PENSANDO

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domingo, 29 de setembro de 2013

O MILAGRE E O DESPERDÍCIO

Quando você pensa na probabilidade da existência de uma vida, quando você pensa no tamanho infinito do universo, quando você pensa que mesmo você é a escolha ou sorte entre milhões de espermatozoides e outras centenas de óvulos e logo você e não outro teve o privilégio de vir a existir não há como não usar a palavra milagre. Estar vivo é uma probabilidade entre zilhões e zilhões de chances e você obteve o prêmio, você  conseguiu a vida e esta ai lendo este texto.
Eu me apaixono diariamente pela ideia de estar vivo, pelo que fiz para merecer estar aqui, inteiro, quase sem cicatrizes, 1,86 metros de altura num corpo de 77 quilos, com todos os cabelos no lugar, enxergando, ouvindo, caminhando e sem nunca ter ficado doente ou tido uma cirurgia ou sido internado num hospital... no máximo fiquei 2 ou 3 dias de cama por conta de uma gripe forte somada a alguma preguiça, uma ou duas vezes na vida, e já são 55 anos e meio.
É tão fora da realidade existir, e é tão normal existir que a humanidade não se coloca a pensar, na existencializa o fato. Mas acreditem: é coisa fodástica, há que se parar e avaliar a questão à luz de muita cerveja ou vinho ao lado de bons amigos, dispostos a divagar e delirar - além de rir muito - com o assunto, talvez fosse até o caso de fazer um Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima.
Por outro lado... ( pronto, lá vem merda )...
São, neste momento, 7 bilhões de pessoas fazendo porra nenhuma na vida.
A saber: o milagre, o mistério da vida, converte-se em nada em nossas 14 bilhões de mãos ( exceto os manetas, é claro ).
Olho ao meu derredor e vejo o ócio, o desocupismo, o fazer para terminar e não para se orgulhar do feito.
Vejo mais... vejo a vida sem arte e sem harmonia... uma vida sem poesia e sem percepção.
Vejo vidas de crenças em palavras proferidas por pilantras e estelionatários da alma, seguidas cegamente e sem contestação...  ... como é besta a vida, como é desperdiçada a vida que tão cara e milagrosa nos é dada... papai do céu deve estar chorando... ele queria que as pessoas fossem mais profícuas... mais úteis, que plantassem mais jardins, coçassem mais as costas dos gatos, fizessem mais sexo tântrico e fossem infinitamente mais gentis. E para fuder mais ainda tudo isso, estamos vivendo cada dia mais tempo, a vida se alonga, os inúteis se tornam longevos.
Outro dia no metro, da linha amarela, eu vi numa das tvs que ficam mostrando notícias dentro dos vagões, uma frase de Leonardo da Vinci cujas palavras eu não consegui memorizar, mas o sentido introjetei completamente a saber: Uma vida se torna longa e útil quando cada momento dela é completamente aproveitado não importa a extensão que ela tenha, ou seja: você porre morrer cedo, mas se não ficar ai coçando o saco e fazendo calo na pestana de tanto dormir sua vida terá sido tão boa quando a de um cara de 116 anos que não fez porra nenhuma na vida...
Não sei se a frase é do da Vinci de verdade, pois acabei de ficar 3 horas na fila do Centro Cultural do Banco do Brasil para ver telas de obras primas renascentistas que não eram nem obras primas nem muito menos a tela atribuída a da Vinci era dele e isso eu afirmo, provo e comprovo. Por isso, se a tv do metro disse que era do da Vinci tanto pode ser do Nelson Ned como do Barack Obama que tanto faz, o que importa é que esta certa, e mostra que na balança, no juízo final você será chamado a responder que catso fez com o milagre que te colocaram de graça nas mãos e podes crer, vai ser o momento mais ridículo de sua vida.

Notas do autor:
1 - Se, e somente se, Eva e Adão soubessem que você ia ser tão vagabundo e dissimulado certamente não teriam cometido o Pecado Mortal.
2 - Ainda há tempo, mude.
3 - Maçãs chilenas são muito mais saborosas que as argentinas.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

PORQUE AQUELE QUE DEIXA O AMARGOR TOMAR CONTA DE SUA ALMA...

...amargo será por todo uma vida, sendo que: é importante, sempre, lembrar, que só se vive uma única e relampoga vez.
Primeiro foco: Não me livro disso, sempre vejo as coisas pelo lado mais amargo, difícil e negativo... é uma merda, mas fui deixando-me ser assim e agora acho que não tem mais volta.
Segundo foco: Os agentes da CET - Companhia de Engenharia de Transito de São Paulo - os marronzinhos, por conta de seus uniformes marrons andam em dupla na rua onde estou trabalhando ultimamente... não olha de lado, não falam com ninguém, não acredito que eles acreditem que exista mais alguém no mundo além deles. Missão: multar quem não esta pagando para estacionar na zona azul, missão fuder. Os uniformes são horríveis, além de eu e o rei Roberto Carlos odiarmos roupas marrons, os uniformes deles estão em farrapos, esgarçados, uma coisa de dar dó... mas é possível ter dó de quem multa ao invés de organizar o transito... mas tem que multar senão cada uma faz o que bem entende... mas... os bonés estão em formado de coisa alguma, amassados, deformados, torcidos, trucidados, desengonçados, carcomidos, fudidos e não sei mais que idos poderia adjetivar. A CET multa, arrecada mas não fica com a grana, ela esta falida, os funcionários são amargos de alma, odiados, desprezados e mal vistos por todos em sua presença inútil por toda a cidade onde nada podem, nada sabem e nada fazem pelo transito, apenas existem de forma zumbílica em algum ponto onde consigam ficar o mais distante possível dos problemas... já é um ganho... para eles. As viaturas estão podres, dignas de serem guinchadas, e seus guinchos também deveriam se auto recolher para os pátios de apreensão. Acho que é, tudo isso, fruto de uma tremenda praga de puta por terem ferrado tanta gente, tanto a gente nesses anos todos... tá certo que é o dever deles, mas eu por exemplo arranjei um emprego mais digno para sustentar a  minha família.
Terceiro foco: Pois não é que na mesma rua no Jardim Europa em São Paulo, passa uma dupla de garis, varredoras de rua e com uns uniformes dignos de desfilar em passarela... sempre impecavelmente limpos, com peças para calor, frio, chuva, serem vistos de noite e de dia, belos bonés, lindas luvas e muita prosa, sorriso e uma gargalhada, que maravilhosa gargalhada tem a varredora de rua... ela ri alto e forte por qualquer coisa, fala com todo mundo, sente orgulho do trabalho que faz... são mulheres, são vaidosas, são dignas, são doces, devem morar mal, ter muitos filhos, pegar ônibus, metro e trem e depois subir morro mas a vida delas é bela, a vida delas vale a pena...
Eu sou externamente um gari, falo com todo mundo, dou risada, sou feliz... já internamente acho que sou um marronzinho da CET...

PERMITA-ME UMA OPINIÃO?

Uma opinião.
Ela deve ser fundamentada.
Fundamentada em coisas vividas, coisas lidas, coisas ouvidas, coisas sabidas.
Depois deve ser refletida.
Refletir sobre algo é pensar de uma forma sistemática seu conteúdo... chegar a uma conclusão, uma opinião.
Essa opinião corresponde a um valor, ao valor que temos, ao valor que damos, ao valor que defendemos... se tanto.
Por fim... uma opinião deve ser guardada para a ocasião certa... em geral ela nunca vem.
Se vier, deve ser dada apenas para as pessoas certas... uma opinião dada em um circulo errado é uma
blasfêmia, um convite a uma discussão.
Uma boa opinião, com base, bem refletida e com uma boa conclusão é um tesouro que deve ser guardado só para você.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

ETERNAMENTE DE CALÇAS RASGADAS.

Enquanto costurava minha calça de trabalho surrada, ocorreu-me dar mais densidade a alguns textos e encontrei em "Mauriac" algo com o qual concordo: " A fé em Deus perdeu-se para muitos, mas não os valores que essa fé postula".
Morando parte do tempo no Jardim Europa em São Paulo, e observado por detrás das janelas e muros o movimento desordenado das vidas classe média e ricas de São Paulo, vejo que os crentes em Deus não estão felizes com o que Ele lhes deu. Depois de tanto "trabalhar", "lutar" e "conquistar" esta meio claro que o conquistado é um transtorno. A vida dos crentes conquistadores carece de valores que ultrapassem a etapa em que chegaram. Aplicaram muito esforço na conquista material e não caminharam nas demais conquistas. Com isso a participação e o convívio social se tornaram um peso que não sabem como carregar, a individualidade e a personalidade ao agir foram  esquecidas e optaram por uma formula copiada da maioria e já bastante sem graça e históricamente vazia, recauchutada e esvaziada novamente ao longo dos ciclos. Os valores e defesas desses estão nitidamente confundidos com a defesa de marcas, preços, localizações, potencia, estilos e coisas ligadas a aparência dos bens. Resumindo: Temos uma sociedade vazia a espera de algo que virá pelas mãos de terceiros. Pode ser um arrastão, uma peste, uma trapassa... qualquer coisa que os tire desse eterno congestionamento onde se encontram, onde nem sabem entender por que eles não estão andando e que é inútil tentar abrir caminho na base da buzina para no máximo conseguir mudar de lugar e ficar parado um pouquinho mais adiante.
Continuam acreditando em Deus, mas não sabem ainda o que significa valores. Deixam nas mãos de terceiros os destinos de suas preciosas vidas.
Notas do autor:
1. É sempre bom remendar uma calça de trabalho, você assim economiza dinheiro comprando calças novas, pode ralar a vontade sem medo de estragar, pensa enquanto costura e tem o prazer de saber que não é um ser totalmente inútil.
2. São Paulo não pode mais abrigar a finalidade a que se destina, ela exauriu-se nos erros, omissões e falta de sonhos de seus habitantes, seria bastante apropriada uma catástrofe que a riscasse do mapa e abrisse espaço para uma nova tentativa.
3. Buzina não dissolve transito congestionado e ainda expõe a face mais ridícula de quem já é bastante ridículo.
4. Aqui não é o único lugar do mundo onde se possa viver e nem é preciso viver da maneira como desesperadamente insistem em continuar tentando.
5. Para remendar uma calça use um retalho de tecido mais grosso que o original da calça, num tamanho duas vezes maior que o tamanho do rasgo e coloque um jornal dobrado entre as partes internas da perna da calça para não costura uma na outra e se sentir um banana ridículo e imbecil que não sabe fazer  a mais primária das coisas.

domingo, 1 de setembro de 2013

1. No princípio criou Deus o céu e a terra. 2. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Gênesis 1:1-2

3. Então em seguida Deus criou a corda de violão, e olhando sua criação Ele percebeu que de nada ela adiantaria se não fosse criado o instrumento e o instrumentista. 4. Mas parou e meditou mais ainda e percebeu que também precisaria criar o compositor e o órgão de arrecadação de direitos autorais. 5. Então Deus resolveu criar a tira de sandália Havaiana e viu que isso era bom pois quando a sandália fosse criada  e viesse a arrebentar a tira, já havia um tira de reserva. 6. Mas Deus não sabia se a tira era do pé direito ou esquerdo porque ainda não havia criado nem a dislexia nem a direita e nem a esquerda, então Deus viu que havia muito por fazer, que criar um mundo requereria muitas outras iniciativas e interfaces complicadíssimas. 7. Então Deus criou a vontade de ajudar e ser útil, mas olhando aquele dom percebeu que não havia novamente o instrumento que canalizaria aquele sentimento e o poria em prática. 8. Definitivamente criar o mundo não era tarefa fácil e Deus então resolveu criar o modo de empurrar com a barriga e deixar para amanhã a solução daquilo que não estava sendo cobrado. 9. Deus então deu um tempo, mas não sabia como resolver naquele momento o lapso de tempo disponível até o amanhecer do dia seguinte, não havia ainda criado a cama, o travesseiro de astronauta nem a King Colchões. Resolveu então criar o rádio relógio mas não havia música para dormir porque nenhuma estação de rádio existia ainda. 10. Então Deus criou a bomba de encher pneu de bicicleta, a letra H maiúscula, o poster do Taylor Lautner, a cuíca e a caridade, e viu que isso era bom, e disse: - Tá feia a coisa, acho que preciso bolar um método para por alguma ordem no processo de criação. 11. Então Deus criou a equipe e o relógio de ponto, o vale transporte, o ticket refeição, o atestado médico, o atestado médico gelado e a necessidade de acompanhar a esposa ao médico e o resolver um negócio no banco. 12. Então Deus achou que já era hora de criar a advertência verbal, a cara feia e o terrorismo interno e a lista de corte. 13. Fato é que as coisas não andavam bem, ele era ciente disso, não se encaixavam as coisas, não havia continuidade nem lógica e ele não sabia para quem criar o taxi, a espingarda de chumbinho, a estrela mais próxima do Sol, a chuva de meteoros, o astrolábio, os anjinhos de biscuit e o durepox de secagem em 10 minutos. 14. Então priorizou e criou o sifão flexível, a conexão de engate rápido, a dor de barriga, a dizima periódica, o abacate e o canto do Uirapuru. 15. Mas então lhe ocorreu de criar o ser humano para habitar algo que ainda não havia sido completamente criado. 16. E Deus criou então a bicha  louca, a vizinha fofoqueira, a chave de cadeia, o motorista estressado, o velho carrancudo, a remela, o boleto bancário, a chave Philips, o cambista, a bola de natal inquebrável, o programa Silvio Santos e a sardinha em lata e viu que isso era bom. 17. Mas o ser humano como o conhecemos hoje ainda não era uma ideia muito clara na Cabeça de Deus. 18. Então Ele criou a Viviane Westood, o amolador de facas com seu assoviuzinho, o carinho materno e a canção de ninar, o calote a Maria encrenca e o homem. 19. Olhou o homem, ali parado, apático, sem sonhos e criou o aumente seu pênis em 15 dias e a casa de tolerância. 20. Deus estava cansado, não havia criado ainda nem a cama nem o criado mudo, precisava descansar, precisava ir ao banheiro, quem sabe tomar um banho. 21. Criou então Deus as estrelas, a música de elevador, a Loteria Esportiva, o sonho, a guerra, o último a chegar e o último a saber... criou o eterno infeliz, a contradição, o OB, o estratagema, a inspiração, o sofrer por amor, o esperar acordado, a última batida do relógio, o IPVA, afastou a próxima Centauro, criou o gol aos 46 minutos do segundo tempo, o capelete, o doce de leite argentino, a ancora de navio, a esperança, a embalagem econômica, a passagem só de ida, a alça de caixão e a saudades. 22. Achando que já havia criado demais e não vendo sentido algum para todas as coisas Deus achou de criar a justificativa furada, o cinismo e a Sessão da tarde, teria sido legal  também por essa mesma época se Ele tivesse criado o pão de queijo e o toddynho, mas ele não pensou nisso e parou mesmo no miojo sabor yakissoba.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

TODO MUNDO TEM VONTADE DE UM DIA...

...matar alguém.
Falávamos sobre o transito, sobre política e sobre a atuação da justiça.
Que por mais que a pessoa tente ser controlada e disposta a ser colaborativa no transito, que por mais que ela pense antes de tirar o carro da garagem, que por mais normal que ela seja... um dia, do nada no transito de São Paulo ela perde a cabeça e parte para algum tipo de agressão. Pronto, esta desencadeado o processo que só não resulta em morte porque não há uma arma de fácil manejo ao alcance das mãos. Se fosse no velho oeste já tinha um homem da funerária tirando as medidas para o caixão.
Na política é só ver que mesmo os políticos tendo grupos acampados na porta de suas casas, eles não se tocam e continuam com a mesma cara de pau fazendo as besteiras de sempre. No Rio o terreno alagado onde seria realizada a missa pelo papa, além de se transformar numa prova de falta de competência geral, numa prova de falta de percepção do momento e portanto numa  vergonha mundial, além disso o terreno foi terraplanado de graça para um herdeiro do sogro do governador... tudo em família, só matando, só matando essa raça.
Na justiça os criminosos pegos em flagrante sempre são libertados, na maioria das vezes com fianças irrisórias... a justiça, o juiz, o seu Zé julgador parece não ouvir o clamor das vitimas, não se apercebe que a revolta popular é superior às letras da lei, que a lei se deve julgar com o calor das ruas, com a percepção da indignação popular e não com a lucidez e frieza de um gabinete. No geral ao calor da indignação a resposta é sempre de que só se deve ficar perplexo e nada mais.
Acho que assim daqui a pouco todo mundo, deste lado de cada do mundo, vai ter um eleito para matar.

sábado, 20 de julho de 2013

UM ESTRANHO NUM LUGAR ESTRANHO.



Andei muito pelas ruas de São Paulo nos anos 70, a cidade era carente e careta. Carente de tudo, mas nós não sabíamos disso, não tínhamos a noção do quanto nos faltava, e faltava muito.
Me ausentei nos anos 90 e voltei a ela somente aos poucos quando já havia mudado de forma bastante radical.
Nos anos 80 rola uma pequena fase de mudança, os primeiros anos do novo milênio já traziam a força das mudanças e  nesta década São Paulo mudou muito, mas não foi para pior e nem muito menos para melhor.
Ficou numa fresta entre as duas coisas, de modos, que pessoas de alma tenra e sensível como a minha podem com muita facilidade notar duas coisas, existem agora simultâneas cidades de São Paulo no mesmo espaço físico, antes havia uma só... e São Paulo não quer mais pessoas como eu andando por suas ruas e frequentando os seus lugares... na verdade São Paulo não tem vontade própria e nem quer ou deixa de querer nada, mas é que entre as várias cidades que coexistem simultaneamente ( será que redundei ?) há uma pressão que na escola chamávamos de linguiça, ou seja: no recreio sentávamos num banco qualquer da escola e sempre tinha mais bunda do que banco querendo frequentar o repousório, então a solução era empurrar para um dos lados de modos a fazer com que alguém em uma das pontas caísse no chão para sobrar mais espaço, não que com isso sobrasse mais lugar no banco, porque quando a coisa ficava animada começava a atrair mais gente para disputar o espaço, era uma aporrinhação... e por que linguiça? Suponho que por ser algo parecido com a máquina de fazer linguiça e seu método de empurrar a carne para dentro da tripa, se você não entendeu, não se preocupe, eu entendi e basta.
Mas São Paulo empurra para fora o tempo todo e tenta ocupar o lugar com algo cada vez mais plástico, sem alma e padronizado com o resto do mundo. Aos poucos aquelas coisas legais que a cidade tinha vão indo pelo ralo, dois exemplos: a casa onde morou Oswald de Andrade na Rua Augusta e depois virou um charmoso e aconchegante restaurante foi para as picas e por detrás dos tapumes deve surgir mais um prédio padronizado no mau gosto arquitetônico de São Paulo, é, e o inexistente padrão paulista, sua falta de personalidade estética se propaga rapidamente, a cada dia a cidade se transforma em algo mais e mais monstrengamente horrível e sem personalidade ( mas para que afinal eu quero que fique eternamente em pé a casa onde morou, por uns tempos, uma autor que eu não tenho saco para ler? )... o outro exemplo é o primeiro shopping da cidade, o Iguatemi, estive lá na quinta feira ( deixa eu registrar a data aqui 18 de Julho de 2013 por volta de 18:30 horas ), e ele que era uma lugar bem bacana nos anos 70, embora longe para cacete do centro e de tudo, ficava na beirada da cidade na época, hoje é a coisa mais monótono e sem vida que se possa imaginar... lojas carésimas, produtos para bilhardários, um super mercado com produtos cotados a peso de ouro, lojas com nomes, ou pseudonomes, pretensiosos de seus próprios donos tentando se perpetuar como icones da vanguarda criativa de algum raio de produto supérfluo de consumo e uma frequência de um tipo de povo ( ô raça! ) que não invejo, parece uma exercito de Robertos Justus ou de Joões Dórias... o povo parece feito de plástico.
Foi-se o encanto, a novidade... todos olham surpresos para as coisas surpreendentes mas fingem não mais se surpreenderem com nada, como se fossem vindos do futuro para uma capital jeca que tenta se igualar ao que há de mais avançado no mundo, mas que é na verdade cenário, tapume e maquiagem para esconder o que realmente é: uma cidade inculta, sem alma, estilo e linguagem onde tudo falha o tempo todo e onde não se encontra solução para nada... e ainda somos invejados - veja que tem uma ninguenzada pior que a gente.
Porra por mais que eu deteste, tenho que me render à letra da música Sampa de Caetano Veloso, me doí publicar isso, mas este encrenqueiro de plantão viu antes da gente, talvez apenas porque tenha vindo de fora... É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
          Da dura poesia concreta de tuas esquinas
          Da deselegância discreta de tuas meninas...
assim como hoje muitos que aqui nasceram se sentem... parece que estamos morando num albergue de indigentes, parece que somos de fora, parece que não pertencemos mais a este lugar, mas é só impressão.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O CHINÊS DOS PRATOS

Tinha muito no circo no tempo em que eu era a criança mais linda do mundo.
Era angustiante.
O chinês colocava uma monte de pratos a girar nas pontas das varas e eles iam perdendo a força e o chinês tinha que correr e agitar a vareta para não caírem... e quando você achava que ele ia se dar mal, ele colocava mais uns 3 ou 4 pratos adicionais e corria feito doido de ponta a ponta do cavalete dando mais força em cada vareta... nunca mais vi esse tipo de pataquada, mas também nunca mais vi circo na tv... tinha no circo do Arrelia, todos os Domingos...
Eu acho que hoje nossa deita em berço esplendido eterna pátria do futuro divide-se em pratos, e o chinês não preciso dizer quem é... vai ter que correr para todos os lados para conseguir girar os pratos... não conseguirá.
Uma vez eu vi o chinês derrubar uns pratos e eles quebraram... poxa,  aquilo estragou o meu domingo, eu fiquei muito triste mesmo, eu achei que algo de muito grave aconteceu... dei uma dimensão exagerada para o fato... mas o fracasso dele me deixou mal... alguns anos depois eu descobriria que esse sentimento recebe o nome de constrangimento alheio... eu já havia quebrado um prato na vida, e não fiquei tão mal quanto quando o chinês se estrumbicou. Suporto mais os meus fracassos que os fracassos alheios.
Muitos pratos vão se quebrar na nossa generosa pátria, não tem como girar tanta vareta assim, até porque, quem já viu o número de circo, sabe que quando o prato perde a força ele cambaleia de uma lado para o outro de um modo assustador... estamos com um número muito grande de pratos cambaleantes, muitos mais que a capacidade que temos de girar as varetas... a coisa correu solta demais por muito tempo... parecia que a gente ia chegar lá, chegou a parecer que tínhamos chegado lá no futuro, mas o que vem por ai é um revez do cacete.
Voltamos a ser o país do futuro...
Não chore, não pense em você, pense em seus bisnetos... tataranetos, é o mais apropriado no momento.