PENSANDO

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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

AINDA SEREMOS COLHIDOS PELA INEVITÁVEL PASSAGEM DO TEMPO.


Gostei de ter visto uma imagem em que um motoqueiro de mais de sessenta anos, cabelos e barbas brancos e longos recostado num a moto é ilustração para uma afirmação tipo: Iniciando uma nova juventude ao invés de entrar na terceira idade.
Ao mesmo tempo em que leio 3 livros que esbarram nisso... um ( já terminei quando fiz esta postagem ) é "O afeto que se encerra" do jornalista falecido Paulo Francis, outro é "As avós" da escritora prêmio Nobel de literatura de 2007  Doris Lessing e o outro é "Como enfrentar a velhice" de José Ângelo Gaiarsa, e que olham a velhice como uma coisa que não pode ser compreendida por quem ainda não a viveu. 
Paulo Francis esboça um auto biografia onde mostra o quanto a falta de recebimento de amor na infância o fez dele um "maduro" ( morreu com 67 anos ) que acredita-se isento de afetividade na retomada da juventude, ele entendia bem desse negócio de usar a experiência adquirida na juventude para usar e abusar da segunda juventude oferecida depois dos 50 ou 60 anos de idade. Ele por não ter ligações afetivas importantes vivia de uma forma plena a sua própria vida sem se ocupar dos outros ou dos problemas dos outros ( em sua vida pessoal, que fique bem entendido )... já Gaiarsa trata de um aspecto aterrador, fala sobre a vingança emocional dos mais jovens contra os mais velhos... quem um dia suprimiu, humilhou, foi duro demais ou deu pouco afeto que se prepare, pois concordo com ele, que é certo que terá uma terceira idade solitária ou pior, vai levar lambadas e mais lambadas de volta... melhor cortar os laços, não ser dependente e nem supridor material ou emocional de ninguém... por fim Lessing noveleia divertidamente sobre a cumplicidade de duas amigas que fazem bom uso da maturidade ( mas este eu não terminei de ler ainda... ) e encaixa mais uma abordagem nas outras que tenho, por mero acaso, lido. 
Sem dúvida, escolho não entrar na terceira idade... mesmo que para isso tenha que passar por imaturo, ridículo e distante.

POSSO PENSAR ENQUANTO ESPERO?

Bem, então pensei.
Não tenho insônia, mas ocorreu uma.
Minha regra é tentar não pensar em nada, ficar na cama, na posição mais confortável e procurar dormir novamente o mais rápido possível... mas embora sentindo sono, não dormi... acordei 4:09 h e tornei a dormir depois das 6 h da manhã... mas podia dicar na cama o quanto quisesse, e fazia um pouquinho de frio e chovia, e eu não tinha que sair de casa, não precisava.
Tudo de bom!
Mas, contrariando a regra me pus a pensar enquanto esperava o sono voltar e ele não ia voltar porque fora ativado...
Já tive que pensar rápido na vida, todos já tivemos em algum momento de emergência, sinuca, entrevista, flagrante ou teste.
Mas poder pensar sem presa é diferente, o pensamento sem objetivo escorre para outras formas e molda-se de maneiras inesperadas.
Como não havia um propósito específico no pensar, então podia pensar em qualquer coisa que quisesse e mesmo assim, como não queria nada de definido, pensei em tudo e em coisas as mais desencontradas... vieram ideias e mais ideias sobre coisas que ando fazendo e que não careciam de novas ideias, mas as que vieram espontaneamente eram tão boas que mudaram vários rumos pelos quais eu já estava caminhando decidido... contribuições gratuitas e inesperadas que vieram melhorar meus planos...
Eu sempre acreditei nessa imprevisibilidade das coisas.
Sempre fui favorecido por acontecimentos assim...
... embora alguém sempre me diga que sou criativo em vários campos, eu, lá no fundo sei, que criatividade não é dom, que essas surpresas nocauteiam o ego de quem se acha, e que ter ideias, muitas ideias não é lá grande coisa... bom mesmo é ter a ideia certa e adequada.

AFINAL, POR QUE AMAMOS TANTO AOS ANIMAIS?

Cães são maravilhosos, mas vivem, pouco. Isso é angustiante para quem, como eu, olha para os cães e os vê como começo, meio e fim.
Já tivemos algumas dezenas de cães e umas duas dezenas de gatos.
Sempre fui ligado em cães e gatos e vivi cada alegria e cada perda de forma intensa.
Mas hoje a posição que os cães e gatos ( em geral. E basicamente ) ocupam na família ou na vida solitária é muito diferente da posição que ocupava a 30 ou 40 anos atrás... eles agora estão no centro de tudo, integram de forma muito importante um lugar muito especial na vida de muitas pessoas...
Eles tem uma vida curta e um comportamento sintético... basicamente são:
fieis, disponíveis, humor constante e não reclamam de quase nada.
Com uma psicologia mais simples e portanto mais óbvia, os humanos encontram neles aquilo que não conseguem em outros humanos, e isso foi sendo descoberto intensamente nos últimos tempos... a cada decepção com um humano um abraço num cão... uma lambida de gratidão e alguns saltos de alegria simplesmente porque você chegou perto dele. Não cobra quase nada além de comida, água e atenção. Dorme onde for possível, mas se possível onde possa de alguma forma manter o contato permanente.
Não é aquele amigo pra quem você liga e sempre cai na caixa postal, não... o cão sempre responde, esta sempre disponível... com isso ganhou a preferência e o lugar...
Não adianta mais querer inverter esta realidade, os cães não perderão mais o trono, e dentro de uma década ou década e meia no máximo já haverão leis sobre herança e matrimônio de humanos e cães... ninguém mais vai lembrar que em 2013 o que se discutia era a legalização de matrimônio entre pessoas do mesmo sexo... 
Quando uma multidão resolveu invadir o instituto que muito possivelmente torturava animais, ninguém discordou, ninguém viu aquilo como uma anormalidade... muito pelo contrário, houve foi muita solidariedade e mesmo o instituto fechando e demitindo todos os funcionários, ninguém se importou com esses humanos que agora perdiam o sustento... parece justo que paguem pelas torturas que fizeram.
Foi com ingenuidade, simplicidade emocional e códigos claros que os cães conquistaram tudo isso, e eles nem sabem disso.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

NÃO POSSO NEGAR QUE GOSTEI!

Depois de ficar 3 meses sem ver a novela das 9 h, agora estou tirando o atraso e me divertindo como nunca.
Se estivesse sendo escrita por Dostoiévski não teria a menor graça, mas como é escrita por um time que tem que entregar um capitulo por dia e em número de palavras formará, no final da obra, um volume muito maior que a Bíblia, então não tem remédio, alguns deliciosos erros ficam escancarados... mas passam batidos...
Quando Felix fala para Paloma desculpa-lo por não ter sido um bom irmão, ela, que todas as noites assiste a navela em que trabalha, comete o ato falho e entrega que já conhece todos os segredos e mistérios da trama.
Ela pergunta respondendo: - O que foi que você fez Felix?
Oras bolas, quem disse que ele estava se desculpando por ter feito algo?
Se fosse escrita por Dostoiévski ela perguntaria : - O que foi que você não fez Felix?... e ele poderia responder que não tinha sido um bom irmão por ter sido pouco atencioso e carinhoso com ela, simples assim, mas como ela e o autor conhecem a trama e não sabem escrever já entregam que a desculpa e por ter agido e não por ter se omitido... assim a obra fica imperfeita.
E quando a obra é imperfeita a melhor coisa do mundo é assistir junto com minha filha onde detonamos comentários e elucidações dos fatos... em geral nos mijamos de rir com as abobrinhas que falamos, mas só falamos porque os programas que assistimos dão as deixas, não é culpa nossa, nosso é o prazer em ver tv assim.
Por exemplo: quando a mulher do Felix confirma que o Cezar era seu cliente, nós já colocamos na boca da Pilar a frase de indignação: - Mas como? Você também era médica e escondeu isso da gente!... então ela esclarece : - Não, eu não era médica, eu fazia programas! daí colocamos na boca do filho do Felix a seguinte frase: - Mamãe, então eu também tenho que confessar algo... eu também secretamente sou Hacker, eu também faço programas invasivos...
Assim a novela fica muito mais divertida...
Mas o nosso xodó é o The Voice Brazil, impossível não viajar nas abobrinhas ditas e vindas de todas as partes, das falsidades dos jurados e das absolutas incoerências dos resultados, só não digo que é o melhor programa humorístico da Globo porque o Amor & Sexo esta, ultimamente, muito melhor.

Nota.: Eu tento, tento, mas não consigo decorar os nomes dos personagens da novela, a mulher do Felix é a Barbara Paz com cabelo de ninho de pomba e eterna cara de pileque, mas adoro ela, é perfeita e o filho do Felix é o garoto com cara de japonês... acho que não foi o cliente Cezar que fecundou aquele óvulo não... ah, e torço pelo cabelo do garoto que vai ser adotado pelo casal gay, tomara que não dê certo e ele seja adotado por um barbeiro. 

sábado, 2 de novembro de 2013

O ADEUS ALHEIO...

Ainda em clima de finados e despedidas... veio-me à lembrança a história do sujeito que de solitário, ao viajar, não tendo a quem dar adeus, deu adeus a quem acenava do balcão da estação de embarque acenando para outras pessoas... surrupiou um adeus alheio.
Isso porque ontem na novela o tal Dr. Herbert, depois de se meter numa situação confusa e desagradabilíssima saiu tonto pelas ruas sem ter com quem desabafar...

Deu na casa de uma ex caso que o acolheu e tentou ouvi-lo... mas o moço só queria chorar e queria que alguém o visse chorando... não teve coragem de enfrentar sozinho a merda que fez a muitos anos atrás e que por puro azar lhe vem cair a cobrança nas fuças muitos anos depois... vai ter azar assim lá na novela.

Mas gostei da cena, gostei da trama, gostei da ideia porque já vi algo parecido, já vi durões desabarem por coisas banais, e essa história de homem não chorar é foda mesmo...

Mas foi bem colocado o enfoque no "precisar de ser visto chorando por alguém".
Chorar sozinho é como não chorar... o choro precisa de público para produzir efeito, tanto no chorão como no público...

Aquele desmaio emocional também não funciona se você estiver sozinho, alias é ridículo para cacete alguém ter um transtorno emocional e desmaiar sem testemunha... não acho que exista nada mais ridículo que ter que acordar sozinho depois de um desmaio, abrir um olho, perguntar: - Onde estou? e não ter viva alma para responder, ... depois perguntar: - Quem sou eu? e ter que apalpar a calça para achar a carteira, sacar dela a Carteira de Identidade e descobrir quem é.... é ridículo demais da conta...

Por isso Herbert teve que procurar alguém, inicialmente para conversar, mas depois converteu a necessidade em apenas ter que ser visto chorando para provar que sofre, que tem sentimentos, alma e consciência de que algo de errado aconteceu e portanto foi feito... com isso, pensa, purgou o erro, não há nada mais cafajeste que isso, chorar ao invés de enfrentar de peito.

Chegar a um ponto na vida onde não se tem nem um cachorro para ouvir a pessoa é fodissimo... nesses casos recomendo o suicídio discreto, aquele em que o corpo é encontrado 11 dias depois, quando o cheiro passa a incomodar os vizinhos do condomínio, nada de saltar da ponte estaiada em pleno rush na pista central da Marginal Pinheiros, isso é muito feio e não deve ser feito.

Dr. Herbert tinha começado a resolver sua vida, solteirão aos 50 anos sem ter descoberto/assumido sua homossexualidade  resolveu casar para manter-se covarde diante da hipótese de sair do armário... mas escolhe a moça errada, puro azar, é que em novela o número de personagens é pequeno e sempre se corre o risco de pedir a filha ou a irmã em casamento... e no caso da dita novela, já tem viado demais e não teria como converter a solteirisse do Dr. em bichisse... mais um pouco e vão ter que trocar o nome da novela para "Amor à biba".

Chorou, chorou baixinho para ninguém ouvir, chorou largado, chorou abraçado forte para a amiga não ver sua cara, minimizou o sofre, umedeceu a camisola da amiga e pegou no sono como fazem os bebês que depois de tanto chorar, cansam e dormem... 

Durões são bebês, frágeis e inconsequentes, prontos para despertar e fazer uma nova cagada maior ainda. 

Agora vamos dar tchauzinho aos alheios.





NÓS QUE AQUI ESTAMOS, POR TÍ ESPERAMOS!


Bem vindos ao dia de Finados, ou dia dos finados...
Dia ( em verdade, noite )de fazer pic-nic em cemitério em todo o México, lá a coisa é bem  divertida e os cemitérios deles bem coloridinhos...



E são também muito engraçadinhos os mexicanos...




Já por aqui, penso que por conta dessa maldita colonização portuguesa que sofremos, somos depressivos em relação ao assunto morte... tememos, choramos e depois idolatramos os mortos... aquela coisa de chorar pelos mortos pelo resto da vida... lembro de uma senhora portuguesa que certa vez me contava aos prantos sobre a morte do irmão dela, e eu achando que tinha sido por aqueles dias e era na verdade uma história ocorrida a mais de 40 anos, mas a emoção era tão intensa de coisa perpétua tal qual a morte, que me fez pensar estar conversando com uma pessoa que voltava de um velório.

A personagem de Fernanda Montenegro num especial recente da Globo disse que a morte é como fazer um curva na estrada... deixamos de ser vistos, e isso é um boa definição da morte...

Em geral todos iremos morrer... alguns de forma bonita, outros tragicamente e a grande maioria banalmente... 

Se você já passou o ano novo na praia e viu aquela multidão de sei lá quantos milhões de pessoas juntas, já imaginou que para cada uma delas haverá uma morte, um caixão, um velório e um enterro??? Parece que não vai ter nem tempo disponível nem espaço para todos, mas pro incrível que pareça velório na vida da gente não é coisa que acontece todos os dias... era pra ser igual a motoqueiro passando pela gente no transito, um atrás do outro, mas não, as vezes passam-se anos sem que a gente vá a um... mas fique frio, quando você chega à casa dos 50 anos tem velório de amigo e parente todo mês.

Enfim, viemos do pó, espanamos o pó, cheiramos o pó e ao pó retornamos.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

OH!

Ó! Afirmo.
Desventura.
Passa o pai lutando uma vida para dar tudo aos filhos.
Dar exatamente algo que não precisa ser dado.
Constato, não sou o único.
Eu já desconfiava, mas precisava do tempo e de alguns papos para confirmar que isso é mais comum do que possam pensar.
Conta centavos o diligente pai para fornir os filhos do saber e complementos do saber que em breve se transformarão em duas coisas - inevitavelmente.
Uma coisa: Transforma-se a carreira numa guinada na carreira, o engenheiro vira dono de restaurante, a psicologo vira figurinista e o médico vira dono de pousada... querem 1530 exemplos????, me poupem... todo o suor gasto para educar acaba no bolso do dono da faculdade e o diploma no fundo da mais esquecida e remota gaveta, filhos que não sabem escolher a carreira, deviam ir para  a cadeia.
A outra coisa: Aquilo que deveria ser gratidão transforma-se em pé na bunda...
... não direi ingratidão... não chega a ser... apenas um leve asco... um: - Tudo bem, passou, agora mantenha-se longe de mim...
Um velho só, nada mais é que um velho que um dia esqueceu de priorizar o carinho a ser dado.
Quem de alguma forma comprou os filhos vai inevitavelmente ficar só.
Quem não priorizou ouvir e compreender vai ficar sozinho mesmo. 
A regra me parece simples - vamos ver:
- Você procura dar alguma coisa para seus filhos, mas não se esqueça de todos os dias dizer alguns nãos... em seguida dê gratuitamente bastante presença e uma boa dose de contato físico, finja que se importa com eles... acrescente um "se vira" duas ou três vezes ao dia... um bom dia e um beijo de boa noite todos os dias, religiosamente... lembre-se sempre dos aniversários e ignore os amigos deles... procure sempre ter a sua idade e nunca tente ter a idade e as ideias de seus filhos, trate-os sempre de cima para baixo com toda a dignidade, mas mostre que você é você e eles são eles... desinteresse-se por eles sempre que puder, e tenha segredos, coma escondido o ultimo pedaço de pudim que esta na geladeira, minta sempre que possível e esconda os Sonhos de Valsa e chocolates de grife, dê para eles aquelas tranqueiras da Pan. Não aceite presentes deles... afinal, esses safados compram com o seu dinheiro presentes idiotas, coma o rabo deles sempre que fizerem isso... deixe-os errar e sofrer, não construa sua vida inteiramente baseada na relação pai x filhos... eles são legais de ter, mas não são a sua vida, você é a sua vida.

RINGO STAR

Ontem - 29 de Outubro de 2013 - as 19:48 h foi o momento em minha vida que estive mais próximo fisicamente de um Beatle... mas é patético, direi porque...
Eu nasci em 1958 os Beatles começaram a carreira deles em 1960... eu até posso dizer que ouvi uma ou outra música dos Beatles antes de 1970, mas ouvi uma ou duas músicas e no máximo por uma meia duzia de vezes... em casa ouvia-se outro tipo de música, eram boleros e coisas assim, tipo: Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo, Francisco Alves, Orlando Silva, Marlene, Linda Batista e sertanejos, nem vou listar, mas predominantemente sertanejos.
Com isso cresci sem um gosto musical, ouvindo compulsoriamente "música de gente mais velha".  Só quando entrei em meu primeiro emprego em 1970 a coisa toda mostrou-se existir. Sai de meu mundo infantil e infantilizado pelos meus familiares e bati de frente com um outro tipo de gente,  e por trás dessa gente havia um outro mundo e um outro tipo de comportamento. Depois me chegou às mãos o álbum Abbey Road  e pela primeira vez na vida eu tive a oportunidade de ouvir inteiro um disco de rock, dei sorte, comecei tarde, aos 12 anos, mas entrei pela porta da frente. Quando consegui comprar o primeiro disco em minha vida escolhi o que tinha a canção Hey Jude... 
... por muitos anos segui gostando de tudo deles e pouco sabendo sobre os integrantes da banda, depois inevitavelmente fui pescando algo aqui e ali e só muito recentemente passei a ler e pesquisar profundamente tudo sobre eles... as vezes cansa, as vezes é um orgasmo, mas cheguei a uma sintese sobre meu gosto pelos Beatles... e escrevendo esta postagem, fui interrompido pelo telefonema de uma amiga me avisando que minha primeira camiseta preta com The Beatles escrito em branco, que eu encomendei, já chegou...  porra, só agora aos 55 anos e meio, tardio né? Ou serão sinais? Uhhhhhh... !
Mas com o passar dos anos fui passando a gostar muito de Paul MacCartney a ter um profundo desprezo por John Lennon e meio que separando uma coisa de outra. Uma coisa são os Beatles, outra coisa é a merda que foi assinarem Lennon/MacCartney uma porrada de músicas, outra é a obra de Paul e uma outra coisa é a obra pequena porem magnifica obra de Harrison... mas e Ringo?
Bem... baterista não é músico, segundo o que penso e pensam muitas outras pessoas... Ringo é um cara legal, simpático, querido por todos... mas, além de ser um tremendo sortudo ( The Beatles mereciam um baterista melhor ), não contribuiu com quase nada na banda... e nas mãos de outro baterista os Beatles poderiam ter avançado muito mais, ter feito coisas melhores... não há como negar, ele fez um arroz com feijão danado...
Mas The Beatles acabaram antes de eu saber que eles existiam, e isso foi foda.
Depois fui juntando cacos e virei um fã fora de hora, sem saber quem eram os caras que eu gostava e descobrindo mais tarde que não gostava de todos e que alguns mais atrapalharam que ajudaram... depois de anos Paul MacCartney veio ao Brasil fazer o celebre show do Maracanã, e passou a ser frequente e democrático como se fosse um Ray Connif, Julio Iglesias ou Laura Pausini, tipo: virou figurinha fácil, mas ai já havia acontecido um fenômeno asqueroso aqui em São Paulo : "A tentativa de exterminar o público pelo assassinato do bolso"... assim uma estacionadinha ao redor do estadio onde iria acontecer um show do Paul passava a custar entre R$ 100 e 150 pixolés... um ingressozinho básico, mal acomodado, bem longe, banheiro sujo e com chuva na cabeça saia por módicos R$ 300 paus... uma coca-cola era facilmente comprada por R$ 15 patacas... e a qualidade de tudo não condizia nem com  o preço cobrado nem com o poder aquisitivo médio do público... ir a um show significava ir à falência... não mudou ainda, mas hoje já sobram ingressos para muitos ilustres que acabam tendo que fazer promoções de última hora... com isso, ver ao vivo, ver de perto um ídolo tornou-se coisa de 19° utilidade, é a coisa menos prioritária na vida de qualquer ser humano que se ponha a pensar os prós e os contras... sem paixão e sem fanatismo algum... mais vale um dinheiro no bolso que um gosto que vira desgosto.
Voltando ao inicio...: não sei qual a importância real teria em minha vida ver um Beatle de perto, ou ao menos de longe ao vivo, mas eu diria que muita... eu sempre dei e dou muita importância à arte deles, mesmo fazendo zilhões de ressalvas... Já pensei em ir ver o Paul mesmo contra minha disposição em não enfrentar o "mundo explorador de bolso"... mas na última hora sempre me faltou aquele segundo de insanidade para ter a iniciativa. Travei.
Mas ha alguns meses minha filha me trás um caderno de um jornal qualquer que anunciava o Ringo Star em São Paulo em 29 de Outubro no Credicard Hall, e me ofereceu o jornal quase que como a querer dizer, nessa você tem que ir...
Pensei: Imagine, queimar um sonho vendo o Ringo?, logo ele, se fosse bom seria no Morumbi, tipo Paul, sem chance... mas ontem voltava para casa como paulistano civilizado que agora patrioticamente anda de trem e deixa o carro em casa, passo, espremido, comprimido, chacoalhante dentro de um trem Osasco x Grajaú as 19 horas e 48 minutos a poucos metros do Credicard Hall, e me lembro e olho o prédio onde lá dentro a poucos metros de mim esta, já no camarim, o Beatle que eu não tenho vontade alguma de ver pessoalmente.
E chegamos à estação Santo Amaro e eu penso que não sonhei forte o suficiente, que não desejei direito, que não mergulhei tão fundo quanto deveria nessa história de ser fã... que afinal Ringo não é Beatles mas Beatles foi a banda que preencheu minha alma por toda uma vida, e que eu deveria me importar e dar mais importância a isso... não dei.
Passei anonimamente, na mais plebe passagem possível perto de alguém que queira eu ou não, simboliza algo que é importante para muitas pessoas... e eu ao invés de gritar: Lindo, mais um, apenas ouvi: - Próxima estação Santo Amaro, desembarque pelo lado esquerdo do trem, cuidado com o vão entre o vagão e a plataforma. Foda, só agora entendi porque foi que o sonho acabou.