PENSANDO

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

GONZAGÃO

Aeroporto do Galeão - depois se tornaria Aeroporto Tom Jobim - tarde de terça ou quinta feira.
Um sol forte entra pela parede envidraçada da enorme sala onde eu esparramado numa poltrona aguardo a chamada de um voo para São Paulo. era sempre assim, naquele tempo eram raros os voos diretos de Vitória-ES para São Paulo, então para não ficar em Vitória que era quente demais eu ia adiantando a viagem e ficava morgando no Rio de Janeiro.
Sentado atrás de mim um senhor conversava calmamente. As poltronas tinham um único encosto para dois acentos e o senhor também estava bastante estirado na poltrona dele de modos que a gente estava cabeça com cabeça a uns míseros centímetros um do outro. Mas a vós era conhecida. Daí bate aquela agonia, de quem é essa vós? E pensa, e pensa e a resposta não vem. Era óbvia demais e não vinha. Só tinha uma jeito: levantar dar uma volta e ver o rosto do sujeito. Fiz isso.
Putz, era nada menos que Luiz Gonzaga, o Gonzagão, o Rei do Baião, o co-autor de Asa Branca, o homem que "enfrentava as balas" em Exu prá pazcificar a cidade da eterna luta entre as famílias: Alencar, Sampaio e Saraiva, onde uma vingava a morte de um membro da família matando um membro da outra por muitos anos.
Ele certamente estava acostumado a ser observado com curiosidade e eu não seria nada mais que apenas mais um ninguém a observa-lo. Mas é forte a emoção, era realmente como ver um rei, um papa, um Beatle de perto, lembro da roupa azul que ele usava e lembro tão claramente da vós que mesmo o tempo, uns 30 e tantos anos não empalidam nada de minha memória.
Ouça Luiz Gonzaga, aproveite que ele esta na moda e aprofunde seu conhecimento sobre as músicas dele, e sobre a dramática história de vida dele.
Se o mundo não acabar no dia 12 de Dezembro no dia 13 vamos comemorar os 100 anos de nascimento desse cara muito legal.

Digna de nota a belíssima  ilustração acima de Willian Medeiros.


Asa Branca
Luíz Gonzaga

Quando "oiei" a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de "prantação"
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
"Intonce" eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

"Intonce" eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar pro meu sertão

Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar pro meu sertão

Quando o verde dos teus "óio"
Se "espaiar" na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração



2 comentários:

Mary Joe disse...

Que linda sua homenagem. Um belo momento Vitório. OBrigada por compartilhar conosco.

Já vi o pessoal do skank no aeroporto em BH. Theresa era recém nascida e eu me aproximei e falei o quanto eram importantes para mim. Samuel foi uma graça. Gostei mais ainda dele depois desse dia.
Beijo grande Vitório
Ah! Também adoramos vc
Mary Joe

paulo ss vilela disse...

Muito bom, Vitorio. Terra ardendo combina com hoje, guardei o sol, que grudou em mim e não sai de jeito algum...