PENSANDO

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

VOU




Quando iniciei este blog comentei que colocaria a mochila nas costas e partiria,
pois bem, acho que a contagem regressiva vai começar.
Não sei dizer de onde surgiu a ideia, sei que ela foi se formando e se completando na medida em que pesquisava os mapas e na medida em que a sorte me colocava nas mãos materiais e informações que iam me ajudando a lapidar melhor minha ideia. O objetivo sempre foi o Chile via Argentina por terra. Meu amigo Élcio pensou depois e saiu na frente e já esta a caminho, e sem duvida lendo o site dele a motivação começa a subir rapidamente de temperatura.
Quero ir até a capital e depois descer sem muito planejamento até o extremo sul em Uchuaia. É quase a pontinha do continente. E o que tem lá? Para mim nada de especial, a não ser que esta lá e é longe.
Vou só, vou para sentir, vou para desenhar e pintar vitrais nas janelas de quem me deixar. Imagino poder fazer isso da casa mais simples à mais sofisticada e assim ir me inteirando com as pessoas aos longo das semanas que vai durar a aventura.
Imagino que não deveria voltar antes de 3 meses, tempo mínimo para desprender daqui e conseguir dar um mergulho nas possibilidades.
O inesperado é o que existe, não existe a rotina, a hora marcada, o guia esperando a coisa certa. Evitar os roteiros turísticos e arriscar esticadas e paradas nos lugares mais improváveis, aprender ficando.
Planejar somente o essencial, prever apenas o resgate.
Levou informação e coragem, e espero ter gosto pela aventura e pela superação.
Saber, vendo, o quê existe do outro lado da cordilheira, ver um outro oceano que não o nosso já tão batido e conhecer o frio que eles sentem lá.
Vou marcar inicialmente de forma secreta a data de ida, depois contarei para me ver na situação de não mais poder voltar atrás.
Não é o maior sonho de minha vida, é apenas algo que sinto esta ao alcance neste momento.

sábado, 24 de setembro de 2011

O PÚBLICO NÃO VIRÁ.

Percebe o valor do texto  e se emociona com isso, vê que aquilo dá uma encenação, que tocará o coração das pessoas. Que magnifica ideia, tão completa, tão atual, alguém ira mudar algo em sua vida quando ver esta ideia num palco. Estuda o texto, decora, marca, ensaia a voz, o ar o tempo, o tempo em que deve haver apenas o silêncio, momento em que todos deverão apenas refletir sobre o que foi ouvido, algum filho da puta ira tossir, uma cadeira ira ranger... não importa o silêncio entre as frases ira fazer crescer a importância e criar no público a suspensão da respiração. Pânico, a próxima frase não vem, terá o ator esquecido o texto?
Pensa e desenha os figurinos, projeta os cenários, define as luzes e escolhe as músicas.
Varre o palco, faz alongamento respira a eterna poeira em suspensão.
Ensaia, costura, serra madeira e pinta lona, desenha cartaz, manda prá grafica, pede desconto encurta o prazo. Some da praça. ninguém mais te acha. Entrevado, ensaiando, buscando o personagem, acha, não, não é isso, acha outro este pode ser... é este, achei este é o tom, o ar, a cara ensaia a maquiagem, se emociona com a trilha sonora, que puta trilha sonora, nunca se ouviu nada assim antes nos palcos, isso vai fazer todo mundo chorar. Monta o cenário, afina as luzes, acaba os figurinos, consegue emprestado os últimos objetos para compor o cenário, cuidado heim, quero de volta não vá quebrar, não deixe que roubem, era de minha avó... O cartaz saiu errado, puta que o pariu essas gráficas cobram caro e não acertam nunca, agora foda-se... ensaio final, tá uma bosta, ralentado, tem cena fora de ordem, tira esta estica a outra, não cortem aquela minha fala, eu só tinha ela... alguém esquece o texto, a luz estoura e o cenário esta capenga, mais cor, mais cor, menos agora, no ponto. tá fora da luz, a musica entra agora, não esta, certo esta agora. Convida todo mundo, dor de barriga, tudo pronto, cheguem 5 horas antes, não melhor chegar 6 horas antes, não dá mais tempo para nada, agora é tudo ou nada... corre para o banheiro, cade minha sombra, não esquece a flor, cacete esqueci de trazer a flor, corre arranja flor.Primeiro sinal, segundo sinal, merda prá você, abre a cortina, a luz vem fininha crescendo, a música vem subindo, uma leve tremedeira nos joelhos, olha direito, não acredita, olha novamente, ninguém na plateia.
Cadê o público.
Chove muito, muito, chove de balde, ninguém quis sair de casa.
Hoje não vai haver espetáculo.



 PS.: No teatro, antes de entrar em cena, costuma-se dizer uns aos outros: - Merda prá você!
Este habito vem do tempo em que o público ia ao teatro de carruagem e a rua em frente ao teatro ficava cheia de bosta de cavalo quando a peça era um sucesso.






terça-feira, 20 de setembro de 2011

ÓBVIO

Cada um vê as coisas com um olhar... coisa mais óbvia.
Mas as coisas são como são não importa quem as olhe... mais óbvio ainda.
Mas algumas pessoas tem o talento de ajudar as outras pessoas a olharem as coisas de uma maneira melhor.
Eu tenho a sorte de ter ao meu lado, ou virtualmente muitas pessoas que me ajudam a ver as coisas de uma forma muito melhor. E assim eu sigo traduzindo aquilo que poderia parecer óbvio para muitos, mas que guarda em sí uma outra versão da coisa, ou muitas versões de uma mesma coisa. Versões que se modificam com o tempo, sem assentam em novas bases e vão encontrando novas maneiras de se mostrar.
Nada é óbvio, nada que se possa observar tem o dom de ser óbvio.










sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CHEGOU A HORA

Ontem encontrei o Élcio no bota fora. Chegamos lá perto da meia noite, um lugar totalmente sinistro, rua estreita, cheia de curvas e becos assustadores, sombras se movendo sorrateiramente e úvios e gritos, muitos.
Lá dentro do bar um clima muito legal, meus seguranças armados ficaram vigiando na porta para evitar que ocorresse um daqueles arrastões já incorporados à cultura paulistana.
Mas o Élcio me falou: - Porra Borella eu preciso ir embora prá você vir me ver!
É verdade, estamos na mesma cidade e não nos víamos desde 198.... e1.
Vocês não acreditam né, que um cara que eu goste tanto simplesmente não convive comigo e eu me derreto todo por ele e fico na maior torcida por ele.
Ele é um show man, sabe produzir um acontecimento.
Saberá fazer uma grande história a partir de amanhã as 10 h no marco zero de São Paulo, na praça da Sé.
Estarei lá também porque faço parte de alguns momentos da vida dele e quero fazer parte deste momento também. Vai ser muito emocionante velo dar as primeiras pedaladas em direção inicialmente à cidade de Piedade, depois em direção ao resto do mundo.
Depois publico fotos.




quarta-feira, 31 de agosto de 2011

IMAGINO QUE DEVE HAVER...

um solução para cada questão, assim como uma explicação para cada mistério.
Eu aqui já me referí ao tempo e a vida como sendo uma linha, uma curva, um circulo, ou uma dobra, ou um laço, oualgo que se tangencia ou se cruza ou da qual se entra e sai o tempo todo, esta última idéia não é minha, li recentemente num livro não recente.
Imagine seu primeiro segundo de vida dentro de um universo. No segundo seguinte você continua no mesmo universo, mas como alguém em algum lugar tomou uma decisão que implicaria em uma mudança no curso de sua vida, você passou a também existir num outro universo onde uma mudança foi requerida, mas no terceiro segundo uma outra coisa implicou em seu destino e vai você existir triadimente em outro universo, e assim por diante eternamente se replicando em infinitos universos, em infinitos você cada um com um destino diferente, cada um sem saber da existência do outro.
Mas em alguns momentos acontece um Dejavuzinho e você cruza com você mesmo em outro universo por conta de uma escolha ou decisão sua ou de algum danado que não para de implicar e de influenciar toda a paz dos infinitos universos. Nesse momento você percebe e pensa: (Bolhinhas... Já passei por isso...Bolhinhas), e fica uma sensação mística na cabeça da gente que existe algo inesplicável acontecendo o tempo todo. Bom, explicação deve haver, talvez seja esta que estou oferecendo agora, talvez seja algo inatingível para nossas cabecinhas limitadinhas e cheias de coisas miudinhas que tomam o lugar das coisas de real valor.
Mas é gostoso imaginar que num universo seu time perdeu o jogo mas nos demais pode ter ganho. Que aquela sua decisão de atravessar a rua te levou à morte por atropelamento mas que nos outros universos você decidiu diferente e não foi atropelado, lá você apenas viu o carro passar. E quantas vezes teremos visto apenas passar os infinitos carros que infinitas vezes nos levaram a vida. Estranho? Nem tanto, acho que até bem possível. Eu quando criança sonhava em trocar de lugar e vida com um outro garoto que estava se dando muito bem na vida, ao passo que eu estava me lascando. Na época achei que não tinha trocado de vida com ele pois minha vida continuou tal e qual como estava e em minha consciência nada mudo. Mas e se mudei de vida com ele e estou lá e ele cá, mas desafortunadamente com a minha consciência sem saber que foi trocado por minha vontade. É séria a coisa, imagine as coisas que você sofreu ou foi forçado a fazer sem querer e sem saber.
Talvez você seja uma pessoa bem sucessida em outra vida, talvez tenha ganho um Oscar, ou ganho na loteria, talvez tenha tido uma perna amputada por trombose, talvez tenha morrido no parto. Se não houver um Dejavu não há como saber. Toda vez que você cruza com você mesmo pode estar certo que percebe o cruzar e leva um susto, não leva?  Mas não se preocupe, você não faz nada prá você mesmo que seja definitivo porque tudo vai se desdobrando, curvando, entrelaçando - é uma zona, mas zona organizada - e você vai apenas pulando para varios outros universos simultânemente e seguindo em novas versões, umas esticadas outras resumidas de você mesmo, e só não existe isso tudo porque você não sente e não pode reter o tempo.
Tem como provar? Acho que sim.
Veja um exemplo: Eu tenho uma amiga que trabalhava comigo em 1985, daí eu sai da empresa e fui viver longe um outro tipo de vida. Nesta semana ela me achou no Facebook e reatamos a conversa como se ela nunca tivesse parada de existir, estamos cheios de novidades para contar um para o outro. Onde estivemos este tempo todo? Bem, neste universo estivemos fisicamente próximos e distantes varias vezes sem sabermos, mas isso não replicou, mas quando nestes anos todos que se passaram eu lembrava dela ou ela lembrava de mim, a memória buscava num universo impalpável uma passagem de nossas vidas onde existiamos de verdade, e estavamos lá, porque podíamos ser alcançados ao menos pela forma da mente ou memória. Não convenceu né? Nem a mim, mas o fato é que existimos tenhamos ou não explicação para isso, existimos na mente e no coração das pessoas, na forma de saudades ou rancor, e um dia por acaso ou esforço de alguém que implica em nossas vidas tornamos a existir na vida da pessoa, e pior é que isso inclue tambem os cobradores de dívidas...
Esta semana tive deliciosos momentos ao reencontrar a Marcia que por sua vez me fez reencontrar o Celso e a Elaine que foram amigos doces, suaves e humanos - tremendamente humanos - num momento muito bom e feliz de minha vida. A Marcia especialmente, que soube de forma única em minha vida demonstrar amizade, carinho e gratidão plenos no último dia em que trabalhamos juntos (especialmente nesse dia mas não exclusivamente nele). A vida dela foi plena até aqui de fortes emoções, nem sempre boas mas de plena densidade e eu sou grato a vida por te-la encontrado novamente. Sinto pura felicidade em constatar que cada um deixou no outro uma marca boa e saudável, que nos permite agora desfrutar de algo que é verdadeiramente sólido, porque sobreviveu por 26 anos alimentado apenas pela força que teve, e que nos avalia como pessoas do bem, trilhando um caminho certo em direção aos infinitos universos que ainda nos aguardam sem que tenhamos, pelo que sabemos de nossas atitudes passadas, que temer o futuro.
Marcia, Celsinho e Elaine todo o meu carinho para vocês. 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O TEMPO NÃO DIRÁ SE VOCÊ NÃO SOUBER OUVIR.

As pessoas vem e vão em sua vida.
Algumas marcam profundamente, permanecem, outras apenas "relam".
Existe um talento ou uma capacidade ou talvez um oitavo sentido que penetra pelo olhar e busca por trás dele uma confissão. Se você tem esse oitavo sentido, pode de orgulhar de estar vivendo plenamente.
Eu não tenho, eu só percebo algumas coisas muito tempo depois, mas muito tempo depois mesmo. Ainda assim percebo apenas a existência de uma dúvida sobre qual teria sido realmente a confissão não traduzida.
Tapado a ponto de mesmo ouvindo cada palavra não conseguir junta-las e delas tirar a essência e o sentido exato.
Resulta numa dor fininha e triste, que levo para o escuro de meu quarto e lá fico tentando remediar aquilo que não será nunca mais remediado, nem em mim nem na outra pessoa, agora tão distante do momento e do sentimento.
Reconheço essa capacidade de lidar com o oitavo sentido, as vezes, nas pessoas mais toscas e imediatistas.
Aquelas que apenas raspam na vida dos outros, são as linhas que vão tangenciar as infinitas parábolas que vão encontrar ao longo de suas sempre longas existências imediatistas. E com isso eclipsarão os que queriam estabelecer relações sérias, honestas, profundas e reciprocas.
Mas a culpa é de quem não tem e não de quem tem e usa mal.
É apenas frustrante constatar que passou pela vida e não conseguiu perceber as confissões que tentaram te fazer, que você continua vivo e continua incapaz de saber de tanta coisa que sentem a seu respeito e que seria tão importante saber. Faria você mais feliz, te daria mais combustível prá turbinar sua vida, te faria crescer e ter maior auto-estima.
Uma grande parte da vida perdida. Um lapso, uma fenda, uma lacuna importante que não deveria existir.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O CINEMA VAI AO TEATRO

Nosso grupo que se reúne prá ver filmes variou neste final de semana e fomos ao teatro.
Da outra vez fomos ver a Glória Menezes em "Ensina-me a viver" e gostamos, mas gostamos pouquinho.
Neste Sábado fomos ver o monólogo "Doido" de/e com Elias Andreato e daí gostamos bastantão.
Dá um gostinho daquele tempo que a gente era mais ingênuo, daquele tempo em que ainda ouvíamos e suspirávamos com poesia. O texto flui, flui muito bem, o modelo da montagem é corajoso, pois ele permanece a peça toda sentado na cadeira e nem assim há um segundo sequer de monotonia.
O ator é uma simpatia e pura gentileza, pena não ter aceito prá jantar com a gente na casa de uma amiga, mas nós somos entrões demais, mas ele aceitaria não estivesse de carona e tão longe de casa.
O ator é ótimo, o texto emociona, a generosidade de vir tão longe trazer seu trabalho nos deixou muito felizes, e estou aqui recomendando. Se você é de São Paulo ele se apresenta num circuito dos CEU da prefeitura de São Paulo, procure se informar, ou pode ser que qualquer hora ele passe por sua cidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

ARREFECIMENTO

Sou de um geração que prometeu mas não cumpriu.
Na época ninguém estava sendo cobrado de nada, mas mesmo assim, indignados, muitos saíram às ruas e revolucionaram, conseguiram algumas coisas, bem poucas, e depois transformaram toda a luta em mera poesia. Havia uma peça de teatro com um ótimo nome para isso: Um grito parado no ar, se você é meio velhinho deve lembrar ao menos do nome.
Hoje o mundo opera pela individualidade e por regras de consumo que oscilam entre a pura futilidade e a completa ostentação. Sempre houveram pessoas fúteis e ostentativas, mas hoje incrementaram-se as estatísticas.
Recebo sempre emails da revista "Pequenas empresas grandes negócios", e vejo lá nas resenhas que a energia para lutar é uma coisa que se torna maior a cada dia. Pessoas se tornam cada vez mais competitivas e buscam por novos maneiras de no mínimo ficarem milionárias. Não há meio termo, é sucesso ou morte.
Em parte vejo o momento pelo retrovisor em outra parte engulo poeira.
Sonhei, realizei, mas fiz pouco, meus melhores momentos estão muito aquém do que fazem hoje os novos empreendedores. Neste ponto como poeira.
Achei meu lugar na vida, e tenho infinitas oportunidades de manobras, mas honestamente, bem pouca vontade de sair à luta como se sai atualmente. Mas me abate as vezes sentir que deixo passar tantas oportunidades e tantas chances de sentir frio na barriga, arrefeci.
Saltei da adolescencia direto para a velhice de alma; ou será maturidade de alma?
Aprendi a muitos anos que é um grande erro querer abraçar o mundo, essa atitude nos desnuda em nossa verdadeira face: a da ingenuidade e pretensão desmedida.
É preciso saber parar, é preciso saber usufruir os verdadeiros presentes que a vida nos dá.
Saber sair de cena é certamente um dos maiores valores de uma pessoa.