PENSANDO

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

INOCENTANDO OS HOMENS MAUS.

Ninguém faz nada sozinho.
Quando você prega um grampo num morão de cerca no meio do pasto, longe de tudo, longe de todos, pode estar certo que junto com você esta o grampo feito por alguém que pegou um fio de aço feito por outro alguém que usou um minério cavado por outro alguém, e assim é com o morão e com o martelo e o arame.
Ninguém governa sozinho, ninguém erra sozinho.
Assisti a um filme sobre um momento específico da vida de um ex presidente dos Estados Unidos.
Não se espera que um homem que não seja uma verdadeira raposa consiga chegar a um cargo tão elevado e invejado. Não se fala de gente normal quando se trata desse tipo de conquista.
Uma vez no cargo o indivíduo tem algumas frentes de perturbação... a do próprio cargo em si  a dos adversários, a dos puxa sacos, a justiça, a opinião pública e a pior de todas que é enfrentar a si mesmo todos os dias.
Assim, a cada decisão, uma série de decisões menores interferem na decisão maior, principal e definitiva.
É a solidão mais exposta que um ser pode ter. Você é o responsável final por tudo mas todos  tem o direito de opinar e julgar todos os seus atos solitários.
O único atrativo é o poder pelo poder, nem sempre há uma recompensa material e na maioria das vezes a história não faz justiça.
Aqui no Brasil achamos que todos os que ocupam cargos públicos em qualquer parte do mundo o fazem para enriquecer, e isso é uma deturpação causada por 500 anos de corrupção e aceitação da corrupção.
Somos assim e acreditamos que o mundo inteiro seja assim. Não é verdade. Tem lugares onde a corrupção existe em níveis bastante aceitáveis e outros onde é intolerável e vem destruindo a nações. Ela é tão corrosiva que desagrega e faz com que um coletivo se torne cada vez mais tribal.
Então eu acredito que os políticos mais capazes muitas vezes não usam toda a sua capacidade em proveito próprio como acreditamos. Muitas vezes deslumbrados com o poder, a fama, a possibilidade de dar a palavra final sobre a vida de multidões eles aceitam como recompensa apenas a satisfação do ego.
Capacitadíssimos para articular ideias e planos, para fazer avaliações muito complexas de conjunturas muito mais complexas ainda, hábeis aos extremo na arte do convencimento e muito estudiosos dos detalhes e das possibilidades a que esses detalhes podem levar, passam como um rolo compressor sobre todos e isso é um outro grande prazer,  a capacidade de vencer intelectualmente.
Mas sempre se cercam de conselheiros e esses mais cedo ou mais tarde caem em desgraça num território ou em outro, ou no campo inimigo ou por fogo amigo, nunca saem ilesos, nunca vi ninguém que não é o número um sair sem machucados de suas gestões. Mas essa é a função deles, se por um lado podem estar colados ao poder sem terem sido eleitos por outro estão lá por um preço caro que será cobrado na hora que isso for possível. Tombam, fatalmente tombam e levam a fama pelos erros nem sempre cometidos.
O volume e a qualidade de  informações que um mandatário tem dá a ele o poder de decidir sem ser entendido. Como o grosso da sociedade só dispõe de parte da informação e pouco da experiencia de tomada de decisão, então fatalmente o significado da decisão se perde quando chega aos extratos mais baixos. Decorre então o julgamento com base em matéria parcial que fatalmente leva a injustiça.
Quem esta lá encima sabe disso tudo e já não dá importância maior a isso, sabe também que no macro a coisa tem que andar e que se a cachorrada late ou não late não faz a menor diferença, em tempo algum.
A experiência de ser o número um no país mais poderoso do mundo é tão única que apenas 44 homens ocuparam esse cargo entre 30 de Abril de 1789 e o dia 20 de Janeiro de 2013, ou 224 anos.
A visão deles é uma antes de entrar e outra completamente diferente depois que saem. Mas nenhum outro simples mortal tem a menor ideia da complexidade que é essa visão. Alguns inciaram guerras e levaram milhares a morte, outros terminaram essas guerras, e alguns não passaram por guerra alguma que tenha sido relevante ( sem querer aqui dizer que há irrelevância em qualquer guerra que seja ).
Li algumas biografias e me interesso permanentemente pelo assunto: o homem no poder, dada a distância que o poder impõe a esse homem... é a tal solidão exposta.
Solitário nesse mundo de força disponível e no centro de todas as informações que nunca teremos e podendo, dispondo delas fazer aquilo que julgam o melhor, não fica claro para quem seria esse melhor, mas acredito na necessidade de continuidade no poder e eles hora pendem para o melhor para suas próprias imagens, hora para o melhor para o coletivo que representam, hora para o melhor para seus egos, e isso é assim, já que não terei o reconhecimento pleno vou fazer algo que só será percebido no futuro, vou aceitar o julgamento da história, e isso é pender para o lado do ego em detrimento a todos os outros lados.
Acumula-se um bocado de experiências com uma vivência que em verdade é rápida no poder, no máximo  8 anos numa vida media de 80 anos, e levasse uns 50 anos para conseguir chegar lá, até mais. Mas são anos muito intensos, carregados de jogadas, rasteiras, pressões e surpresas. Nada é obvio e anunciado previamente, tudo chega camuflado e a arte de governar é a arte de desvendar qual a verdade por trás de tudo que chega ao seu conhecimento.
O erro é sempre embarcar na necessidade de governabilidade. Esse erro é fatal e derruba e derrubou a todos. Melhor passar por incompetente que por ladrão ou desonesto. Alguém incompetente conseguiria chegar lá? Alguém honesto conseguiria chegar lá? Claro que não, tratamos aqui de pessoas que conseguem juntar as pontas de várias coisas, criar os fatos e deles de valer para subir cada degrau e se manter nele.
Assim chego ao ponto básico que quero chegar com essa conversa toda.
Imagino ir pescar com um  ex presidente americano, estar só com ele num barco no meio de um lago com o tempo todo a disposição, nada para interromper e poder sondar entre um lance e outro da pescaria cada mínimo detalhe do que é estar no cargo e ser uns dos 44, entender os fatos pela ótica de quem pode declarar a verdade totalmente. Imagino poder descobrir coisas tão absurdamente complexas que levaram a tais e tais decisões, como descobrir também as coisas tão absurdamente simples que levaram a complexas decisões. Coisas como 1 + 1 = 2 ou fórmulas que ocupam um pagina inteira de caderno. Nas coisas simples evidentemente vão prevalecer a alma do homem, suas convicções e suas possibilidades de articulação. Nas bem complexas veria apenas como ele se virou na enxurrada  como conseguiu manter a cabeça de fora para respirar e como conseguiu nadar até a margem ou se conseguiu apenas se agarrar a algo e esperar a força da água diminuir. Deve ser maravilhoso ouvir uma explicação completa e convincente dada a mim que não propagarei nem sairei contando nada para ninguém. Mais, poder mergulhar fundo e entender o processo e o homem envolvido no processo. Foi fácil? Tirou de letra? Perdeu o sono? Deu dor de barriga? Assinou a autorização para bombardear e não tremeu a mão sabendo que de uma certa forma matava naquele ato?
Fascina, instiga... acho que deixaria o anzol sem minhoca só prá não perder a concentração nas respostas.
Sentiria vontade eu também de ser um 45°... claro que sim, é fascinante o poder até para um anarquista como eu. Desconstruir um fato partindo da base da informação, fazendo do fim para o começo e do verso para o anverso, saber primeiro o nome do assassino, depois a história do filme e só por último o nome do filme e quem trabalhou nele. Tem gente que não gosta de saber o final antes, prefere a ilusão. Falo de um mundo sem sonhos e sem ilusões de homens sem isso. De pessoas que se ocupam de fatos, não especulam, que lidam só com verdades e que erram até por não se usarem de suposições ou verdades vagas.
A matéria que lidam é imaterial. Tratam de um jogo jogado entre iguais. Tudo é abstrato e se transformara em verdade material num futuro, onde só então poderá ser avaliado com certeza, só no futuro está a configuração final de seu estilo de propor um ideia, consolida-la e descobrir se acertou ou errou. E isso considerando que jogar com  iguais é muito mais difícil. Num cenário onde outros dispões de vontades diversas, informações diversas e éticas relativas o punhal paira sobre suas costas o tempo inteiro.
Saber como lidou com a ingratidão, com a mentira, com as más intensões e com os que sendo honestos não sabiam se expressar... como soube tirar de cada um a verdade, ou não soube e perdeu por isso.
Houve um universo em cada mandato, alguns foram presidentes quando o país tinha lá sua desimportância.
Na verdade a relevância de decisões ocorreu no mandato Lincoln por conta da guerra sangrenta interna que quase detonou o país e para todos depois de Roosevelt ( Franklin 1933/1945), quando então o país despontou e se manteve no topo.
Esta postagem terá continuação...


domingo, 27 de janeiro de 2013

GENTE INTERESSANTE

Até os meus vinte e poucos anos  não conheci ninguém muito diferente, interessante.
Pessoas leigas e agradáveis conheci aos montes e trago hoje amizades de 40 anos, muitas.
Mas aquelas pessoas diferentes, exóticas, capazes de assumir um perfil diferenciado foram me aparecendo aos poucos a partir de então.
Eram pessoas que tinham profissões diferentes das convencionais  ou negócios anti convencionais ou moravam de forma bastante alternativa. E tinham histórias interessantes, atitudes diferentes, cardápios diferentes, tinham ido a lugares que eu nem imaginava que pudessem ser visitados, meu horizonte máximo é Aparecida do Norte e Praia Grande.
Mas com tudo se acostuma, e coisas boas a gente assimila rápido e com isso o anti convencional vira rotina.
A tendência é buscar então gente cada vez mais diferente e elas vão brotando você não sabe de onde e descobre que a aventura da vida para algumas pessoas tem limite algum.


DESCOMPLICANDO-SE

Buscando sempre algo que seja o desejo de outros não se chega a lugar nenhum que nos agrade.
Desde muito a cultura geralzona do ocidente idolatra a competição pela competição e o sucesso pelo sucesso.
Nadando contra a corrente alguns hipongos viram, e viram muito cedo, que isso afastava o homem do bem estar. Por conta disso essa geração dos anos 60 e 70 que se libertou da obrigação de vencer ou perder se deu muito bem hoje. Não há o sucesso nem o fracasso, há sim é uma qualidade de vida baseada na verdade individual.
A vida não tem esse ciclo natural, não tem um começo na iniciativa de buscar o sucesso e um fim, um terminar se  ele não vem, e não fecha ciclo algum na hora do fracasso. Nada disso. A coisa sempre continua tenha você vencido ou fracassado.
Livre-se de querer conseguir as coisas que não são básicas e realmente necessárias para você neste momento.
Se a luta é por uma casa própria, ai sim, você tem um motivo seu. Se é para um carro ou um carro melhor que te permita se movimentar com mais segurança e tranquilidade, ai sim também, é um motivo seu.
Agora, ficar ralando prá conseguir aquilo que esta todo mundo querendo só porque é uma novidade ou simbolo de status... abomine, chuta de bico, esqueça.
Ocupe seu tempo e sua energia aproveitando que você já tem, ouça o disco até furar, leia novamente o livro e faça novamente o bolo, até ficar cada vez melhor, aproveite mais o cheio do pão de queijo.
Nada de ficar acreditando que cada tombo é uma lição para recomeçar a luta. Um tombo é tão somente uma dica prá você perceber que estava batalhando a coisa errada. Não entre na dos guros biliardários que dizem que você deve tentar, tentar novamente e tentar até conseguir superar os outros com sua inventividade. Poucos, muito poucos chegam lá e quando chegam não contam que o que eles realmente descobriram foi que consumiram toda uma vida criando algo grande demais, algo do qual eles nunca vão dar conta, algo que será um peso pelo resto da vida.
Quando você se casa e tem ai uns 4 filhos, resolve construir uma casa para caber todo mundo dentro. Certo? Você quando faz o projeto esta acreditando que aquela família vai durar para sempre, coloca os seus sonhos como sendo o sonho dos outros, e projeta uma casa com 5 quartos, uma coisa enorme.
Passa alguns anos ralando prá casa ficar pronta e quando ela fica os filhos mais velhos já estão passado noites fora de casa, um outro vai estudar fora, algum casa e daí você se descobre velho, passado, sozinho e com uma casa enorme prá ter que dar manutenção, dai vende ela pelo preço que te pagam e junto com ela entrega os melhores anos de sua vida e um bocado de sonhos não realizados.
Compra beliche, empilha a filharada, mas enquanto forem seus saia com eles prá tomar muito sorvete e prá fazer nada na rua o tempo todo.
Esqueça o orgulho, a vitória, o sucesso, o triunfo sobre todas as adversidades.
Sente-se com seus melhores amigos e tome uma gostosa cerveja e fale sobre coisas banais, não sobre grandes planos, grandes coisas que deveríamos realizar e que nos vai consumir.
Deixe as grandes batalhas para aqueles que não se importam em perder a vida.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ACHANDO UMA PONTA

Vamos começar por um lado qualquer do assunto, tanto faz.
Vovô e vovó fazem sexo.
É uma pouca vergonha alguém na idade deles fazer sexo mas fazem.
Voltamos a isso depois.
O netinho querido, favorito da vovó, rouba.
Ele disfarça muito bem e engana a vovó mas rouba.
A adolescente esta olhando coisas impróprias para sua idade na internet.
Ela esta postando sobre assuntos adultos que nem domina direito, mas se acha.
Papai esconde um dívida e enrola todo mundo para que não descubram.
Lógico que todo mundo vai querer saber para onde foi o dinheiro.
O vizinho bate na mulher, as vezes apanha, mas já virou rotina.
E ninguém mais liga se um dia eles se matarem.
Depois tocaremos neste assunto.
A prima viciou em livro de auto-ajuda e gasta toda a grana dela com orientações desse gurus.
Mas a tia colocou a casa a venda prá doar o dinheiro para o pastor da igreja.
Esse assunto vai esquentar muito em seguida.
A psicologa disse que o maior erro é deixar as crianças mergulharem no consumo.
A ONG ambientalista endossa a psicologa e diz que as crianças vão destruir o planeta.
E a gente tentando salvar o planeta para elas, que otários somos.
Aquele velho solitário do 7º andar tem hábitos muito estranhos e suspeitos.
Pensamos em ligar para o disc-denúncia, mas deu preguiça.
Porra, o açougue maravilhoso onde sempre comprávamos carne roubava 170g por quilo.
Esquecemos de regar as violetas por 4 semanas.
Passei a mão sem querer na bunda da minha amiga, mas gostei.
Não devolvi o livro mas na maior cara de pau disse que já.
Ela foi dormir sem escovar os dentes porque estava meio altinha.
Voltando, é claro que o vovô transa com a vovó mas na cabeça dos idiotas só gente bonita tem o direito de fazer sexo, isso é uma pequena confusão que a religião coloca na cabeça das pessoas, porque para a religião quanto mais culpa alguém tiver mas vai precisar de perdão e perdão quem dá é deus, mas as vezes o pecado é tão grande que o pastor pede uma tremenda doação, uma casa por exemplo, daí você vende a casa crente de que deus vai te dar em dobro, isso é o método da auto ajuda que te estimula a pular de cabeça e agradecer a deus, pula de cabeça e se fode, mas agradece a deus e pula novamente e se fode mais ainda e fica cada vez mais grato a deus porque ele esta te ensinado a cada vez que você se fode que é de fodendo que você cresce na vida, mas se você desanimar e passara roubar, e for esperto para esconder as pistas e as provas pode roubar a vida toda, só não pode ser pego, assim como o cara que bate todos os dias na mulher e tem um direito adquirido, se ele batesse só de vez em quando dava problema mas  como ele bate todos os dias então todo mundo acha que é normal e que ela gosta então pode continuar batendo, assim como a açougueiro limpinho que cobra 170g por quilo prá incorporar a limpeza ao preço do produto, enquanto não é pego ele vai levando e todo mundo se acostuma com o rendimento da carne comprada e só se um dia mudar de açougue é que vai notar que passou a vida comendo menos carne do que pagava, enquanto isso o vovô come a vovó, as violetas morrem de cede porque a gente comprou com os olhos e não com o coração e fodam-se as violetas em sua sede, o importante é vigiar a adolescente prá ela não dar pela internet, nem falar na internet que é e sabe quem não é e não sabe e com isso se encrencar com algum marmanjo perigoso feito o primo que rouba mas engana a vovó, mas a vovó não tá nem ai porque o vovô faz tudo que ela gosta e ela gosta muito, enquanto isso o livro de auto-ajuda da prima ganha poeira ao lado da violeta, e você jura que devolveu e que regou, mas foda-se o importante é não descobrirem e não vão porque tá todo mundo ligado nas atitudes suspeitas do velho solitário que enquanto isso serve oportunamente de cortina para as besteiras que o papai faz com o dinheiro, fica fácil assim, mas em compensação ele não faz ondinha, não reclama de quem toma umas a mais e dorme sem escovar os dentes, antes não podia agora pode, mas isso não é de todo ruim porque economiza água e ajuda a salvar o planeta para essas pestinhas de merda que consomem tudo que veem pela frente, cada puta saco de pipoca, e mais discos de guitar-hero e mais rodinha de skate e consome e fode o planeta e a psicologa diz que é errado mas enquanto todo mundo erra e sente culpa ela como se fosse uma igreja também garante o emprego e vai dando um conselhinho aqui e outro ali e a ONG adora ver a coisa ficar feia prá anunciar o fim do mundo prá depois de amanhã e levantar com isso mais grana que o pastor salvador que quer grana prá perdoar e salvar e se aliar aos autores de auto-ajuda que ensinam a gente a se foder e também eu duvido que eles se preocupem em regar as violetas, enquanto isso só me resta passa a mão na bunda da amiga mais uma vez.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O FUTURO, ONDE JAMAIS ESTAREMOS.

Pensem nas pessoas que filmaram, escreveram sobre, musicaram, pintaram,  poetizaram, encenaram e fotografaram sobre o tempo em que viveram.
Alguns fizeram brilhantemente a transposição de suas impressões para os meios de preservação  que dispunham. Com isso obras maravilhosas passaram a existir.
Essas pessoas se distinguiram ao longo da história como mais sensíveis e estimulados a converter essa sensibilidade em algo permanente.
Mas muitas já morreram, se foram ao longo de seu curso natural de vida ou de alguma forma abreviaram a coisa por dar excesso de uso à vida.
Se fossem permanentes como se tornaram suas obras, sem duvida entrariam em conflito e destruiriam muitas das coisas que produziram, elas mesmas vendo como imperfeitas suas noções das coisas e acabariam mais cedo ou mais tarde aderindo ao senso comum.
O futuro é um lugar onde nunca estaremos.
Presos ao presente, cientes do passado, mas não certos de terem percebido as coisas como elas realmente aconteceram.
O futuro foi uma aposta, os que se foram não sabem se acertaram, e não podem mais mudar a aposta.

HEMINGWAY

As Ilhas da corrente foi o primeiro romance dele que me caiu nas mãos.
Achado por acaso numa caixa de ferro, biblioteca ambulante do SESI, lá estava o livro com o nome sonoro de um autor totalmente desconhecido.
Escolhi porque achei que Ernest Hemingway era um nome e tanto para um escritor e merecia ser lido. Me faltava critério, me faltava conhecimento e cultura para escolher de outra maneira.
O romance é maravilhoso, acontece no Caribe e é envolvente.  Autobiográfico e com todos os cheiros e sabores do mar, das bebidas, das pescarias e de cuba.

Daí as coisas me foram sendo entregues rapidamente. Os nomes não menos atraentes de outras obras dele ( recebeu o Nobel de literatura em 1954 ),  me faziam desejar ler tudo de uma só vez. Por quem os sinos dobram; Paris é uma festa; O velho e o mar ( premio Pulitzer  de 1953);
O sol também se levanta; Adeus as  armas; O jardim do Eden; As neves do Kilimanjaro e muitos outros foram se tornando acessíveis e eu os fui lendo e relendo.
Sempre muita ação, violência, mortes brutais, perdas irreparáveis e bebidas, sabores, amores, paixões... tudo que de fato aconteceu de verdade na vida dele.
Não há nada igual na literatura por conta da mistureba que ele faz da ficção com a realidade da vida vivida por ele.
Uma figura muito forte e assustadora as vezes, um cara que gostava de confusão e de estar no meio da confusão. Como era jornalista, estava sempre no meio de alguns importantes acontecimentos como a Guerra Civil Espanhola ( 1937 ) de onde saiu Por quem os sinos dobram... mas foi meio que voluntário para a sangrenta e cara a cara primeira guerra mundial, onde na Itália foi ser motorista de ambulância já que não o aceitaram armado  no front.
É tudo muito denso e sensual na obra dele, passagens arrepiantes como o corredor polonês em  Por quem os sinos dobram, tornam-se inesquecíveis leia você quantos livros ler depois dele.
Por mais de vinte anos viveu em Cuba e arredores, pescando, escrevendo e bebendo.
Difícil imaginar um homem tão grandalhão, cheio de certezas e vivências, pescador, beberão sentado disciplinadamente diante de uma máquina de escrever compondo uma obra tão bem medida e elaborada, são coisas que não casam, não imagino onde ele regulava adrenalina para baixa-la e poder se acalmar para então sentar-se, escrever e faze-la escorrer para as palavras.
Filho de um suicida, suicidou-se em 1961, dia 2 do mês de Julho, de forma brutal, com um tiro de um  fuzil, algo desproporcional para se terminar uma vida tão única. Corajoso na atitude mas convenhamos, matou covardemente seu melhor personagem.


UNIDOS, MEIO UNIDOS, DESUNIDOS JUNTOS

Um mergulho em pé, em águas escuras.
1 - Eles ficaram juntos até a morte. Ela infernizando a todos com a eterna história de que ele tinha outra família, de que tinha uma moça que um dia veio na casa dela prá fazer sondagens mas que na realidade era filha dele. Ele dava de ombros, resmungava mas no final mesmo nem ligava, ia para o quintal, sentava numa cadeira velha e passava o dia vendo aquele monte de tranqueiras acumuladas por anos no meio das árvores, de um galinheiro desabitado e de um horta sem culturas. Morreu primeiro ele e não apareceu ninguém nem prá chorar nem prá reclamar nenhum direito, morreu ela reclamando, e reclamando e importunando a todos com a mesma história, nem a memória dele ela preservou de acusações. O que os uniu até a morte foi o desejo de ficar próximo para infernizar um ao outro e a covardia em tomar uma atitude de separação.
2 - Eles construíram casas a vida toda e viajaram muito. Nem notaram que tiveram seis filhos, três casais.
Cada vez que uma casa estava pronta e ajeitada eles fazia um grande viagem e quando voltavam a casa já não era mais a ideal, o lugar não era mais o mais conveniente. E foram construindo e mudando assim que dava e acabavam a casa morando nela, eram tão variadas as casas e a localizações que ficou impossível estabelecer qual era o critério que usavam. Os filhos foram casando e indo para longe, uma eles perderam.
E ainda estão vivos e a qualquer momento devem ou viajar ou iniciar uma nova casa. O que os uni é a eterna     necessidade de fazer planos em comum. Não que concordem com tudo, mas sempre chegam juntos a algum lugar.
3 - Eles viajaram muito, arriscaram muito, subiram e desceram na vida muitas vezes. Criaram filhos mimados. Desenvolveram um tipo de cumplicidade meio criminosa e não tinham muitos escrúpulos em dar uma forçada nas coisas em favor do casal. Abriram o casamento de forma escandalosa e passaram a dividir a cama com outros casais ou outros parceiros e isso de uma forma muito aberta. Envelheceram juntos e a cada rodada da vida eles ficam mais unidos. É um caso raro de casal que nunca cogitou publicamente de se separar, nenhuma crise visível, sempre extremamente unidos e solidários. O que os uni é a cumplicidade no crime e na marginalidade social. Adoram tirar vantagens, cometer pequenas desonestidades e se sentirem vítimas, mas até na suruba são extremamente fiéis um ao outro.
4 - Eles seguiram as formulas mais comuns de união. Desejo de sair de casa, ter uma casa, ter filhos, ter casais amigos, ter rotinas, empregos e tédio. Muito tédio numa vida sem colorido algum. Até o dia em que a beira de uma crise ela reencontrou um antigo namorado e pimba sua vida coloriu e a pressão doméstica subitamente baixou. Ele aproveitou a oportunidade e o tempo disponível e arranjou prazeres em outras camas. Um pacto inexistente os faz levar uma vida normal e feliz. O que os uni é a vida secreta que construíram  a segurança de ter um lugar para voltar, e um cegueira - consentida - que é muito oportuna.
5 - Eles nem sabem porque se casaram, mal lembram a data e a quanto tempo estão juntos. Cada qual tem seu trabalho e mergulham nele. Muitas viagens a trabalho, promoções, vida corrida e sucessos não compartilhados, só na parte material compartilham, o orgulho pessoal compartilham com os colegas de trabalho e com os rivais. Não lembraram de ter filhos ainda, talvez entre os 45 e os 50 anos role alguma "coisa". Não tem planos em comum, as vezes compram um apartamento ou uma casa na melhor praia do litoral norte. O que os uni é uma coisa que nem o mais profundo estudioso do assunto se arrisca a dizer. Nada em comum a não ser o endereço para onde são enviadas as correspondências.
6 - Eles competem em tudo. Discordam de tudo, infernizam um ao outro. Cada milimetro doméstico e disputado com lutas brutais, cada segundo é exigido e se não correspondido viram motivos de ruidosas DRs. Uma vida sem conexão alguma pelo lado da cordialidade, só se conectam para disputar, até no número de posições sexuais mais favoráveis a um do que ao outro durante a transa, no número de orgasmos e no número de M&M que cada um comeu do pacotinho. Nem pensam em se separar, não se sentem seguros para viver outra vida que não seja a de disputar e medir o outro o tempo todo. O que os uni é o amor. As vezes o ódio, na maior parte do tempo o cinismo e o sadismo.
7 - Eles bebem todas juntos, fumam os caretas e os não caretas juntos, viajam em festas depressivas juntos e transam feito coelhos. Sempre com cara de sono e um sorriso babaca no rosto não se imaginam separados. Pouco ambiciosos acreditam já ter chegado ao topo do melhor da vida. Planos de passar o carnaval com uns amigos numa praia deserta onde só vão  malucos, nunca projetam a vida para além de umas 3 semanas. Ainda morando na casa dos sogros, não se importam com a forma como exploram a boa vontade dos velhos. Todos estão acompanhados e felizes. De vezes em quando alguém trabalha e ganha algum, daí dão um alivio na aposentadoria dos velhos. Eternas crianças, nunca brigam, se amassam o tempo inteiro pelos cantos, são a felicidade conjugal emoldurada. O que os uni é a cara de pau e a vontade de não crescer e não fazer ondinha.
Poderia lembrar aqui de mais uma centena de casais unidos e felizes e de como fazem para dar manutenção a união. Descreveria milhares de maneiras de dar jeito às coisas e de como fazer para não derrapar feio no casamento, criando suas próprias normalidades. A vida tem parâmetros mas não tem fórmulas. Dá prá fazer a mesma coisa que outros fazem e obter os mesmo resultados fazendo tudo diferente.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A OUTRA PESSOA

Eu gosto de beber sozinho.
Até porque gosto de bebidas que ninguém gosta.
Gin e Campari.
Na maioria da vezes bebo acompanhado enquanto converso, sobre tudo, com os amigos de sempre, amigos muito fiéis. Gosto, mas na escala do quanto o número é menor, tanto menor quanto menos apreciável for o assunto.
Beber sozinho é pensar sem preocupar-se com contradições.
Argumentar enquanto bebe estraga o gosto da bebida.
Um coisa é pensar, outra e conversar e uma muito diferente é namorar uma bebida gostosa.
Mas tenho consideração pelos outros e abro mão da solidão, meu verdadeiro estado de espírito.
Por que consideramos tanto os outros? Não bastava respeitar, tem que sentir culpa?
Alguns consideram por medo de perder, outros por gostar da companhia, outros por possuir uma elevada dose de humanidade e amor ao próximo, alguns por curiosidade, por querer desvendar a alma alheia.
Deve haver muitas outras razões.
Mas verdade é que pessoas vão se tornando importantes para a gente, e quem é não se dá conta do quanto é. Mas ai, me parece, esta a graça da coisa, tipo aquele jogo em que se escreve o nome de um personagem e se cola o papel na testa da pessoa, e esta tem que adivinhar quem ela é. E é bem assim, cada um deveria tentar adivinhar quem ela é para as outras pessoas.
Eu descobri tardiamente muitas vezes que era muito mais importante para algumas pessoas do que julgava ser. Ocorreu muitas vezes porque eu sempre fui muito reservado e com isso não completava as trocas afetivas de modo completo ou correto.
Mas deixei impressões mais fortes em algumas pessoas do que julgava ter deixado.
E assim também de forma inversa algumas pessoas que foram muito importantes para mim não perceberam meus olhos brilhando diante delas.
Eu covardemente diante da vida, ou do lado afetivo da vida prefiro beber só a ter que ficar sondando  as profundidades da alma humana.