mesmo sem paz com minha consciência, só nos cães encontro a plenitude do sentir... só nos olhos e nas atitudes deles encontro algo que me completa... eles são o tudo que busquei a vida todo, eles são o resumo e a totalidade, neles, e só neles enxergo a vida, só neles encontro a paz.

O COMEÇO DO CAOS JÁ É O CAOS PROPRIAMENTE DITO...

...que zona virou este país em que vivemos.
Uma confusão dos diabos, mentiras desmentindo mentiras e um cenário onde mesmo os mais bem informados não tem a menor chance de descobri o que é verdade e o que é mentira.
Na falta de parâmetro para saber quem é do bem e quem é do mal e na dúvida mate todos.
Mate-os como puder, mate-os alienando-se ou mate-os matando.
O que resta na vida, vida curta e sem muita direção, de quem é obrigado a ver um enorme potencial e um gigantesco patrimônio indo pelos ralos do tempo????
Somos um povinho, somos menores, nossa existência aqui parece ser um favor.
Reina o caos na pátria amada, mas ainda não é o completo caos... a vantagem de se viver no caos é que ele, dado à sua elasticidade, sempre pode aumentar e piorar... consideravelmente.
Estamos às portas dele, vem muito por ai.
Que projetos tem cada ator dessa tragédia que se escreve impunemente/impunimente todos os dias e de forma cumulativa... ???
Dormem achando que cumpriram um dia de trabalho em favor de algo?
Dormem achando que cumprido o dever de roer a tudo e a todos o sono é um direito e amanhã tudo poder recomeçar com mais força e com mais intensidade?
Buscam a morte, certamente buscam a morte, qualquer morte e somente ela lhes parece algo relevante e digno de chamar de obra.
Qualquer outra obra que não tenha a permanência e a certeza da morte não lhes parece ser um bom trabalho realizado.
Fazer o que né? Todos vamos nos encontrar com ela mesmo...

sábado, 14 de dezembro de 2013

1-MARCELO ROSSI 2-PADRE MARCELO ROSSI 3-O QUE FIZERAM COM O PADRE

Havia uma coleção extensa de livros, editados pela Brasiliense chamada Coleção Primeiros Passos... era muito interessante ler de forma hiper condensada a tradução de significados que outros autores precisariam de volumes e mais volumes para clarear vagamente a cabeça do leitor.
Mas mesmo concisos os textos eram saborosos e te faziam penetrar em conceitos e ideias, que ao menos para mim, muitos deles, eram inéditos.
Mas era um be a ba que de alguma forma, até pela simplicidade do texto punha luz nos assuntos... em alguns, eu creio que criava era mais confusão ao tentar explicar de forma simplificada demais conhecimentos que em verdade são muito complexos. Mas essa coleção me motivou a entender como funcionam as coisas... era um pequeno passeio pelos bastidores do saber. Assim como crianças e adolescentes adoram saber como funciona um relógio, um carro, um liquidificador, na juventude, quem tem sede de saber adora entender como funciona a "malandragem" intelectual... qual a verdadeira razão disso ou daquilo existir e para que serve.
Conheço mais gente que gosta do que gente que não gosta do Padre Marcelo Rossi. Ele sem duvida faz bem a muita gente, construiu um história interessante e parece que essa história agora carece de um final feliz, parece mesmo que algo de ruim esta para acontecer.
1 - Marcelo Rossi é uma pessoa como qualquer uma outra, tem como ocupação ser padre, mas destacou-se num determinado momento por incluir extra-liturgicamente alguns momentos de descontração e aeróbica atraindo a atenção de alguns segmentos sociais e midiáticos. Ai acabou a vida dele. Como indivíduo esse marco histórico é a catástrofe que vai leva-lo, um dia lá na frente, a balançar na beira de um profundo precipício. E fez isso involuntariamente, fez no calor da fé, boa vontade e energia da juventude.
Não sei como, não sei exatamente porque, apenas junto 1  + 1 e encontro o 2.
2 - Pois bem, passa a existir um Padre Marcelo Rossi que por uma iniciativa banal, que poderia começar e terminar sem ser notada, faz algum ruido numa cidade gigantesca e cheia de acontecimentos como São Paulo. A coisa explode rapidamente, mas não sem um forte mola propulsora chamada: Fausto Silva ou Faustão e seu Domingão para os íntimos. Esse evento não é gratuito, e nesse momento não só o cidadão Marcelo Rossi havia dado os seus primeiros passos, como alguém, não sei quem, mas existe esse alguém, percebeu o fenômeno e associou-se à mídia ( leia-se Domingão do Faustão ) que tratou de inflar o fenômeno ao máximo possível. Neste ponto, era nítido que o fenômeno Padre Marcelo Rossi ao depor no programa do Domingão, usava a voz, as ideias e o coração do cidadão Marcelo Rossi, mas o alguém por trás dele e a mídia colocavam isso na boca e no corpo do fenômeno Marcelo Rossi, até ai nada de errado, alias, não teremos nada de errado em momento algum desta história. A coisa foi tão exponencial que em uma ou duas semanas já causava estrago no transito da região da igreja do padre Marcelo. Em seguida só em uma fabrica enorme abandonada era possível receber e abrigar a multidão que passou a receber água benta lançada por uma broxa de pintar parede... tudo era grande, a mídia se escancarou para o fenômeno e o cidadão Marcelo foi junto sem saber onde estava entrando... passou a participar de todos os programas de tv possíveis e imagináveis, seguiram-se livros, discos, filmes e muitas músicas que não saiam mais da cabeça das pessoas... era só ver todo aquele negócio, sim, negócio... lembra de Jesus no templo rocando porrada com os  vendilhões? ( João 2:13 e seguintes )
E o cara era com de porrada mesmo... fez um chicote e sozinho botou os camelôs todos para fora do templo... João 2:16 e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.../
Com o cidadão Marcelo foi o oposto, primeiro criaram para ele o negócio e o comercio e depois resolveram criar o templo...
 Ninguém, ou o tal alguém não pensou pequeno não. Conseguiu um mega terreno na Av Interlagos, uma área nobre da região e mandou ver rapidinho na edificação de algo muito grande... honestamente ficou horrível. O acabamento arquitetônico da obra é de meter medo, uma coisa feia mesmo, mas isso nada importa. O que importa é entender que uma pessoa do bem estava sendo levada por outras pessoas por um caminho que ela acreditava ser o caminho natural a ser escolhido... ora se 1+ 1 são 2 então com mais 1 são 3...
3 - O que fizeram com o padre? 
O padre cidadão Marcelo, pessoa física virou escravo e refém do fenômeno Padre Marcelo, mas nisso não há nada de errado na medida em que em maior ou menor escala somos todos escravos e reféns de nossas necessidades materiais e afetivas... consumimos um vida para satisfazer essas necessidades, temos empregos que não gostamos, cumprimos compromissos sociais que detestamos para não contrariar os outros, pegamos filas que odiamos para rotineiramente fazer coisas que não queremos fazer mas que de uma forma ou de outra nos é imposto... é raro achar quem seja dono de si mesmo, é raro, e não é diferente isso tudo na vida do cidadão Marcelo refém do fenômeno Padre Marcelo... só que o cidadão não deu conta nem física nem emocionalmente da carga. Ele desmoronou ou vem desmoronando aos olhos de todos... e ao mesmo tempo em que é obrigado a ser um exemplo e propagador da fé, mostra claramente que em sua vida real e pessoal não é exemplo algum a ser seguido, antes de ser o instrumento de ajuda a todos esta em verdade pedindo socorro... Não é fácil, eu não queria estar na pele dele... quem o criou deve estar pensando um modo de descriar a criatura...
Quando o Papa Bento 16 renunciou eu e todo mundo ficamos pasmos. Mas o cidadão Joseph Aloisius Ratzinger não via mais caminhos comuns entre ele e Bento XVI, o Papa precisava ser uma pessoa que ele não se achou capaz de ser. No começo me pareceu estranha a atitude porque quando foi eleito ele certamente fez manobras mirabolantes para conseguir o trono, ele era maquiavélico, dominava o cenário politico do estado do Vaticano quando reinava João Paulo II em seus dias de decadência física final. Mas os alemães são práticos e diretos e o cidadão Ratzinger disse: - Deu pra mim, estou fora... e caiu fora mesmo, mostrou de forma clara e simples, tão qual um livrinho da coleção Primeiros Passos, que ele era dono dele, ele havia se feito e não fora feito como o fora nosso fenômeno Padre Marcelo.
Na verdade não importa o que há por trás do fenômeno, importa o bem que ele proporcionou a tantas pessoas e o que ele moveu para frente. Ateus como eu não entendem a profundidade dos sentimentos de quem tem fé. Mas será que ninguém se importa com o cidadão Marcelo Rossi? Não seria o caso de deixa-lo ser um simples padre como todos os outros?
Eu já escrevi aqui neste blog que sempre tive amigos padres ou a proximidade de padres em minha vida, mesmo sendo católico somente até os 9 anos de idade, some-se a isso mais - quase - 47 anos de vida e veja que o catolicismo ocupou 1/6 apenas de minha vida, em de uma vida completamente sem fé. Um dos padres que cruzou minha vida foi um fenômeno igual ao padre Marcelo em sua época. Era um jovem padre de uma paróquia da Vila Sabrina, não sei como ele entrou em minha vida, só sei que ele frequentava minha casa quando eu tinha uns 7 ou 8 anos de idade e as vezes jogávamos basquete no cimentado de minha casa. Mas ele caiu nas graças da mídia e a mídia equivalente ao Domingão na época eram os programas Almoço com as Estrelas e Clube dos Artistas de Aírton Rodrigues e Lolita Rodrigues ( essa a atriz que cantou o horrível hino da TV na inauguração da tv no Brasil ), ele aparecia todas as semanas nos programas do Aírton Rodrigues e nas capas do sangrento jornal Notícias Populares onde diziam era ele o instrumento que operava milagres. Lembro do Aírton Rodrigues perguntando a ele se ele realmente fazia milagres e vejo o Padre Marcelo Rossi respondendo ao Faustão que as graças alcançadas eram fruto da fé de cada pessoa diante de Deus... idênticos, iguais... um dia fomos na igreja dele, um domingo garoento, não tínhamos a menor ideia de onde ficava a Vila Sabrina e nos colocamos a seguir um ônibus que nos levou a um bairro miserável, ruas de terra, esgoto a céu aberto em todas as ruas e lá no meio um multidão tentando chegar perto da igrejinha de vila onde rezava e conduzia seu rebanho o padre nosso amigo. Não lembro o nome dele, se lembrasse escreveria aqui. Lembro dele batendo na janela da casa da gente de madrugada, depois de voltar da tv Tupi ( a Rede Globo da época ) e dizer que apenas tinha vindo buscar uns remédios que meu avô, não sei de onde, arranjou para ele doar aos necessitados de sua igreja, e ele dizia: Não aguento mais, é gente, gente, gente, gente, gente e não parava de dizer "gente"... e ele um dia meio que chorou dizendo que nem podia mais sair para ir comprar comida, que não tinha mais vida... e nesse dia jogamos basquete, num cimentado capenga, com uma bola que não era de basquete, cem cesta de basquete, ele de batina mais eu e meu irmão... e ele feliz como uma criança, longe de uma fama que roubava ele dele mesmo, que era um modelo do que um dia saria a fama e a desgraça pessoal do Padre Marcelo.
O padre de minha vida naquela época um dia sumiu, acabou a fama ou ele fez corajosamente o que Ratzinger fez este ano. 
Mas com a saída de Bento XVI aparece um Francisco, argentino.
Sou absolutamente, no dia, no momento que soube a eleição do argentino me contorci de ódio. Senti vontade de sair matando. Achei que era uma cenário armado para nos fazer sofrer... há uma coisa estranha no mundo, no nosso mundo, aqui no Brasil lutamos bravamente, tentamos fazer tudo direito e acertar, mas nada da certo. O país que era 90% católico caiu nas mãos de uma meia duzia de falsos pastores milagreiros que são o pior da raça humana. Tiram dos desesperados e ignorantes sem a menor compaixão. Assumiram a política, o governo e hoje mudam até o comportamento da Rede Globo, berço conservador da igreja católica desde sempre. Mas a força anti católica foi tão forte que ela dobrou... então porque o maior país católico do mundo, na beira também do profundo abismo não tinha o direito de ter naquele momento um Papa que revertesse não a fé dos verdadeiros evangélicos, dos sérios, dos que seguem pastores de bem que apenas acreditam diferente dos católicos, mas por que não um Papa brasileiro para salvar das garras dos corvos aquela imensa massa de fieis abandonados ao longo das últimas décadas? E mais, tinha que ser logo um Argentino?  Erra porrada demais, e eu nem católico era. Mas, aliás, aqui tem dois mas... o primeiro mas é que se fosse brasileiro certamente seriam um papa menor, assim como nós somos um povo menor, não há como salvar nossa honra, não a temos para salvar. Veja a bosta de copa do mundo que estamos organizando, tudo errado, tudo caro, guindaste caindo, brigas de torcida, manifestações de jogadores e do povo contra esse erro enorme que é torrar bilhões com Copa do Mundo e deixar a saúde, o transporte e a vida desmoronar neste país, teríamos um papa meia boca, não somos sérios o suficiente para ocupar posto majoritário nenhum no mundo.
Nosso orgulho nacional inatingível "Airton Senna" pediu para soldarem a barra de direção de seu formula 1, pediu um pequena gambiarra e foi atendido e com isso não fez uma curva que deveria ter feito e sifu... somos assim, o melhor de nós é um cara que manda soldar a barra de direção de um carro que anda a 300 kms por hora, temos honra? O outro nosso ídolo é rei do futebol, chora pelas criancinhas pobres, come deus e o mundo, não reconhece uma filha ilegitima, quando ela prova com exame de DNA que é filha legítima ele publicamente nega o amor e diz que ela só quer o dinheiro dele, e ele? o que queria, só a xota da mãe dela né? E quando ela morre ele nega aos filhos dela os direitos que eles como criancinhas, as mesmas criancinhas por quem o rei chora, tem. Esse é nosso rei, somos assim, aceitamos como rei esse tipo de canalha... então vem o golpe, o Papa Argentino, acusado de omisso na ditadura Argentina, e caluniado nos primeiros momentos é na verdade um fenômeno capaz de mover e mudar as coisas numa velocidade estonteante.
Não importa quem o fez ou se ele se fez, o que importa é o efeito que causa, como nosso feito fenômeno Marcelo. Mas o papa argentino sabe andar com as próprias pernas, tem cabeça, é um homem feliz, saberá contornar, mas um dia se cansará. O cidadão Marcelo se cansou, ele quer sair de cena, deixar o templo para que outro o termine, ele quer sua vida de volta, ele quer o que todo mundo quer, ele quer ser dono de si mesmo. Ele quer pular fora da maquina de moer carne enquanto não vira vaca ralada.
Quem fez, não fez por mal. Apenas fez porque é um caminho natural na sociedade fazer coisas, cada um que se defenda como lhe for possível.
Quem quer o poder, nem sabe o que é o poder antes de te-lo, mas quer, cando sente o gosto do poder ele não quer mais o poder, passa a querer ficar no poder e sua luta, já que já tem o poder, é para manter o poder eternamente, porque não imagina mais a vida sem o poder. Quem fez o padre apenas sabia que tinha que fazer algo com aquele fenômeno que sem motivo algum despontou no distante bairro de Santo Amaro. Depois que o fenômeno cresceu era preciso manter o fenômeno vivo e isso sugou toda a vida do cidadão Marcelo. Ele esta sendo conduzido ao seu final. Se não conseguir mais ser a imagem  da cura, da mesma cura que tantos buscam nele, perde seu sentido e seu valor, será desaparecido, exterminado e substituído por outra coisa qualquer, fato é que ele não se encaixa no que pensa e diz o papa argentino, crises pessoais não caem bem em propagadores do evangélio . Ele se desenquadrou, tem vaidades, quer ter uma vida pessoal, imaginem Jesus querendo cair fora, cuidar dos cabelos para não ficar careca, preocupado com sobrepeso... ele se desenquadrou porque não é nem Jesus nem papa Francisco, ele é apenas mais uma pessoa comum gerada e gestada neste nosso país onde se chora por criancinhas mas nega-se-lhes a paternidade, onde almeja-se atingir 300 kms por hora, mas manda-se soldar a barra de direção do carro... ele é o que somos, nossa fé não é suficiente para edificar aquilo que acreditamos que somos, entramos na brincadeira sem saber as regras e depois fazemos bico e pedimos socorro a mamãe.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

MOLHADO.

Enfim, gostamos de água.
Gostamos de estar perto e dentro da água.
Bom saber, principalmente em Dezembro quando chove o mundo sobre as cabeças da gente. Mas não é dessa água desobediente que gosto.
Gosto da água controlada, limpa, na temperatura certa e que pese sobre o corpo.
Gosto da umidade, da névoa no meio da mata... gosto do mar cinza, do mar de outono, do mar que mete medo.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

AINDA SEREMOS COLHIDOS PELA INEVITÁVEL PASSAGEM DO TEMPO.


Gostei de ter visto uma imagem em que um motoqueiro de mais de sessenta anos, cabelos e barbas brancos e longos recostado num a moto é ilustração para uma afirmação tipo: Iniciando uma nova juventude ao invés de entrar na terceira idade.
Ao mesmo tempo em que leio 3 livros que esbarram nisso... um ( já terminei quando fiz esta postagem ) é "O afeto que se encerra" do jornalista falecido Paulo Francis, outro é "As avós" da escritora prêmio Nobel de literatura de 2007  Doris Lessing e o outro é "Como enfrentar a velhice" de José Ângelo Gaiarsa, e que olham a velhice como uma coisa que não pode ser compreendida por quem ainda não a viveu. 
Paulo Francis esboça um auto biografia onde mostra o quanto a falta de recebimento de amor na infância o fez dele um "maduro" ( morreu com 67 anos ) que acredita-se isento de afetividade na retomada da juventude, ele entendia bem desse negócio de usar a experiência adquirida na juventude para usar e abusar da segunda juventude oferecida depois dos 50 ou 60 anos de idade. Ele por não ter ligações afetivas importantes vivia de uma forma plena a sua própria vida sem se ocupar dos outros ou dos problemas dos outros ( em sua vida pessoal, que fique bem entendido )... já Gaiarsa trata de um aspecto aterrador, fala sobre a vingança emocional dos mais jovens contra os mais velhos... quem um dia suprimiu, humilhou, foi duro demais ou deu pouco afeto que se prepare, pois concordo com ele, que é certo que terá uma terceira idade solitária ou pior, vai levar lambadas e mais lambadas de volta... melhor cortar os laços, não ser dependente e nem supridor material ou emocional de ninguém... por fim Lessing noveleia divertidamente sobre a cumplicidade de duas amigas que fazem bom uso da maturidade ( mas este eu não terminei de ler ainda... ) e encaixa mais uma abordagem nas outras que tenho, por mero acaso, lido. 
Sem dúvida, escolho não entrar na terceira idade... mesmo que para isso tenha que passar por imaturo, ridículo e distante.

POSSO PENSAR ENQUANTO ESPERO?

Bem, então pensei.
Não tenho insônia, mas ocorreu uma.
Minha regra é tentar não pensar em nada, ficar na cama, na posição mais confortável e procurar dormir novamente o mais rápido possível... mas embora sentindo sono, não dormi... acordei 4:09 h e tornei a dormir depois das 6 h da manhã... mas podia dicar na cama o quanto quisesse, e fazia um pouquinho de frio e chovia, e eu não tinha que sair de casa, não precisava.
Tudo de bom!
Mas, contrariando a regra me pus a pensar enquanto esperava o sono voltar e ele não ia voltar porque fora ativado...
Já tive que pensar rápido na vida, todos já tivemos em algum momento de emergência, sinuca, entrevista, flagrante ou teste.
Mas poder pensar sem presa é diferente, o pensamento sem objetivo escorre para outras formas e molda-se de maneiras inesperadas.
Como não havia um propósito específico no pensar, então podia pensar em qualquer coisa que quisesse e mesmo assim, como não queria nada de definido, pensei em tudo e em coisas as mais desencontradas... vieram ideias e mais ideias sobre coisas que ando fazendo e que não careciam de novas ideias, mas as que vieram espontaneamente eram tão boas que mudaram vários rumos pelos quais eu já estava caminhando decidido... contribuições gratuitas e inesperadas que vieram melhorar meus planos...
Eu sempre acreditei nessa imprevisibilidade das coisas.
Sempre fui favorecido por acontecimentos assim...
... embora alguém sempre me diga que sou criativo em vários campos, eu, lá no fundo sei, que criatividade não é dom, que essas surpresas nocauteiam o ego de quem se acha, e que ter ideias, muitas ideias não é lá grande coisa... bom mesmo é ter a ideia certa e adequada.

AFINAL, POR QUE AMAMOS TANTO AOS ANIMAIS?

Cães são maravilhosos, mas vivem, pouco. Isso é angustiante para quem, como eu, olha para os cães e os vê como começo, meio e fim.
Já tivemos algumas dezenas de cães e umas duas dezenas de gatos.
Sempre fui ligado em cães e gatos e vivi cada alegria e cada perda de forma intensa.
Mas hoje a posição que os cães e gatos ( em geral. E basicamente ) ocupam na família ou na vida solitária é muito diferente da posição que ocupava a 30 ou 40 anos atrás... eles agora estão no centro de tudo, integram de forma muito importante um lugar muito especial na vida de muitas pessoas...
Eles tem uma vida curta e um comportamento sintético... basicamente são:
fieis, disponíveis, humor constante e não reclamam de quase nada.
Com uma psicologia mais simples e portanto mais óbvia, os humanos encontram neles aquilo que não conseguem em outros humanos, e isso foi sendo descoberto intensamente nos últimos tempos... a cada decepção com um humano um abraço num cão... uma lambida de gratidão e alguns saltos de alegria simplesmente porque você chegou perto dele. Não cobra quase nada além de comida, água e atenção. Dorme onde for possível, mas se possível onde possa de alguma forma manter o contato permanente.
Não é aquele amigo pra quem você liga e sempre cai na caixa postal, não... o cão sempre responde, esta sempre disponível... com isso ganhou a preferência e o lugar...
Não adianta mais querer inverter esta realidade, os cães não perderão mais o trono, e dentro de uma década ou década e meia no máximo já haverão leis sobre herança e matrimônio de humanos e cães... ninguém mais vai lembrar que em 2013 o que se discutia era a legalização de matrimônio entre pessoas do mesmo sexo... 
Quando uma multidão resolveu invadir o instituto que muito possivelmente torturava animais, ninguém discordou, ninguém viu aquilo como uma anormalidade... muito pelo contrário, houve foi muita solidariedade e mesmo o instituto fechando e demitindo todos os funcionários, ninguém se importou com esses humanos que agora perdiam o sustento... parece justo que paguem pelas torturas que fizeram.
Foi com ingenuidade, simplicidade emocional e códigos claros que os cães conquistaram tudo isso, e eles nem sabem disso.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

NÃO POSSO NEGAR QUE GOSTEI!

Depois de ficar 3 meses sem ver a novela das 9 h, agora estou tirando o atraso e me divertindo como nunca.
Se estivesse sendo escrita por Dostoiévski não teria a menor graça, mas como é escrita por um time que tem que entregar um capitulo por dia e em número de palavras formará, no final da obra, um volume muito maior que a Bíblia, então não tem remédio, alguns deliciosos erros ficam escancarados... mas passam batidos...
Quando Felix fala para Paloma desculpa-lo por não ter sido um bom irmão, ela, que todas as noites assiste a navela em que trabalha, comete o ato falho e entrega que já conhece todos os segredos e mistérios da trama.
Ela pergunta respondendo: - O que foi que você fez Felix?
Oras bolas, quem disse que ele estava se desculpando por ter feito algo?
Se fosse escrita por Dostoiévski ela perguntaria : - O que foi que você não fez Felix?... e ele poderia responder que não tinha sido um bom irmão por ter sido pouco atencioso e carinhoso com ela, simples assim, mas como ela e o autor conhecem a trama e não sabem escrever já entregam que a desculpa e por ter agido e não por ter se omitido... assim a obra fica imperfeita.
E quando a obra é imperfeita a melhor coisa do mundo é assistir junto com minha filha onde detonamos comentários e elucidações dos fatos... em geral nos mijamos de rir com as abobrinhas que falamos, mas só falamos porque os programas que assistimos dão as deixas, não é culpa nossa, nosso é o prazer em ver tv assim.
Por exemplo: quando a mulher do Felix confirma que o Cezar era seu cliente, nós já colocamos na boca da Pilar a frase de indignação: - Mas como? Você também era médica e escondeu isso da gente!... então ela esclarece : - Não, eu não era médica, eu fazia programas! daí colocamos na boca do filho do Felix a seguinte frase: - Mamãe, então eu também tenho que confessar algo... eu também secretamente sou Hacker, eu também faço programas invasivos...
Assim a novela fica muito mais divertida...
Mas o nosso xodó é o The Voice Brazil, impossível não viajar nas abobrinhas ditas e vindas de todas as partes, das falsidades dos jurados e das absolutas incoerências dos resultados, só não digo que é o melhor programa humorístico da Globo porque o Amor & Sexo esta, ultimamente, muito melhor.

Nota.: Eu tento, tento, mas não consigo decorar os nomes dos personagens da novela, a mulher do Felix é a Barbara Paz com cabelo de ninho de pomba e eterna cara de pileque, mas adoro ela, é perfeita e o filho do Felix é o garoto com cara de japonês... acho que não foi o cliente Cezar que fecundou aquele óvulo não... ah, e torço pelo cabelo do garoto que vai ser adotado pelo casal gay, tomara que não dê certo e ele seja adotado por um barbeiro. 

sábado, 2 de novembro de 2013

O ADEUS ALHEIO...

Ainda em clima de finados e despedidas... veio-me à lembrança a história do sujeito que de solitário, ao viajar, não tendo a quem dar adeus, deu adeus a quem acenava do balcão da estação de embarque acenando para outras pessoas... surrupiou um adeus alheio.
Isso porque ontem na novela o tal Dr. Herbert, depois de se meter numa situação confusa e desagradabilíssima saiu tonto pelas ruas sem ter com quem desabafar...

Deu na casa de uma ex caso que o acolheu e tentou ouvi-lo... mas o moço só queria chorar e queria que alguém o visse chorando... não teve coragem de enfrentar sozinho a merda que fez a muitos anos atrás e que por puro azar lhe vem cair a cobrança nas fuças muitos anos depois... vai ter azar assim lá na novela.

Mas gostei da cena, gostei da trama, gostei da ideia porque já vi algo parecido, já vi durões desabarem por coisas banais, e essa história de homem não chorar é foda mesmo...

Mas foi bem colocado o enfoque no "precisar de ser visto chorando por alguém".
Chorar sozinho é como não chorar... o choro precisa de público para produzir efeito, tanto no chorão como no público...

Aquele desmaio emocional também não funciona se você estiver sozinho, alias é ridículo para cacete alguém ter um transtorno emocional e desmaiar sem testemunha... não acho que exista nada mais ridículo que ter que acordar sozinho depois de um desmaio, abrir um olho, perguntar: - Onde estou? e não ter viva alma para responder, ... depois perguntar: - Quem sou eu? e ter que apalpar a calça para achar a carteira, sacar dela a Carteira de Identidade e descobrir quem é.... é ridículo demais da conta...

Por isso Herbert teve que procurar alguém, inicialmente para conversar, mas depois converteu a necessidade em apenas ter que ser visto chorando para provar que sofre, que tem sentimentos, alma e consciência de que algo de errado aconteceu e portanto foi feito... com isso, pensa, purgou o erro, não há nada mais cafajeste que isso, chorar ao invés de enfrentar de peito.

Chegar a um ponto na vida onde não se tem nem um cachorro para ouvir a pessoa é fodissimo... nesses casos recomendo o suicídio discreto, aquele em que o corpo é encontrado 11 dias depois, quando o cheiro passa a incomodar os vizinhos do condomínio, nada de saltar da ponte estaiada em pleno rush na pista central da Marginal Pinheiros, isso é muito feio e não deve ser feito.

Dr. Herbert tinha começado a resolver sua vida, solteirão aos 50 anos sem ter descoberto/assumido sua homossexualidade  resolveu casar para manter-se covarde diante da hipótese de sair do armário... mas escolhe a moça errada, puro azar, é que em novela o número de personagens é pequeno e sempre se corre o risco de pedir a filha ou a irmã em casamento... e no caso da dita novela, já tem viado demais e não teria como converter a solteirisse do Dr. em bichisse... mais um pouco e vão ter que trocar o nome da novela para "Amor à biba".

Chorou, chorou baixinho para ninguém ouvir, chorou largado, chorou abraçado forte para a amiga não ver sua cara, minimizou o sofre, umedeceu a camisola da amiga e pegou no sono como fazem os bebês que depois de tanto chorar, cansam e dormem... 

Durões são bebês, frágeis e inconsequentes, prontos para despertar e fazer uma nova cagada maior ainda. 

Agora vamos dar tchauzinho aos alheios.