PENSANDO

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sábado, 14 de dezembro de 2013

1-MARCELO ROSSI 2-PADRE MARCELO ROSSI 3-O QUE FIZERAM COM O PADRE

Havia uma coleção extensa de livros, editados pela Brasiliense chamada Coleção Primeiros Passos... era muito interessante ler de forma hiper condensada a tradução de significados que outros autores precisariam de volumes e mais volumes para clarear vagamente a cabeça do leitor.
Mas mesmo concisos os textos eram saborosos e te faziam penetrar em conceitos e ideias, que ao menos para mim, muitos deles, eram inéditos.
Mas era um be a ba que de alguma forma, até pela simplicidade do texto punha luz nos assuntos... em alguns, eu creio que criava era mais confusão ao tentar explicar de forma simplificada demais conhecimentos que em verdade são muito complexos. Mas essa coleção me motivou a entender como funcionam as coisas... era um pequeno passeio pelos bastidores do saber. Assim como crianças e adolescentes adoram saber como funciona um relógio, um carro, um liquidificador, na juventude, quem tem sede de saber adora entender como funciona a "malandragem" intelectual... qual a verdadeira razão disso ou daquilo existir e para que serve.
Conheço mais gente que gosta do que gente que não gosta do Padre Marcelo Rossi. Ele sem duvida faz bem a muita gente, construiu um história interessante e parece que essa história agora carece de um final feliz, parece mesmo que algo de ruim esta para acontecer.
1 - Marcelo Rossi é uma pessoa como qualquer uma outra, tem como ocupação ser padre, mas destacou-se num determinado momento por incluir extra-liturgicamente alguns momentos de descontração e aeróbica atraindo a atenção de alguns segmentos sociais e midiáticos. Ai acabou a vida dele. Como indivíduo esse marco histórico é a catástrofe que vai leva-lo, um dia lá na frente, a balançar na beira de um profundo precipício. E fez isso involuntariamente, fez no calor da fé, boa vontade e energia da juventude.
Não sei como, não sei exatamente porque, apenas junto 1  + 1 e encontro o 2.
2 - Pois bem, passa a existir um Padre Marcelo Rossi que por uma iniciativa banal, que poderia começar e terminar sem ser notada, faz algum ruido numa cidade gigantesca e cheia de acontecimentos como São Paulo. A coisa explode rapidamente, mas não sem um forte mola propulsora chamada: Fausto Silva ou Faustão e seu Domingão para os íntimos. Esse evento não é gratuito, e nesse momento não só o cidadão Marcelo Rossi havia dado os seus primeiros passos, como alguém, não sei quem, mas existe esse alguém, percebeu o fenômeno e associou-se à mídia ( leia-se Domingão do Faustão ) que tratou de inflar o fenômeno ao máximo possível. Neste ponto, era nítido que o fenômeno Padre Marcelo Rossi ao depor no programa do Domingão, usava a voz, as ideias e o coração do cidadão Marcelo Rossi, mas o alguém por trás dele e a mídia colocavam isso na boca e no corpo do fenômeno Marcelo Rossi, até ai nada de errado, alias, não teremos nada de errado em momento algum desta história. A coisa foi tão exponencial que em uma ou duas semanas já causava estrago no transito da região da igreja do padre Marcelo. Em seguida só em uma fabrica enorme abandonada era possível receber e abrigar a multidão que passou a receber água benta lançada por uma broxa de pintar parede... tudo era grande, a mídia se escancarou para o fenômeno e o cidadão Marcelo foi junto sem saber onde estava entrando... passou a participar de todos os programas de tv possíveis e imagináveis, seguiram-se livros, discos, filmes e muitas músicas que não saiam mais da cabeça das pessoas... era só ver todo aquele negócio, sim, negócio... lembra de Jesus no templo rocando porrada com os  vendilhões? ( João 2:13 e seguintes )
E o cara era com de porrada mesmo... fez um chicote e sozinho botou os camelôs todos para fora do templo... João 2:16 e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.../
Com o cidadão Marcelo foi o oposto, primeiro criaram para ele o negócio e o comercio e depois resolveram criar o templo...
 Ninguém, ou o tal alguém não pensou pequeno não. Conseguiu um mega terreno na Av Interlagos, uma área nobre da região e mandou ver rapidinho na edificação de algo muito grande... honestamente ficou horrível. O acabamento arquitetônico da obra é de meter medo, uma coisa feia mesmo, mas isso nada importa. O que importa é entender que uma pessoa do bem estava sendo levada por outras pessoas por um caminho que ela acreditava ser o caminho natural a ser escolhido... ora se 1+ 1 são 2 então com mais 1 são 3...
3 - O que fizeram com o padre? 
O padre cidadão Marcelo, pessoa física virou escravo e refém do fenômeno Padre Marcelo, mas nisso não há nada de errado na medida em que em maior ou menor escala somos todos escravos e reféns de nossas necessidades materiais e afetivas... consumimos um vida para satisfazer essas necessidades, temos empregos que não gostamos, cumprimos compromissos sociais que detestamos para não contrariar os outros, pegamos filas que odiamos para rotineiramente fazer coisas que não queremos fazer mas que de uma forma ou de outra nos é imposto... é raro achar quem seja dono de si mesmo, é raro, e não é diferente isso tudo na vida do cidadão Marcelo refém do fenômeno Padre Marcelo... só que o cidadão não deu conta nem física nem emocionalmente da carga. Ele desmoronou ou vem desmoronando aos olhos de todos... e ao mesmo tempo em que é obrigado a ser um exemplo e propagador da fé, mostra claramente que em sua vida real e pessoal não é exemplo algum a ser seguido, antes de ser o instrumento de ajuda a todos esta em verdade pedindo socorro... Não é fácil, eu não queria estar na pele dele... quem o criou deve estar pensando um modo de descriar a criatura...
Quando o Papa Bento 16 renunciou eu e todo mundo ficamos pasmos. Mas o cidadão Joseph Aloisius Ratzinger não via mais caminhos comuns entre ele e Bento XVI, o Papa precisava ser uma pessoa que ele não se achou capaz de ser. No começo me pareceu estranha a atitude porque quando foi eleito ele certamente fez manobras mirabolantes para conseguir o trono, ele era maquiavélico, dominava o cenário politico do estado do Vaticano quando reinava João Paulo II em seus dias de decadência física final. Mas os alemães são práticos e diretos e o cidadão Ratzinger disse: - Deu pra mim, estou fora... e caiu fora mesmo, mostrou de forma clara e simples, tão qual um livrinho da coleção Primeiros Passos, que ele era dono dele, ele havia se feito e não fora feito como o fora nosso fenômeno Padre Marcelo.
Na verdade não importa o que há por trás do fenômeno, importa o bem que ele proporcionou a tantas pessoas e o que ele moveu para frente. Ateus como eu não entendem a profundidade dos sentimentos de quem tem fé. Mas será que ninguém se importa com o cidadão Marcelo Rossi? Não seria o caso de deixa-lo ser um simples padre como todos os outros?
Eu já escrevi aqui neste blog que sempre tive amigos padres ou a proximidade de padres em minha vida, mesmo sendo católico somente até os 9 anos de idade, some-se a isso mais - quase - 47 anos de vida e veja que o catolicismo ocupou 1/6 apenas de minha vida, em de uma vida completamente sem fé. Um dos padres que cruzou minha vida foi um fenômeno igual ao padre Marcelo em sua época. Era um jovem padre de uma paróquia da Vila Sabrina, não sei como ele entrou em minha vida, só sei que ele frequentava minha casa quando eu tinha uns 7 ou 8 anos de idade e as vezes jogávamos basquete no cimentado de minha casa. Mas ele caiu nas graças da mídia e a mídia equivalente ao Domingão na época eram os programas Almoço com as Estrelas e Clube dos Artistas de Aírton Rodrigues e Lolita Rodrigues ( essa a atriz que cantou o horrível hino da TV na inauguração da tv no Brasil ), ele aparecia todas as semanas nos programas do Aírton Rodrigues e nas capas do sangrento jornal Notícias Populares onde diziam era ele o instrumento que operava milagres. Lembro do Aírton Rodrigues perguntando a ele se ele realmente fazia milagres e vejo o Padre Marcelo Rossi respondendo ao Faustão que as graças alcançadas eram fruto da fé de cada pessoa diante de Deus... idênticos, iguais... um dia fomos na igreja dele, um domingo garoento, não tínhamos a menor ideia de onde ficava a Vila Sabrina e nos colocamos a seguir um ônibus que nos levou a um bairro miserável, ruas de terra, esgoto a céu aberto em todas as ruas e lá no meio um multidão tentando chegar perto da igrejinha de vila onde rezava e conduzia seu rebanho o padre nosso amigo. Não lembro o nome dele, se lembrasse escreveria aqui. Lembro dele batendo na janela da casa da gente de madrugada, depois de voltar da tv Tupi ( a Rede Globo da época ) e dizer que apenas tinha vindo buscar uns remédios que meu avô, não sei de onde, arranjou para ele doar aos necessitados de sua igreja, e ele dizia: Não aguento mais, é gente, gente, gente, gente, gente e não parava de dizer "gente"... e ele um dia meio que chorou dizendo que nem podia mais sair para ir comprar comida, que não tinha mais vida... e nesse dia jogamos basquete, num cimentado capenga, com uma bola que não era de basquete, cem cesta de basquete, ele de batina mais eu e meu irmão... e ele feliz como uma criança, longe de uma fama que roubava ele dele mesmo, que era um modelo do que um dia saria a fama e a desgraça pessoal do Padre Marcelo.
O padre de minha vida naquela época um dia sumiu, acabou a fama ou ele fez corajosamente o que Ratzinger fez este ano. 
Mas com a saída de Bento XVI aparece um Francisco, argentino.
Sou absolutamente, no dia, no momento que soube a eleição do argentino me contorci de ódio. Senti vontade de sair matando. Achei que era uma cenário armado para nos fazer sofrer... há uma coisa estranha no mundo, no nosso mundo, aqui no Brasil lutamos bravamente, tentamos fazer tudo direito e acertar, mas nada da certo. O país que era 90% católico caiu nas mãos de uma meia duzia de falsos pastores milagreiros que são o pior da raça humana. Tiram dos desesperados e ignorantes sem a menor compaixão. Assumiram a política, o governo e hoje mudam até o comportamento da Rede Globo, berço conservador da igreja católica desde sempre. Mas a força anti católica foi tão forte que ela dobrou... então porque o maior país católico do mundo, na beira também do profundo abismo não tinha o direito de ter naquele momento um Papa que revertesse não a fé dos verdadeiros evangélicos, dos sérios, dos que seguem pastores de bem que apenas acreditam diferente dos católicos, mas por que não um Papa brasileiro para salvar das garras dos corvos aquela imensa massa de fieis abandonados ao longo das últimas décadas? E mais, tinha que ser logo um Argentino?  Erra porrada demais, e eu nem católico era. Mas, aliás, aqui tem dois mas... o primeiro mas é que se fosse brasileiro certamente seriam um papa menor, assim como nós somos um povo menor, não há como salvar nossa honra, não a temos para salvar. Veja a bosta de copa do mundo que estamos organizando, tudo errado, tudo caro, guindaste caindo, brigas de torcida, manifestações de jogadores e do povo contra esse erro enorme que é torrar bilhões com Copa do Mundo e deixar a saúde, o transporte e a vida desmoronar neste país, teríamos um papa meia boca, não somos sérios o suficiente para ocupar posto majoritário nenhum no mundo.
Nosso orgulho nacional inatingível "Airton Senna" pediu para soldarem a barra de direção de seu formula 1, pediu um pequena gambiarra e foi atendido e com isso não fez uma curva que deveria ter feito e sifu... somos assim, o melhor de nós é um cara que manda soldar a barra de direção de um carro que anda a 300 kms por hora, temos honra? O outro nosso ídolo é rei do futebol, chora pelas criancinhas pobres, come deus e o mundo, não reconhece uma filha ilegitima, quando ela prova com exame de DNA que é filha legítima ele publicamente nega o amor e diz que ela só quer o dinheiro dele, e ele? o que queria, só a xota da mãe dela né? E quando ela morre ele nega aos filhos dela os direitos que eles como criancinhas, as mesmas criancinhas por quem o rei chora, tem. Esse é nosso rei, somos assim, aceitamos como rei esse tipo de canalha... então vem o golpe, o Papa Argentino, acusado de omisso na ditadura Argentina, e caluniado nos primeiros momentos é na verdade um fenômeno capaz de mover e mudar as coisas numa velocidade estonteante.
Não importa quem o fez ou se ele se fez, o que importa é o efeito que causa, como nosso feito fenômeno Marcelo. Mas o papa argentino sabe andar com as próprias pernas, tem cabeça, é um homem feliz, saberá contornar, mas um dia se cansará. O cidadão Marcelo se cansou, ele quer sair de cena, deixar o templo para que outro o termine, ele quer sua vida de volta, ele quer o que todo mundo quer, ele quer ser dono de si mesmo. Ele quer pular fora da maquina de moer carne enquanto não vira vaca ralada.
Quem fez, não fez por mal. Apenas fez porque é um caminho natural na sociedade fazer coisas, cada um que se defenda como lhe for possível.
Quem quer o poder, nem sabe o que é o poder antes de te-lo, mas quer, cando sente o gosto do poder ele não quer mais o poder, passa a querer ficar no poder e sua luta, já que já tem o poder, é para manter o poder eternamente, porque não imagina mais a vida sem o poder. Quem fez o padre apenas sabia que tinha que fazer algo com aquele fenômeno que sem motivo algum despontou no distante bairro de Santo Amaro. Depois que o fenômeno cresceu era preciso manter o fenômeno vivo e isso sugou toda a vida do cidadão Marcelo. Ele esta sendo conduzido ao seu final. Se não conseguir mais ser a imagem  da cura, da mesma cura que tantos buscam nele, perde seu sentido e seu valor, será desaparecido, exterminado e substituído por outra coisa qualquer, fato é que ele não se encaixa no que pensa e diz o papa argentino, crises pessoais não caem bem em propagadores do evangélio . Ele se desenquadrou, tem vaidades, quer ter uma vida pessoal, imaginem Jesus querendo cair fora, cuidar dos cabelos para não ficar careca, preocupado com sobrepeso... ele se desenquadrou porque não é nem Jesus nem papa Francisco, ele é apenas mais uma pessoa comum gerada e gestada neste nosso país onde se chora por criancinhas mas nega-se-lhes a paternidade, onde almeja-se atingir 300 kms por hora, mas manda-se soldar a barra de direção do carro... ele é o que somos, nossa fé não é suficiente para edificar aquilo que acreditamos que somos, entramos na brincadeira sem saber as regras e depois fazemos bico e pedimos socorro a mamãe.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

MOLHADO.

Enfim, gostamos de água.
Gostamos de estar perto e dentro da água.
Bom saber, principalmente em Dezembro quando chove o mundo sobre as cabeças da gente. Mas não é dessa água desobediente que gosto.
Gosto da água controlada, limpa, na temperatura certa e que pese sobre o corpo.
Gosto da umidade, da névoa no meio da mata... gosto do mar cinza, do mar de outono, do mar que mete medo.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

AINDA SEREMOS COLHIDOS PELA INEVITÁVEL PASSAGEM DO TEMPO.


Gostei de ter visto uma imagem em que um motoqueiro de mais de sessenta anos, cabelos e barbas brancos e longos recostado num a moto é ilustração para uma afirmação tipo: Iniciando uma nova juventude ao invés de entrar na terceira idade.
Ao mesmo tempo em que leio 3 livros que esbarram nisso... um ( já terminei quando fiz esta postagem ) é "O afeto que se encerra" do jornalista falecido Paulo Francis, outro é "As avós" da escritora prêmio Nobel de literatura de 2007  Doris Lessing e o outro é "Como enfrentar a velhice" de José Ângelo Gaiarsa, e que olham a velhice como uma coisa que não pode ser compreendida por quem ainda não a viveu. 
Paulo Francis esboça um auto biografia onde mostra o quanto a falta de recebimento de amor na infância o fez dele um "maduro" ( morreu com 67 anos ) que acredita-se isento de afetividade na retomada da juventude, ele entendia bem desse negócio de usar a experiência adquirida na juventude para usar e abusar da segunda juventude oferecida depois dos 50 ou 60 anos de idade. Ele por não ter ligações afetivas importantes vivia de uma forma plena a sua própria vida sem se ocupar dos outros ou dos problemas dos outros ( em sua vida pessoal, que fique bem entendido )... já Gaiarsa trata de um aspecto aterrador, fala sobre a vingança emocional dos mais jovens contra os mais velhos... quem um dia suprimiu, humilhou, foi duro demais ou deu pouco afeto que se prepare, pois concordo com ele, que é certo que terá uma terceira idade solitária ou pior, vai levar lambadas e mais lambadas de volta... melhor cortar os laços, não ser dependente e nem supridor material ou emocional de ninguém... por fim Lessing noveleia divertidamente sobre a cumplicidade de duas amigas que fazem bom uso da maturidade ( mas este eu não terminei de ler ainda... ) e encaixa mais uma abordagem nas outras que tenho, por mero acaso, lido. 
Sem dúvida, escolho não entrar na terceira idade... mesmo que para isso tenha que passar por imaturo, ridículo e distante.

POSSO PENSAR ENQUANTO ESPERO?

Bem, então pensei.
Não tenho insônia, mas ocorreu uma.
Minha regra é tentar não pensar em nada, ficar na cama, na posição mais confortável e procurar dormir novamente o mais rápido possível... mas embora sentindo sono, não dormi... acordei 4:09 h e tornei a dormir depois das 6 h da manhã... mas podia dicar na cama o quanto quisesse, e fazia um pouquinho de frio e chovia, e eu não tinha que sair de casa, não precisava.
Tudo de bom!
Mas, contrariando a regra me pus a pensar enquanto esperava o sono voltar e ele não ia voltar porque fora ativado...
Já tive que pensar rápido na vida, todos já tivemos em algum momento de emergência, sinuca, entrevista, flagrante ou teste.
Mas poder pensar sem presa é diferente, o pensamento sem objetivo escorre para outras formas e molda-se de maneiras inesperadas.
Como não havia um propósito específico no pensar, então podia pensar em qualquer coisa que quisesse e mesmo assim, como não queria nada de definido, pensei em tudo e em coisas as mais desencontradas... vieram ideias e mais ideias sobre coisas que ando fazendo e que não careciam de novas ideias, mas as que vieram espontaneamente eram tão boas que mudaram vários rumos pelos quais eu já estava caminhando decidido... contribuições gratuitas e inesperadas que vieram melhorar meus planos...
Eu sempre acreditei nessa imprevisibilidade das coisas.
Sempre fui favorecido por acontecimentos assim...
... embora alguém sempre me diga que sou criativo em vários campos, eu, lá no fundo sei, que criatividade não é dom, que essas surpresas nocauteiam o ego de quem se acha, e que ter ideias, muitas ideias não é lá grande coisa... bom mesmo é ter a ideia certa e adequada.

AFINAL, POR QUE AMAMOS TANTO AOS ANIMAIS?

Cães são maravilhosos, mas vivem, pouco. Isso é angustiante para quem, como eu, olha para os cães e os vê como começo, meio e fim.
Já tivemos algumas dezenas de cães e umas duas dezenas de gatos.
Sempre fui ligado em cães e gatos e vivi cada alegria e cada perda de forma intensa.
Mas hoje a posição que os cães e gatos ( em geral. E basicamente ) ocupam na família ou na vida solitária é muito diferente da posição que ocupava a 30 ou 40 anos atrás... eles agora estão no centro de tudo, integram de forma muito importante um lugar muito especial na vida de muitas pessoas...
Eles tem uma vida curta e um comportamento sintético... basicamente são:
fieis, disponíveis, humor constante e não reclamam de quase nada.
Com uma psicologia mais simples e portanto mais óbvia, os humanos encontram neles aquilo que não conseguem em outros humanos, e isso foi sendo descoberto intensamente nos últimos tempos... a cada decepção com um humano um abraço num cão... uma lambida de gratidão e alguns saltos de alegria simplesmente porque você chegou perto dele. Não cobra quase nada além de comida, água e atenção. Dorme onde for possível, mas se possível onde possa de alguma forma manter o contato permanente.
Não é aquele amigo pra quem você liga e sempre cai na caixa postal, não... o cão sempre responde, esta sempre disponível... com isso ganhou a preferência e o lugar...
Não adianta mais querer inverter esta realidade, os cães não perderão mais o trono, e dentro de uma década ou década e meia no máximo já haverão leis sobre herança e matrimônio de humanos e cães... ninguém mais vai lembrar que em 2013 o que se discutia era a legalização de matrimônio entre pessoas do mesmo sexo... 
Quando uma multidão resolveu invadir o instituto que muito possivelmente torturava animais, ninguém discordou, ninguém viu aquilo como uma anormalidade... muito pelo contrário, houve foi muita solidariedade e mesmo o instituto fechando e demitindo todos os funcionários, ninguém se importou com esses humanos que agora perdiam o sustento... parece justo que paguem pelas torturas que fizeram.
Foi com ingenuidade, simplicidade emocional e códigos claros que os cães conquistaram tudo isso, e eles nem sabem disso.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

NÃO POSSO NEGAR QUE GOSTEI!

Depois de ficar 3 meses sem ver a novela das 9 h, agora estou tirando o atraso e me divertindo como nunca.
Se estivesse sendo escrita por Dostoiévski não teria a menor graça, mas como é escrita por um time que tem que entregar um capitulo por dia e em número de palavras formará, no final da obra, um volume muito maior que a Bíblia, então não tem remédio, alguns deliciosos erros ficam escancarados... mas passam batidos...
Quando Felix fala para Paloma desculpa-lo por não ter sido um bom irmão, ela, que todas as noites assiste a navela em que trabalha, comete o ato falho e entrega que já conhece todos os segredos e mistérios da trama.
Ela pergunta respondendo: - O que foi que você fez Felix?
Oras bolas, quem disse que ele estava se desculpando por ter feito algo?
Se fosse escrita por Dostoiévski ela perguntaria : - O que foi que você não fez Felix?... e ele poderia responder que não tinha sido um bom irmão por ter sido pouco atencioso e carinhoso com ela, simples assim, mas como ela e o autor conhecem a trama e não sabem escrever já entregam que a desculpa e por ter agido e não por ter se omitido... assim a obra fica imperfeita.
E quando a obra é imperfeita a melhor coisa do mundo é assistir junto com minha filha onde detonamos comentários e elucidações dos fatos... em geral nos mijamos de rir com as abobrinhas que falamos, mas só falamos porque os programas que assistimos dão as deixas, não é culpa nossa, nosso é o prazer em ver tv assim.
Por exemplo: quando a mulher do Felix confirma que o Cezar era seu cliente, nós já colocamos na boca da Pilar a frase de indignação: - Mas como? Você também era médica e escondeu isso da gente!... então ela esclarece : - Não, eu não era médica, eu fazia programas! daí colocamos na boca do filho do Felix a seguinte frase: - Mamãe, então eu também tenho que confessar algo... eu também secretamente sou Hacker, eu também faço programas invasivos...
Assim a novela fica muito mais divertida...
Mas o nosso xodó é o The Voice Brazil, impossível não viajar nas abobrinhas ditas e vindas de todas as partes, das falsidades dos jurados e das absolutas incoerências dos resultados, só não digo que é o melhor programa humorístico da Globo porque o Amor & Sexo esta, ultimamente, muito melhor.

Nota.: Eu tento, tento, mas não consigo decorar os nomes dos personagens da novela, a mulher do Felix é a Barbara Paz com cabelo de ninho de pomba e eterna cara de pileque, mas adoro ela, é perfeita e o filho do Felix é o garoto com cara de japonês... acho que não foi o cliente Cezar que fecundou aquele óvulo não... ah, e torço pelo cabelo do garoto que vai ser adotado pelo casal gay, tomara que não dê certo e ele seja adotado por um barbeiro. 

sábado, 2 de novembro de 2013

O ADEUS ALHEIO...

Ainda em clima de finados e despedidas... veio-me à lembrança a história do sujeito que de solitário, ao viajar, não tendo a quem dar adeus, deu adeus a quem acenava do balcão da estação de embarque acenando para outras pessoas... surrupiou um adeus alheio.
Isso porque ontem na novela o tal Dr. Herbert, depois de se meter numa situação confusa e desagradabilíssima saiu tonto pelas ruas sem ter com quem desabafar...

Deu na casa de uma ex caso que o acolheu e tentou ouvi-lo... mas o moço só queria chorar e queria que alguém o visse chorando... não teve coragem de enfrentar sozinho a merda que fez a muitos anos atrás e que por puro azar lhe vem cair a cobrança nas fuças muitos anos depois... vai ter azar assim lá na novela.

Mas gostei da cena, gostei da trama, gostei da ideia porque já vi algo parecido, já vi durões desabarem por coisas banais, e essa história de homem não chorar é foda mesmo...

Mas foi bem colocado o enfoque no "precisar de ser visto chorando por alguém".
Chorar sozinho é como não chorar... o choro precisa de público para produzir efeito, tanto no chorão como no público...

Aquele desmaio emocional também não funciona se você estiver sozinho, alias é ridículo para cacete alguém ter um transtorno emocional e desmaiar sem testemunha... não acho que exista nada mais ridículo que ter que acordar sozinho depois de um desmaio, abrir um olho, perguntar: - Onde estou? e não ter viva alma para responder, ... depois perguntar: - Quem sou eu? e ter que apalpar a calça para achar a carteira, sacar dela a Carteira de Identidade e descobrir quem é.... é ridículo demais da conta...

Por isso Herbert teve que procurar alguém, inicialmente para conversar, mas depois converteu a necessidade em apenas ter que ser visto chorando para provar que sofre, que tem sentimentos, alma e consciência de que algo de errado aconteceu e portanto foi feito... com isso, pensa, purgou o erro, não há nada mais cafajeste que isso, chorar ao invés de enfrentar de peito.

Chegar a um ponto na vida onde não se tem nem um cachorro para ouvir a pessoa é fodissimo... nesses casos recomendo o suicídio discreto, aquele em que o corpo é encontrado 11 dias depois, quando o cheiro passa a incomodar os vizinhos do condomínio, nada de saltar da ponte estaiada em pleno rush na pista central da Marginal Pinheiros, isso é muito feio e não deve ser feito.

Dr. Herbert tinha começado a resolver sua vida, solteirão aos 50 anos sem ter descoberto/assumido sua homossexualidade  resolveu casar para manter-se covarde diante da hipótese de sair do armário... mas escolhe a moça errada, puro azar, é que em novela o número de personagens é pequeno e sempre se corre o risco de pedir a filha ou a irmã em casamento... e no caso da dita novela, já tem viado demais e não teria como converter a solteirisse do Dr. em bichisse... mais um pouco e vão ter que trocar o nome da novela para "Amor à biba".

Chorou, chorou baixinho para ninguém ouvir, chorou largado, chorou abraçado forte para a amiga não ver sua cara, minimizou o sofre, umedeceu a camisola da amiga e pegou no sono como fazem os bebês que depois de tanto chorar, cansam e dormem... 

Durões são bebês, frágeis e inconsequentes, prontos para despertar e fazer uma nova cagada maior ainda. 

Agora vamos dar tchauzinho aos alheios.





NÓS QUE AQUI ESTAMOS, POR TÍ ESPERAMOS!


Bem vindos ao dia de Finados, ou dia dos finados...
Dia ( em verdade, noite )de fazer pic-nic em cemitério em todo o México, lá a coisa é bem  divertida e os cemitérios deles bem coloridinhos...



E são também muito engraçadinhos os mexicanos...




Já por aqui, penso que por conta dessa maldita colonização portuguesa que sofremos, somos depressivos em relação ao assunto morte... tememos, choramos e depois idolatramos os mortos... aquela coisa de chorar pelos mortos pelo resto da vida... lembro de uma senhora portuguesa que certa vez me contava aos prantos sobre a morte do irmão dela, e eu achando que tinha sido por aqueles dias e era na verdade uma história ocorrida a mais de 40 anos, mas a emoção era tão intensa de coisa perpétua tal qual a morte, que me fez pensar estar conversando com uma pessoa que voltava de um velório.

A personagem de Fernanda Montenegro num especial recente da Globo disse que a morte é como fazer um curva na estrada... deixamos de ser vistos, e isso é um boa definição da morte...

Em geral todos iremos morrer... alguns de forma bonita, outros tragicamente e a grande maioria banalmente... 

Se você já passou o ano novo na praia e viu aquela multidão de sei lá quantos milhões de pessoas juntas, já imaginou que para cada uma delas haverá uma morte, um caixão, um velório e um enterro??? Parece que não vai ter nem tempo disponível nem espaço para todos, mas pro incrível que pareça velório na vida da gente não é coisa que acontece todos os dias... era pra ser igual a motoqueiro passando pela gente no transito, um atrás do outro, mas não, as vezes passam-se anos sem que a gente vá a um... mas fique frio, quando você chega à casa dos 50 anos tem velório de amigo e parente todo mês.

Enfim, viemos do pó, espanamos o pó, cheiramos o pó e ao pó retornamos.