PENSANDO

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

DODÓI



Eu poderia relevar, mas não o farei.
Sacrifico-me para viver de forma honesta no sentido mais importante do termo, honesto com minha consciência.
E para ser assim, perco e assumo. Mas a perda não tira pedaços neste caso e assumir reforça a certeza de ter honra.
Falta honra as pessoas, falta consequentemente aceitar perdas e assumir falhas.
Encontro pessoas no meu dia a dia que embora falhas, não podem ser enquadradas como desonradas, porque são em verdade doentes.
Quando olho essas pessoas, faço olhando nos olhos, de forma profunda, incomoda – para elas – enxergo uma pessoa se debatendo para não morrer afogada naquilo que definirei como sendo a enxurrada da vida. Você nasce e é atirado na enxurrada, e nela vai tentando se manter vivo. Todo o estresse, todo o sofrimento para conseguir se realizar e ser feliz vão adoecendo a pessoa.
Durante a luta o lutador perde o senso. E por viver num mundo de referencias e padrões, tanto transmite referencias mórbidas com ajusta e alimenta suas próprias para se sentir parte, se sentir certo, se sentir ajustado ao mundo. Pronto temos um individuo dodói.
Dê alguns anos para a doença ir fermentando e maturando no fel.
Dê algum motivo banal para que o fel desperte a criatura gerada no turbilhão da enxurrada venha à tona.
Depare com ela e não perceba que ela é isso.
Torne-se igual.
Não perceber-se doente social é a certificação, lavrada, registrada e emoldurada, e, desavergonhadamente pendurada na parede principal com orgulho, de que você também lutou a mesma luta e é produto do mesmo fermento maturador do fel.
Numa colisão de transito o dodói explode em ira porque sabe que errou, sabe que terá que pagar se assumir o erro sabe que os bens materiais vem sempre muito acima da honra, e nega, mente, se contorce e espuma pela boca, pelos olhos, pelo rabo.
Orgulho ferido de não saber controlar um carro, não saber controlar um filho, não saber trepar direito, não saber dizer bom dia para um estranho, não saber pedir, por favor, antes e agradecer depois.
O problema é que quem não tem honra, sabe, por alguma razão que eu desconheço, que não a tem. E não a tendo e não sabendo como conseguir, auto justifica-se comparando-se ao que meu genial primo Arqui alcunharia de: Ninguenzada.
Eu tenho o hábito de carimbar da testa das pessoas um termo para sempre que tratar com a pessoa saber exatamente como proceder.
Ta certo que isso pode parecer preconceituoso, mas não é porque é baseado em experiência anterior com a própria em questão.
Posso esquecer o nome da pessoa, mas não esqueço o termo, é que sou meio rancoroso, não muito, só o suficiente para não perdoar antes da morte; dá minha claro!
Mas ontem fui atender a um funcionário de minha equipe que foi envolvido num acidente de transito por uma senhora incontestavelmente navalha, ninguenzada, dodói e casada com um par perfeito, como eles se encontram não?
Mas o caso foi que a colisão foi contra um micro-onibus que transporta o pessoal do condomínio, e nele estava um senhora que conheço por trabalhar na casa de uma conhecida. Ela estava com um filho que tem problemas emocionais sérios, e é um rapaz bastante dócil e cordial. Ela poderia ter deixado o local do acidente e ter ido para casa. Mas preferiu ir junto com o filho dela até o quartel da policia militar para depor, nem a favor de um lado nem do outro, ela foi depor a verdade. Li o depoimento e vi que não havia nenhuma tendência ali.
Ela me chamou a atenção no inicio deste ano quando passei para o computador varias fotos do aniversário do filho da patroa dela, ela aparecia sorrindo com imensa felicidade ao lado do garoto de quem eventualmente cuida. A avó do menino não esboçava uma fraçãozinha sequer da felicidade que essa senhora simples, fudida na vida, tinha naquele momento importante do menino.
Essa mulher me ensina, me assenta, me faz ver que honra é coisa de poucos, que nasce não sei por que tanto num Dalai Lama, como numa passadeira de roupas, pobre, mal vestida, manca e desprezada pelas pessoas em geral.
Eu poderia relevar, mas o universo é uma infinita Ninguenzada.


PS.: A senhora em questão quando começa a falar não para, não é prudente puxar assunto com ela.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

UM ROSTO AMIGO




Eu e um monte de gente não consegue guardar o nome das pessoas com quem não convive frequentemente, e depois fica sofrendo na frente das pessoas para lembrar-lhes o nome.
Eu adicionaria ainda um outro agravante de dificuldade, qual seja, o de não lembrar de onde conheço tal pessoa.
Faço a conta, tenho 52 anos, cursei até a faculdade e fiz vários cursos livres, trabalhei em empresas que tinham mais de 1000 funcionários, uma delas tinha mais de 8ooo, trabalhei no comércio, trabalhei com órgãos públicos e trabalhei em muitas cidades, servi ao exército, fiz trabalhos voluntários, participei de ONGs e falei com todo mundo que encontrei na rua de uma fase em diante d eminha vida. Acredito que conheci pelo nome entre 6 a 8 mil pessoas.
Como fazer para lembrar o nome, o local e a época contextualizada em que me relacionei com tais e tais pessoas?
Isto não seria problema se vez por outra o acaso não me colocasse diante de alguém de quem lembro sem identificar e me deixo remoer sem descanso, gastando todas as minhas energias na tarefa de localizar o ponto de restauração da memória, para aliviar da culpa que não é culpa.
Ontem encontrei alguém que me conhece pelo nome, e mais, me conhece pela minha maneira de ser, porque é alguém a quem tratei bem em tempos remotos, remotos para cacete e me tratou com tanta deferência e com tanta intimidade que eu estou realmente disposto a procurar a pessoa novamente para pedir ajuda a ela.
Engraçado que lembro nitidamente da peço bem mais jovem, 30 anos atrás, numa posição humilde e algo me diz que ele era um vendedor que eu atendia numa empresa que trabalhei.
Mas a memória não avança, não completa o quadro, não me dá uma oportunidade de tirar o peso.
A pessoa foi importante o suficiente para ficar em minha memória, mas não de forma definitiva, só vagamente.
Quando entrei na internet e comecei a reencontrar amigos perdidos pela vida, fiquei surpreso ao perceber o quanto eu era lembrado. E lisonjeado, é claro, com isso, me tornei uma pessoa mais serena por constatar que eu tinha uma história, tinha uma fama limitada a um grupo relativamente grande de pessoas, mas que me dava a certeza de que fiz algo de certo no passado e colhia não sei o quê no presente.
Vou investigar o caso de ontem, vou procurar achar dentro deste rolo que é minha cabeça quem é a pessoa, e torcer para eu não estar devendo dinheiro a ela.

10 DO 10 DO 10



Domingo 10-10-10
Só daqui a 100 anos teremos outro 10 do 10 de 10.
Não acredito em números e seus efeitos sobre as pessoas e as coisas ou sobre os rumos da história. O número é algo abstrato, não existe.
Ninguém nunca pegou um número nas mãos. Eles são instrumentos que usamos no dia a dia para definir e comparar.
Se você resolve trocar a porta de sua casa e ele tem 80 cm de largura por 2 metros e 5 centímetros de altura, vai precisar destes números na hora de comprar. Não adianta comprar menor ou maior, não vai servir.
Mas o que você esta comprando é uma porta baseado num número e não um número.
Quantos anos você tem?
Você não consegue pegar nas mas o número de sua idade, ele é uma quantidade de algo mais abstrato ainda que é o tempo e dentro deste tempo a cada fração existe um fato ocorrido em sua vida associado a algo em seu arquivo de memórias, nem o conjunto de fatos você consegue pegar de uma vez ou lembrar de uma vez ou lembrar de tudo, isto então muito menos.
É arrepiante saber que toda a segurança que buscamos em vida, para escapar da certeza da morte, esta associada a coisas que nem ao menos sabemos se existem.
Vamos agora brincar de desenhar... desenhe numa folha a cadeira onde você esta sentado neste momento.
Pois você acaba de fazer a abstração mais alucinante que existe.
As linhas que você usou para compor o desenho também não existem na vida real. A cadeira não é feita de linhas, as linhas estão no papel, mas não podem ser pegadas ou retiradas da cadeira de verdade.
Desenhe um paisagem, o horizonte é uma linha que atravessa a folha, mas olhe para o horizonte, cadê a linha, ela é fruto de nossa imaginação.
Imaginamos que ela esta lá, aceitamos isso e não questionamos porque precisamos dessas ilusões para rechear de referencias nosso cotidiano.
Sem as referencias não viveríamos.
Não sabemos entender o tempo, o feirante que faz somas incrivelmente rápidas só sabe fazer conta de adição, não sabe fazer subtração, faça o teste, peça para o feirante fazer uma divisão ou multiplicação um pouco mais complexa, ele não sabe, ele usa as referencias de forma tão automáticas que elas se tornaram parte do feirante, assim como o tempo que ele leva para fazer isto ou aquilo e as memórias que ele tem mas não consegue resgatar as vezes.
Apropriamo-nos de conceitos filosóficos que não compreendemos, usamos por uma vida inteira sem questionamento e sem entender ao certo com o que estamos lidando.
Por isso nossos professores não cansavam de nos perguntar:
O quê pesa mais: um quilo de chumbo ou um quilo de algodão?

UM OLHAR



Coloquei a foto acima como fundo de tela em meu computador de casa prá poder ficar olhando fixamente para ele. É do personagem do filme Avatar.
Algo de muito importante que aprendi a fazer na vida, e que ensino prá minha filha, é olhar bem no fundo do olho das outras pessoas e manter o olhar pelo maior tempo possível, mesmo que isso se torne muito incomodo.
Esta atitude define quem você é e com quem você esta lidando.
É algo além de uma simples prova de força, ou um ato arrogante ou de provocação.
Acreditamos que o olhar de uma pessoa é sua alma, seu interior.
Não sei ao certo a razão, só sei que o olhar condena e mata.
Acreditar que o olho espelha a alma, é que faz com tenhamos medo de encarar. Na escola encarou arranjou briga na saída, isso era certo, porque na adolescência não se tolera ser olhado fixamente por ninguém.
Olhe fixamente para uma adolescente e ele vai falar na hora: - O que foi, o quê que você tá olhando?
Eles ainda não estão formados emocionalmente e entendem o perturbador olhar fixo como uma espécie de critica ao que pensam que são, porque eles sabem que não são bosta nenhuma mas tem que fazer um bruta esforço pra fazer de conta que são. Não suportam criticas porque sabem que estão numa fase de aprendizado e que não chegou ainda o dia da prova final, entende que a critica seria então uma deslealdade, por significar um julgamento antes da hora.
Encara então um garotão de 32 anos, sarado, tatuado, pitbull anexo, carrão reluzente, se ele falar: - - O que foi, o quê que você tá olhando?
Pode ter certeza, ele mora com os pais porque ainda não amadureceu o suficiente para fazer a prova final.
Afirmo então que a capacidade de olhar e ser olhado sem questionar traduz pura e simplesmente a maturidade da pessoa, sua serenidade em ser julgado, sua docilidade em não aceitar provocação e sua capacidade de entender que um olhar pode ter simplesmente nenhum significado.
Mas como são raras as pessoas que tem capacidade de apenas olhar fixamente por pura observação natural. Fica difícil passar batido diante de uma olhar.
Tornou-se então um convenção que:
1 – Se você conhece a pessoa e olha fixamente: é flerte.
2 – Se você é do sexo oposto e olha fixamente: é flerte.
3 – Se você é do mesmo sexo e não conhece a pessoa: é flerte.
4 – Se for um sarado, não importa o seu sexo: é flerte.
5 – Se for uma criança ou adolescente não importa o sexo: é pedofilia ou corrupção de menores.
6- Se for seu próprio filho ou filha: Fudeu, meu pai descobriu...

Voltarei a este assunto, em seguida, porque ele é muito longo e tenho muitas experiências para contar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

UM BOM EMPREGO











Dentre minhas tarefas profissionais esta resgatar animais silvestres que invadem a área urbana do loteamento. Se você assistiu Os sem floresta sabe mais ou menos do quê estou falando.
Hoje, sexta dia 8 de Outubro por volta de 11h estava eu, de camiseta preta, cuidando da vida de um preguiça macho. Veja a sequencia de baixo para cima, desde o resgate até a reintrodução na mata. Muito bom trabalhar assim.





APRENDENDO UMA VIDA EM 1 EMAIL


Andréa você me ensinou uma coisa em um email que em uma vida inteira eu não havia aprendido.
Muitas pessoas já me fizeram isso, nem sempre em emails, mas interessantemente nenhum livro me ensinou uma coisa assim.
Existem filmes no entanto que me deram toques primordiais.
Aquela coisa fundamental que serve como base sólida prá você, sobre ela, ir construindo todo o seu repertório de competências de viver.
Assim, alguns vivem e primorosamente definem de forma clara uma longa experiência que com uma frase, um sitação sucinta, nos ensina e marca, e dai seguimos com a etapa que se queima, muito mais fácil vida em diante.
Um filme genial foi O pai da noiva com o Steve Martin, outro foi o filme Gênio Indomável
com o Robin Williams, nestes dois filmes aprendi coisas que jamais conseguiria perceber sozinho.
Mas uma boa série de trocas de e-mails com a Andréa me deram na soma um toque absoluto e como disse primordial.
Eu tenho dito que estou perdendo o gosto por falar e retrucar, meu papel tem sido cada vez mais o de ouvir e aprender. E tenho aprendido.
É genial em Gerra nas Estrelas a figura do Yoda, um guardião de todo o saber numa figura asquerosa e sem credibilidade aparente. Estou perceptivo a isso, a perceber o saber, a maturidade a lição primordial onde ela seria mais improvável. E estou me dando bem.
Andréa, você é uma amiga de ouro. Já falei de você aqui, você é bonita e transmite calma.

NUNCA FUI SANTO


Lennon faz 70 anos.
Insano, louco, um poço de drogas e uma obra.
Vale a obra, a pessoa era trangressora demais.
Ultrapanssando a barreira de ser louco era além, muito além um cara agressivo, cruel e amoroso. Vale a obra e o amor que teve por Yoko, que acho no fundo foi só prá sacanear os outros com uma figura também tão fora do normal.
Baseado nas biografias que li e vivo lendo, nas comunidades que participo, cada vez me encanto mais pelo mistério e pela figura grudada a uma obra que eu não consigo decifrar ao todo. Mistura e confunde tudo o tempo todo. Algo não a frente do tempo como seria fácil dizer, mas para desnortear o tempo que é um pouco o que também gosto de fazer. Aprecio os transgressores culturais e sociais.
Vale a obra, vale até a forma como morreu, uma morte estranha e sem razão.
Parabéns a todas a viúvas de John entre as quais me incluo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PAVOR



É o que paralisa e faz andar para trás.
Quando foi a ultima vez que senti pavor?
Lembro de algumas vezes que senti pavor.
Quando eu era criança vimos da varanda da casa de minha avó um transformador de eletricidade explodir num poste. Era noite e o efeito ganhou grandes proporções. Era deslumbrante, mas minhas pernas ficaram moles e eu tremia muito, quando voltamos para cama foi difícil dormir.
Outro pavor foi pedir uma menina por quem eu estava apaixonado em namoro, eu não tinha mais escapatória, minha consciência e meu desejo impunham que naquele dia ou eu pedia ela em namoro ou deveria me matar. Tudo era fatal na adolescência, mas nem me matei, nem tive coragem de falar com ela, fiz mais um dos inúmeros papéis de idiota que faria ao longo da vida com as mulheres, até chegar um dia ao ponto de não ter mais medo de quase nada. Mas quando cheguei ao ponto, senti até uma certa vergonha de ter demorado tanto tempo para ter constatado o obvio, que a vida é apenas uma aventura, e que quem não se aventura não esta de fato vivendo.
Eu li, li muito na vida, e não aprendi nada com o que li.
Aprendi com as experiências que troquei com as pessoas.
Por isso depois de um tempo passei a ler menos e a conversar mais e depois de mais algum tempo passei a falar menos e a ouvir mais, e acho que estou caminhando para uma etapa em que vou sou ouvir e responder sem pronunciar. Vai ser o máximo responder com olhares, caretas e pequenos movimentos musculares do rosto numa linguagem puramente não verbal e com isso apavorar os outros.
E outro único episódio apavorante foi no mar onde uma imbecilidade completa me fez embarcar numa traineira de pescadores sem levar em consideração uma montanha de sinais que evidenciavam que todos ali iam se dar mal. Felizmente o mal estar era tão grande que eu já não dava mais valor à vida e até torcia para morrer logo, mas adivinhem... Não morri.
Poucas horas depois estava eu de volta a terra firme só que mais cambaleante que um ébrio.
Para nunca mais tirar os pés da terra.
Mas concluo que o pior pavor é o que sentimos diante das pessoas.
Já passamos por uma situação de extrema violência em que eu surpreendentemente não me apavorei nem senti medo, hoje me apavoro de lembrar que eu havia tomado a decisão de morrer naquele dia caso algum dos bandidos encostasse em minha filha ou mulher. Mas os bandidos sim estavam apavorados e sentiram o meu cheiro da morte, disto estou certo. É uma coisa indescritível, nós não podíamos olhá-los sob pena de sermos mortos (não iam matar ninguém, eram uns cagões que só entraram onde estávamos por conta de se drogarem, e não o faria de cara limpa), mas eles me olhavam, mas não diretamente, havia um receio deles, havia algo estranho. Fui a única pessoa a quem eles não dirigiam a palavra e nem chegavam perto, eu internamente pensava que a minha imagem era a de um enorme demônio vermelho e desproporcional, com chifres retorcidos e uns olhos esbugalhados enormes encarando-os com um sorriso apavorante que dizia sem pronunciar palavras: Venham para perto de mim para que eu os tome para mim, venham.
E eles, tenho certeza, viam isso que eu apenas imaginava em minha cabeça, essa era a forma que eu tinha naquele momento, eu era apavorante. A minha certeza gerava neles o pavor.
Eles andavam para trás.
Mas o pavor que me inspirou na escrever foi o pavor da escolha.
Escolher com seriedade uma pessoa é apavorante.
Saber que você vai causar algo na vida de uma pessoa para sempre, ou quase, é algo que mete muito medo. Em parte porque não nos preparamos nunca para as escolhas afetivas, e porque a escolha representa uma renuncia às outras opções possíveis.
Já imaginou você escolher o sabor errado de sorvete, ver todo mundo chupando um sabor diferente do seu e adorando e você odiando o que escolheu. É apavorante.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


NUNCA É NUNCA MESMO.
Pensei nos encontros que nunca acontecem.
Já pensei nisto antes, uma porrilhada de vezes.
É que tenho conhecido muita gente, tem muita gente desagradável que eu estou conhecendo e ocupando meu tempo e tem um monte de gente legal que eu poderia conhecer e/ou desfrutar melhor e isso não vai acontecer.
Veja que exemplo agora bem acabado.
No dia 9 de Setembro a atriz Elizabeth Savala fez uma apresentação em praça pública em Embu-Guaçu com sua peça Friziléia. A peça é ótima, teve um publico de mais de 2000 pessoas e foi maravilhoso o espetáculo tanto pela atriz, como pelo texto como pelo comportamento elevadíssimo e digno de aplauso do público.
Depois o acontecimento saiu nas paginas de um jornal da cidade e eis que numa fotiquinha pequenininha de nada eu me acho no meio da multidão e mais, olhando para traz. Mas estou inconfundível. Daí uma ou outra pessoa foram me falando eu também estava lá, eu também fui lá.
Cada uma estava num ponto diferente mas todos no mesmo lugar sentindo as mesmas emoções mas não nos encontramos.
Agora vejam, são pessoas das quais eu gosto muito. Muitas eu convivo diariamente com grande prazer, mas naquele evento não combinamos de ir juntos , tivemos a mesma idéia e no entanto não nos encontramos.
Ou seja, imagine quantas outras pessoas estariam lá com as quais eu teria absoluta afinidade mas nunca as desenvolverei como amigas.
É estranho, saber que existem mas que nunca farão parte de minha vida, mesmo estando ao alcance.
Né?

BIENAL DE DOIS EM DOIS ANOS



Minha história com a Bienal de São Paulo é gostosa.
Já na adolescência ia sozinho ao Ibirapuera e anda solitário pelos enormes corredores, solitário mesmo porque na década de 70 e 80 ninguém ia na Bienal. Em pleno sábado a tarde você anda só pelos corredores.
Vi coisas deslumbrantes, e formei ali boa parte do meu gosto por instalações e obra tridimensionais e pouco convencionais.
Pena que não sei mais como rever as obras dá época porque não guardei na memória os nomes dos autores.
Algumas coisas foram marcantes, como um artista que fez ondas com milhares de revistas, ondas que engoliam tratores de verdade e outros objetos dos quais não me lembro, alias esta postagem na verdade deve ser sobre minha falta de memória. Ou um enorme quadro de uns 8 metros de altura por 5 metros de largura cheios de bonequinhos feitos de fios de naylon enrolados e que pareciam estar enforcados, era de um venezuelano e foi a sensação daquele biênio. Outro fazia sobre uns painéis de dois metros quadrados numerações continuas, eram dezenas de quadros e os números tinham perto de um centímetro de altura, portanto havia milhões de dígitos naquela instalação algo dantesco e como se não bastasse o artista ainda gravou sua voz lendo todos os números e a gravação rodava o tempo todo. Acho que alguém mais maluco ainda iria conferir se a numeração estava certa. Outro enrolou bisnagas de pão em, pasmem: jornais, e não papel de pão e fez muros e mais muros que preenchiam grandes espaços. Um genial que nunca esqueço fez um enorme quadro branco com uma espécie de pirâmide em relevo bem no centro e dentro dele saia uma plantinha de verdade com duas tenras folhinhas verde clarinho, uma preciosidade. E uma fez uns quadros com essas molduras bem clássicas e havia uns bonequinhos parecidos com gnomos sentados nas molduras, bonequinhos de verdade umas gracinhas, não me lembro o que ele pintou nas telas mas ele escreveu numa tabuleta ao final: O difícil na arte é lavar os pincéis.
Tremenda verdade.
Este ano vou com dois especialistas em arte visitar a Bienal nos próximos dias. Faço questão de ir acompanhado desta bagagem técnica. Meu amigo Tio Jô e meu amigo Sergio que me trouxe ontem de Paris ( puta esnobação barata esta minha aqui ) uma boena francesa que pretendo usar nos meus vortejos pela bienal com um ar francês pedante.
Mas quero mesmo ver é a obra do Gil Vicente, o cara que mostra o Lula com a faca no pescoço, a arma apontada para o Papa e para a Rainha Elizabeth, FHC com uma arma na cabeça e tantas outras autoridades em situações limites. Genial, genial, genial.
Em meu outro blog escrevi um continho que se passa num tribunal onde há uma explosão de fúria. Eu tinha a chama o Gil Vicente teve a idéia perfeita e acabada, e tem uma tal de OAB achando que as obras dele não podem ser expostas. Mais que puta falta de sacanagem!!!!

A ESCOLHA



Há alguns anos reencontramos os amigos da faculdade de publicidade e propaganda. Vinte anos depois de formados muitos não estavam na área e muitos nunca trabalharam nela.
Onde erra uma pessoa que faz um enorme sacrifício para concluir um curso superior e depois não consegue exercer a profissão?
No reencontro soube que um dos colegas fez depois de formado, o curso de engenharia e se firmou numa montadora na nova carreira. Uma outra estava bem sucedida com distribuidora da Natura, um outro era dono de uma produtora de vídeos, outra virou jornalista, outro mais tarde se formaria em ciências políticas na USP ( acho que foi isso ) para continuar sua carreira de assessor parlamentar, outro se tornaria um feliz prestador de serviços de manutenção geral, um outro seria um competente gerente nacional de vendas no ramo de movimentação de cargas, uma apenas cuidaria do pai doente, outro seria dono de Buffet, outro trabalharia num grande jornal de São Paulo eu seria administrador de empresas por muitos anos até me tornar um faz tudo e depois um artista inconstante.
Ralei, ralei muito para pagar a faculdade basicamente foi as custas de muitas horas extras num trabalho medíocre, numa empresa medíocre, cercado de gente medíocre e não vi a compensação para tanto sofrimento.
Hoje aos 52 anos se tivesse que escolher uma nova profissão certamente erraria de novo. Eu de fato nunca descobri o que me entusiasma de verdade profissionalmente. Acho que gostaria de ser astronauta ou vigia de torre de telefonia celular. Me apetece ficar só, ganhar dinheiro certo no final do mês sem ter que olhar para a cara do público.
Mas, se com toda a bagagem de vida que tenho não me sinto apto a escolher novamente, que dizer da garotada de hoje.
Com esse leque de profissões que ninguém sabe para que servem mas que rendem fortunas, tipo: Marketing de logistica bancária internacional para reestruturação de carteiras deficitárias – nível III.
Puta empregão, R$ 30.000,00 por mês mais carro zero abastecido, participação nos lucros, 14° salário e viagens bimestrais aos Estados Unidos. Quem criou sabia o que estava fazendo. Poucos candidatos aptos, cargo inextinguível, se cortarem a vaga no organograma o banco quebra, de tão complicado o oficio ninguém se mete a besta em fazer qualquer questionamento. E mais: é nível III, inquestionabilissimo.
Muito melhor que ser astronauta ou professor.
Pensando bem, todas aquelas criançinhas que diziam que queriam ser professores acabaram se tornando e olha no que deu.


Pombas que postagem mais azeda... meu, ta rançoso.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MAIS DO MESMO.


Nas postagens anteriores me referi a coisas não consumadas ou mal consumadas.
Especificamente sobre a morte de Flávia, quero complementar meu pensamento, pois fiquei pensando no que escrevi e muitas outras nuances surgiram.
Primeiro lembrei que quando, no ano passado, perdemos nossa amiga Meg aos oitenta e tantos anos, nem por isso achamos que já era a hora justa de sua partida, porque ela vivia plenamente, desfrutava com intensidade a vida e não fosse um enfermidade de última hora teria viajado a Los Angeles sozinha para visitar algumas amigas aos 82 ou 83 anos de idade.
No caso dela esperávamos sua morte porque seu quadro foi ficando grave. Não houve velório e ela foi cremada. Eu nunca havia ido a uma cerimônia de despedida antes de uma cremação. O caixão não foi aberto, não a vimos morta e ficou algo sereno mas incompleto. Como também queremos ser cremados aqui em casa, apenas pensamos em dar uma personalizada naqueles últimos minutos que os parentes e alguns amigos ficam juntos da gente, embora sem nos ver, tocando uma trilha sonora de rock. Prá Regina vai ser Khasmir do Led Zeppelin e prá mim vai ser algo do Pink Floyd e Aerosmith, melhor eu escolher logo.
Sabemos que ficaremos incompletos, porque aqueles momentos de sofrimento do velório expurgam do interior da pessoa os sentimentos gerados pela certeza do fim da presença daquela pessoa em nossa vida ( no meu caso talvez eu esteja falando de alivio nos outros ).
Resumindo: é preciso vivenciar plenamente o momento da morte de alguém para poder tocar a vida em frente.
Segundo, volto a Flávia, ao Playcenter e ao celular no velório da mãe.
A garotada achou um caminho alternativo ao sofrimento.
Em minha plena maldade acredito que nossas crias apenas encenam.
Desesperam, levam a emossão ao limite, explodem em lágrimas, abraçam e não largam quando se encontram no velório da amiga querida e fazem o mesmo no TurboDroop do Playcenter. Fica difícil de saber se estão sentindo ou se estão dando um realce em suas emoções para mostrar que também sentem, existem e precisam ser notadas.
Calamitosa dúvida, eu deveria ter mais certezas a esta altura de minha vida.
Dúvida, será que é dúvida?
Dê um celular prá garota, não precisa ser necessariamente no velório da mãe dela, ela explode de alegria, uma semana depois já esta de olho em outro modelo. Absolutamente infeliz pela falta de up-grade semanal ela se torna uma pessoa já sem esperanças na vida. De quê vale viver anônima dentre 6 bilhonzes de cerezumanos.
Eis o ponto. O anonimato, nenhum deles aceita o anonimato e na impossibilidade de ser Justin Bierbe ou Lady Gaga precisam ter algo prá mostrar, pode ser um falso pesar, um celular novo, uma nova cor no cabelo ( Mary não é com você ), ou uma nova peça de roupa ( menos a calça; a calça é uma peça de roupa que elas não trocam nunca, elegem uma não sei por qual critério e só tiram, ai sim com profundo e verdadeiro pesar, quando a danada esgarça toda ).
Deus tem um propósito para todos vocês e eu não falei isso, apenas ouvi, achei interessante e repito sempre como castigo aos crentes. Tinha um propósito prá jovem morta, para minha amiga que embora muito idosa deveria ter vivido mais e tem um propósito para as/os adolescentes que acreditam que esta não é a única vida. Portanto a amiga nada mais fez que cumprir uma etapa.
Ora, se temos que cumprir etapas por propósito divino, por que temos que sofrer ao final de cada etapa, vamos juntos ao Playcenter.
Sentimentos não maturados são como pão não fermentado, como conhaque não envelhecido, como queijo não curado, como tinta não seca. Não estão prontos, e assim seguem até desembocar imaturos na maturidade, incompletos sem ter vivenciado com profundidade as coisas, sem ter arrastado uma dor como fazem os lusitanos – por toda uma vida – sem apurar a essência como fazem nossas avós com os doces gostosos. Ao invés de nos tornarmo-nos especiais dentre os 6 bizilhilhões de cerezumanos, tornamo-nos apenas mais um numerozinho ridículo e dispensável. Mais um no balcão da Vivo comprando um celular, mais um a chorar lágrimas oportunistas de sentimentos de duração curta, curtíssima.
Aqui termino com tristeza, incerteza. Constatar que com tudo que oferecemos de bom aos filhos eles preferem, no entanto, não o conteúdo mas apenas a brilhosa e vistosa embalagem.

sábado, 25 de setembro de 2010

ELA BUSCA A CERTEZA...


... mas não vai encontrar. Mergulha no misticismo, cisma, conversa com os outros em busca de apoio e confirmação de suas crenças. Tem um cinismos reciproco em tudo isso e um tal desejo de ser enganada. Ser enganada consentindo é bom, é a essência da paixão. Mas em um determinada fase da vida não desgarramos dos sonhos nem debaixo de porrada. Importa sonhar, não importa a realidade. A realidade atrapalha.
O tempo corrói, e sorrateiro arma por trás os cenário da ilusão um mundo onde a realidade parece sonho, mas quando você olha no espelho vê que a marca não some com o despertar. Ela é de verdade, suave mas vai se aprofundando, e você não encontra mais tão facilmente o caminho do sonho, prá dopar os sentidos e aliviar a dor.
A marca fica, o cenário dissolve e você cai na real. Pô ferrou, marquei.
Mas passa, tudo passa, incomoda mas passa.
Um dia as marcas viram troféus de batalhas travadas.
Bem inglórias vamos ser honestos, porque quem batalhou sonhando não merece lá muito louvor. Mas como as coisas se confundem e no final todo mundo é malandro, sabe que também ganhou sem lutar, perdeu menos que merecia perder e tem lá uma dose de compaixão, o mundo segue.
Mas não é que lá no começo do final da vida, começa a voltar a vontade de dopar novamente a realidade e dizer que tudo pode e tudo esta bem mesmo descaradamente não estando.
Que eterno retorno.
Mas a falta de certeza levaria ao desespero não fosse a possibilidade de sempre estar cobrindo tudo com o pano grosso onde são pintados os cenários.
O vento fresco no rosto serve prá saber que a certeza é menos importante que momento vivido.

MUITO DELICADO


Sábado a tarde tocou o telefone em casa e a noticia foi chocante.
Flávia, de 13 anos, colega de sala de aula de minha filha havia deitado para dormir na sexta e não despertou mais. Estava morta.
No domingo gelado, não me lembro de ter enfrentado um vento tão gelado em minha vida, mas num cenário lindíssimo,um tristeza de dimensões além da compreensão humana.
Pior, havia uma carta deixada para as amigas, um grupo de 5, dentre elas minha filha.
A carta entregue na quinta um lamento sobre a separação do grupo que ocorreria em breve, na verdade uma das amigas se transferiu de escola e outras duas vão mudar no final do ano, e com isso o último ano, que será em 2011, seria triste e incompleto, elas não se formariam juntas.
Caiu como uma bomba, uma premonição.
Muito desespero, muitas lágrimas, a carta correndo de mão em mão.
Sexta feira seguinte, ontem, excursão para o PlayCenter.
Uma farra, nunca se divertiram tanto nas Noites do terror.
E olha que na quinta deu pau num dos brinquedos e saíram 15 ou 16 crianças feriadas uma com o nariz quebrado... pensa que alguém pensou em desistir.
Meia noite e vinte chega o onibus, crianças eufóricas, outro friozinho de doer.
Quem se lembra da Flávia?
O que tem dentro do coração dessa criançada?
Quem se comoveu de verdade com a dor da mãe dela? Com o arrumar a cama onde a filha nunca acordou...
Dê um celular novo prá uma adolescente durante o velório da mãe que ela sai pulando de alegria.
Foda né?

PERDÃO ESTA NA MODA.


Hoje o tema é perdão.
Mais precisamente perdão negado.
Mais precisamente ainda se encher o saco de perdoar e resolver abandonar a amizade que insiste em não funcionar direito.
Pois é assim, você tenta anos seguidos, mais por uma questão de pura bobeira, manter aquela amizade que não é dispensável, óbvio, mas pede o tempo todo prá ser.
Devemos ter apenas amigos de todas as horas?
Devemos selecionar os amigos?
Se temos que selecionar, são amigos de verdade?
Quando você se aborrece ao lado de uma pessoa, ela é uma amiga?
Resposta prá número 1: Não, devemos ter vários tipos de amigos.
Resposta prá 2: Não, não é justo selecionar, devemos é não mergulhar tanto.
Prá 3: Sim, não somos 100% prá ninguém nem temos como ocupar o tempo e a atenção integral de ninguém.
Finalmente 4: Sim, mas mantenha distancia sempre que se aborrecer, tire férias dos chatos, mas que nem por isso são menos importantes, são menos amigos.
Amizade, casamento, filhos, emprego, Natal, tudo um dia cansa.
É arte, pura arte, manter acesa a chama, manter o vigor das coisas.
Arte é sacrifício, todo artista faz sacrifícios, a arte é o extrato do sacrifício de alguém. A arte é artificial, temos que ser artificiais em alguns momentos para manter coisas como Natal, emprego, filhos, casamento, amizade... não convém abandonar... não convém levar a sério, não convém fazer os outros perceberem e sofrerem porque nós não estamos bem com essas coisas.
Férias dos amigos chatos e aborrecedores...
Esquivar-se do casamento pro algum tempo, prá sentir saudades ( que bobeira ) e depois voltar revigorado...
Filhos soltos, fazendo o que bem entendem...
Emprego levado de barriga, muita simulação e nada de confusão...
Natal como se fosse copa do mundo de 4 em 4 anos...

PEDIR PERDÃO BAIXINHO NÃO VALE


Não tem sido fácil.
Mas estou crescendo.
Fui usado como palanque eleitoral por um conhecido que em público me tratou rispidamente. Respeitei pois sabia que ganharia se não cometece o erro de descer do salto. Mas queimei por dentro.
O caso é que o conhecido é político, com cargo de primeira linha na sucessão municipal, e usou de uma situação para a seu ver defender seus eleitores. Mas fez encenação as minhas custas prá se auto promover. Entendi de pronto o jogo e não dei combustível para a fogueira.
Passados alguns dias, nos encontramos e tivemos uma conversa bastante cordial onde ele reconhecia que havia errado. Acertamos, zeramos e eu concluí que o melhor era realmente não dar mais importancia ao fato.
Mas como máteria de filosofia o caso vai ficar vivo por muito tempo.
Uma coisa é pedir desculpas, outra é pedir desculpas na mesma proporção da ofensa.
Ofende em público, mas pede desculpas reservadamente, tá certo?
Tá não. O reparo tem que ter a mesma proporção do erro.
Carimbei na testa dele: OPORTUNISTA.
E nunca mais apago isso.

sábado, 18 de setembro de 2010

BATA AQUI


Restaurar um pelourinho seria bom.
Vindo pela manhã para o trabalho, aconteceu o que toda hora acontece, um carrão potente, zerado e brilhoso tentando impacientemente passar por cima de mim com meu pau velho.
Fico imaginando a frustração do motorista que lutou prá chegar num sonho.
Quanto trabalho, quanto suor, quanta energia e quanto sapo engolido prá chegar ao valor necessário para adquirir uma super maquina, um verdadeiro brinquedo de gente grande.
Adquirido o carrão é frustrante sair na rua e ver que um cara que não sonhou igual, não lutou tanto, não tem um carrão com a mesma potência fica na frente impedindo que a maquina desenvolva toda sua potencia e rasgue o chão.
É um absurdo a forma como a sociedade é organizada. Só os bem sucessedidos deveriam ter o direito de sair as ruas, e levantar a poeira que deveria ser comida pelos fracassados, que deveriam, estes sim, estar andando a pé na beira da estrada que é o lugar que lhes cabe.
Ofende não poder correr, não poder mostrar ao mundo que o sucesso esta convertido numa maquina insuperável, fria, desumana mas com um ronco no motor de causar medo e inveja.
Deve ser chato mesmo ter dinheiro sobrando e não ter alma para fazer bom uso dele.
O turbilhão interno que se forma pela revolta em ver que o dinheiro que temos não consegue comprar um mundo ideal, sem as pessoas que nos incomodam tende a vasar para o ambiente da amargura, frustração e revolta, tudo isso junto vira um arroganciazinha dificil de conter.
Dai com o excedente de caixa pensamos: seria bom poder comprar um pelourinhozinho prá poder descarregar minhas frutrações em chibatadas nas costas dos que frustam a completa realização de meus sonhos.
Só que não podendo, porque não pode mesmo, porque dá rolo, cadeia, manchete no jornal, bater em alguém de chicote estando este alguém acorrentado a uma estaca ou haste de pedra especialmente confeccionada para este fim.
Então resta o pelourinho imaginário onde você transforma o chicote em palavras e açoita a primeira vitima que encontra pela frente.
No final não vem alivio mas mais revolta, a coisa rumina, a coisa fermenta e vasa.
E o fel aumenta e o turbilhão transforma o sonho frustrado em amargura, azedume e a pessoa segue achando que ela é normal e vitima e que o resto do mundo é levemente indolente, insolente, preguiçosa, incapaz, incompetente e que porra... como é que Deus pode errar tanto assim?
Por favor, não cruzem os sonhos alheios.
Não andem na estrada no lugar de quem fez mais que você por merecer aquele lugar.

A foto que ilustra esta postagem é do fotografo brasileiro, paulista Gabriel Wickbold, que tem uma obra excepcionalmente bela e merece ser vista.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CLIMA QUENTE


Resolvi lançar mais um blog, agora sobre a vida em condominios.
Tornou-se inevitável, pois estou trabalhando em um e acho que vou poder ajudar muita gente a entender a mecânica da coisa vista pelo angulo de quem oprime... hora essa...
quem disse que a administração, o sindico ou o porteiro oprimem? Todo mundo.
Ontem rolou um tremendo clima quente e eu bem no centro.
Do alto dos meus 35 dias de emprego enfrentei uma situação bastante critica e não me curvei à inflexibilidade do reclamante. Clima cada vez mais quente, ao terminar o atendimento fui surpreendido com a presença de três seguranças em formação na porta da sala onde eu estava, prontos para invadi-la para garantir minha integridade física.
Isso não é bom. Mas verão que o foco de minha conversa é e será a falta de comunicação entre as partes e a investigação de qual a motivação dessa falta.
É grave, tem muita água prá rolar, tem muita piada prá contar, tem coisa séria prá pensar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

BOAS OPORTUNIDADES


Olá a todos.
Tenho encontrado boas oportunidades.
A maioria de ficar calado.
Algumas de fazer algo de legal na vida.
Mas também tenho conhecido muita gente nova.
Algumas, muito poucas, muito legais - e é impressionante que sempre que estou meio descrente da raça humana aparece alguém prá contradizer minha crença.
Básicamente tenho conhecido pessoas com problemas insolúveis de comportamento e de desvios de idéias ( ? ).
O quê estarei querendo dizer com desvios de ideias?
Desvios de idéias, são idéias baseadas em erros escancarados de observação.
Pessoas que não sabem distinguir a realidade e que por uma falta total de habilidade em usar o cerebro deixam brotar patetices ridículas e além do mais saem falando as babaquices qie pensam.
Fico tão inseguro de poder estar sendo influenciado por tanta mediocridade que, como disse, tenho procurado ficar calado, prá não sair replicando asnices.
Como sempre, andei limpando as gavetas e colocando prá correr aquelas pessoas chatas que sugam e nada dão em troca ( ninguém ligado a este blog, não encuquem, eu não seria tão sangue ruim assim ).
E com isso entrou mais luz em meus olhos.
Sabe aquele alívio que você sente quando se livra de alguma encrenca grande.
Pois é...
Estou assim.

domingo, 16 de maio de 2010

RESSUSCITEI

Tenho lenha seca aos montes guardada em meu depósito e também na capela que tenho em minha propriedade. Toda lenha esta cortada e tamanho não maior que 30 centímetros e esta semana fez um enorme bem para todos nós acender a lareira com lenha tão prática e sequinha.
É isso, ao invés de escrever na internet agora corto lenha.
Eu estranhamente parei de ter uma ideia de postagem atrás da outra como tinha anteriormente.
E isso merece uma avaliação.
Primeiro que a minha conexão de internet proporcionada pela Telefonica era tão ruim que eu preferi ficar sem a continuar sofrendo e passando nervoso.
Segundo que sabendo que não seria mais tão comodo escrever parei de me preocupar com a coisa e bloqueie o canal de criação.
Terceiro que para não sofrer a falta do contacto com o universo todo dos blogs passei a pensar e me comportar de forma mais rudimentar tipo um ser pré historico linha Ugli-Ugli. As atividades básicas de um Ugli-Ugli são: cortar lenha, carregar lenha, estocar lenha, vigiar a lenha e usar a lenha. Fiz e faço isso com perfeição. Também mato cobras. Detesto matar, mas quando querem entrar em meu banheiro não sobra muita opção. Alias o Butantã, famoso centro paulista de produção de soros e vacinas ardeu, e nessa ardura queimaram 85.000 cobras ( mortas ) e 450 escorpiões e aranhas ( também préviamente mortos e conservados para estudos ).
Aquilo que esmagamos sem maiores consequencias era a vida de muitos pesquisadores que agora lamentam a irreparável perda.
O prefeito Gilberto Kassab resolveu jogar entulho em meu portão.
Ele deve achar muito engraçado tapar os buracos de minha rua com entulho de obra.
Ouvi o caminnhão da prefeitura descarregando a carga num cratera bem em frente ao meu portão. Vi e lamentei, com os operários não adianta falar nada.
Recolhi amostras: Um caco de telha de amianto, um caco de telha de cerâmica, uma pedaço de metal do tamanho da tampa de um pote de margarina, um sola de botina, dois pedaços de madeira, sacolas plásticas, um pedaço de acrílico transparente que pensei fosse um vidro plano.
Vou lacrar tudo num saco plástico, colher o testemunho de três pessoas minha conhecidas que irão lá ver o local e vou encaminhar denuncia ao Ministério Público, afinal, duvido que sua excelência teria a coragem de tapar com entulho uma cratera na Rua Oscar Freire, ou na Avenida Paulista, ou no Viaduto do Chá com Rua Líbero Badaró onde fica a sede da prefeitura.
Jogar entulho na rua é passível de multa pela prefeitura, então por que a prefeitura de São Paulo faz tamanha barbaridade. Senti-me profundamente desrespeitado e vou querer a reparação do dano. O Sr. Prefeito que ache outro local para jogar seu entulho e trate de fazer na porta de minha casa o trabalho que eu lhe pago para fazer.

sexta-feira, 12 de março de 2010

ZERAR OU FIXAR.

No final dos anos 80 uma colega de serviço passou a se aproximar de mim para que eu service de ponte entre ela e um outro colega meu por quem ela mais tarde me diria era apaixonada.
Quando o esquema todo ficou claro eu disse a ela duas coisas: uma, que ela estava disputando com um monte de outras pessoas que também queriam o cara e outra que ela também era alvo de uma outra pessoa que gostava dela e nunca havia se declarado.
Ela ouviu a primeira e me pediu ajuda e esqueceu a segunda parte.
Acabamos com isso ficando mais amigos, ou mais do que colegas e um dia conversamos longamente sobre a questão dos por quês da história toda.
Ele, na opinião dela, era único, bem vestido, firme nas colocações, distante com um ar de mistério, bonito ( não era mesmo ), atrevido, engraçado e um monte de outras coisas que na verdade eram pura fantasia da cabeça dela. O cara era casca quando tinha que ser, as roupas estavam meio fora de tamanho e moda, as piadas eram grosseiras e a tal distância era a mais pura arrogância. Fiz ela ver tudo isso mas ela não viu, apaixonada e cega seguiu firme e forte em seu plano de conqusita-lo.
Passei a cuidar da outra parte, falei para o colega que gostava dela prá atacar porque eu achava que ele teria alguma chance se ocupace o espaço afetivo não correspondido. Deu parcialmente certo, porque saimos todos juntos e depois eles sairam juntos algumas vezes. Mas a coisa não firmou, o cara se desencantou quando a conheceu mais de perto e viu que não era a pessoa que ele queria para ele. Saiu e sentiu que era chata. Ela como não teve uma oportunidade de se tornar mais próxima de seu objeto de desejo continuou com a imagem intacta na cabeça.
Mas eis que surje um outro pretendente para ela e em poucos meses estão casados.
Fiquei meio distante neste período, mas para minha surpresa depois de alguns poucos meses de casada como ela continuasse a trabalhar comigo perguntei como estava a vida nova e ela me disse que estava bem, mas que continuava apaixonada pelo outro.
Quase caindo da cadeira e não escondendo minha indignação para com ela, perguntei como ela tinha coragem de se meter numa situação daquela? Resposta idiota para uma preocupação inconveniente e idiota minha também. Era assim porque era assim foi a resposta dela. E mais agora ela se achava mais a vontade para atirar-se sobre ele e trair o marido. Ela havia ganho uma desenvoltura notável com o casamento. Passei a falar menos com ela e a me policiar para não fazer parte de mais nada já que as regras agora eram outras e bem claras.
Com isso não tenho um final para contar-lhes, mas tenho comentários a fazer.
Não foi o primeiro caso de forte fixação que conheci. Houve um caso muito mais doentio de um colega em outra empresa que não conseguindo conquistar a garota de seus sonhos, também colega de trabalho, achou entre as outras colegas que tinhamos, uma, que por sinal era uma menina linda e de forte personalidade embora muito doce, que tinha algumas semelhanças fisicas e nenhuma outra semelhança de personalidade ou comportamento com a amada original.
Mas ele não viu nada disso e se apaixonou pela clone sem no entanto deixar de ser apaixonado pela outra. Parecia que ele estava aguardando que algo acontecesse e ele poderia então fazer a escolha de seus sonhos, trocar a clone pela original. E aconteceu, a clone botou um tremendo chifre nele com um amigo dele, que sabendo de detalhes demais sobre a clone achou varias brechas e não perdeu a oportunidade. O meu colega acabou sendo avisado e até levado por um grande amigo nosso, um senhor idôneo e de boas intenções, que o levou à cena do crime e ele vendo a clone nos malhos com o seu grande amigo preferiu não ver nada para não ficar sem a duas e casou-se com a clone. Poucos souberam dessa odisséia toda, mas o resultado é que ele aprisionou a clone num apartamento no centro de São Paulo, e tocou a vida com um casamento mediocre e uma paixão não correspondida por outra pessoa para quem mandava flores, bombons e bilhetinhos anonimamente depois de casado.
Fixações de todas as espécies passaram pela minha frente e eu mesmo volta e meia me via enrascado em alguma delas, eu também tinha a facilidade de me apaixonar pelas pessoas e pelas coisas. Mas depois de algum tempo, penso que num determinado momento, me toquei e mudei a regra do jogo, passei a usufruir do que era possível nas pessoas e nas oportunidades. Meio leviano segui flertando com as possibilidades e já não tendo aquele peso e aquele sofrimento próprios da adolecencia. Mas isso não aconteceu exatamente no final da adolescencia, aconteceu com algum retardo, não muito. Mas passei a identificar de forma mais clara os casos patológicos de fixação e posseção. E sempre que pude dei um toque. Mas algumas pessoas como no exemplo do primeiro caso se fecham às novas oportunidades de conhecer alguém e buscar uma felicidade alternativa. Ficam tão fixas na primeira opção que passam a perder todas as outras possibilidades, e mesmo estando diante de alguém melhor não conseguem ver este melhor. E assim ficam sofrendo o amor não correspondido e não correspondendo aos pretendentes.
Acontece também em relação a consumo e outras possibilidades onde transitam sentimentos.
O medo de não conseguir é tão grande que a pessoa concentra toda sua energia naquele objetivo e se fecha para todo o resto. Mesmo sendo o resto muito melhor que o objeto da paixão. A troca é burra.
Na verdade o erro é pensar que só porque a pessoa quer algo, tem direito a ele, e também pensar que tem alguma coisa, quando não tem nada na verdade, pois o desejo é algo abstrato e por mais investimento que se tenha feito no sentimento este sentimento nada mais é do que sonho e se evapora a todo momento. Sonhando então que esta acumulando um patrimônio sentimental e que isso um dia se materializará em um bem físico afetivo que enfim virá, a pessoa passa pela vida, se torna perdedora e um dia a ficha cai.
Todos os despresos e descuidos então se tornam claros e a pessoa se pergunta: - Como foi que eu não vi isso?
Frustração, ódio e porre, consigo, com o objeto do desejo e porre de vida mesmo.
Apaixone-se mas mantenha um pé do lado de fora, entregue-se 99%, deixe um por cento de lucidez para te prender a realidade e se necessário te resgatar da burrada completa, não deixe que ela seja completa, seja parcialmente burro apenas.
Soluções alternativas são menos condenáveis que desperdícios totais.
Minha colega resolveu investir num adultério para sentir o gosto daquilo que tanto queria.
Não saberemos se isso se realizou.
Meu colega resolveu investir numa farsa onde só ele era iludido para sentir não sei que gosto, mas me pareceu ser o gosto do ódio por ele mesmo.
Ambos buscaram alternativas estranhas aos invés de zerar e reiniciar como fazemos com o computador quando tudo parece estar dando errado.
Eu acho que o zerar fere mais, mas é muito mais apropriado quando visto no conjunto da história de uma pessoa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O FUTURO É O QUE VIRÁ.

Numa comédia chamada "Alguém lá em cima gosta de mim", um funcionário de um supermercado é contemplado com uma visita de Deus, que é interpretado pelo ator George Burns.
O cara então pergunta para Deus se ela sabe o que vai acontecer no futuro e ele responde:
- Sim, no exato momento em que ele se torna o presente, como todos vocês.

FAVOR NÃO MEXER.

Alguns lugares são especiais e devem ficar intocados.
O conforto consome a beleza.
Mudar para melhor na maioria das vezes é destruir o bom. E o sonho de melhor, mal formulado, engana e tira a oportunidade de sentir o especial, o deslumbrante.
Tem coisas que não podem e não devem ser tocadas, mudadas.

sábado, 6 de março de 2010

ANARQUISTAS RUSSOS

Em 1982 fui com duas amigas assistir um filme num Sábado chuvoso no Cine Belas Artes e na saida entramos numa pequena livraria no finalzinho da Av.Paulista e lá me encatei e comprei um livrinho editado na espanha chamado: Os Anarquistas Russos de Paul Avrich. Cheguei em casa e comecei a ler o livro em castelhano e fiquei mais encantado ainda. No dia seguinte fui a casa de uma amigo no Ipiranga e levei o livro dentro de uma bolsa de jeans que tinha.
Quando saimos da casa dele meu carro havia sido aberto e tudo que havia dentro dele tinha sido roubado, e no pacote o livrinho. Que perda.
Depois de alguns meses achei outro exemplar e comprei, tenho até hoje e é delicioso ler os sonhos inatingíveis dos anarquistas. Quando me sinto meio agoniado com o estado opressivo ( que papo mais anos 60 ), leio o livrinho para me lembrar o que é sonhar. Aquele negócio de acreditar que é possivel mudar tudo não deixando nada sobre nada e transformando uma sociedade arruinada numa sociedade perfeita e repleta de boa vontade. Soa ingênuo o tempo todo, mas também você percebe que o cerumano ainda é o mesmo de 150 anos atrás e que uma vida mais humanizada esta sempre potencialmente ligada ao ponto por onde a sociedade deveria escapar deste enrosco que se enredou. Num dado momento no livro tem uma frase deliciosa ( para mim; e adaptando para algo mais global, já que ela trata da Russia do final do século 18 ) : "...oscila entre dos mundos, uno agonizante y el otro sin fuerza suficiente para nacer" ou " ...oscila entre dois mundos, um agonizante e outro sem força suficiente para nascer".
É isso é exato e cabível para o dia de hoje. A sociedade perdeu a capacidade de mover para fora dela as coisas que não lhes são adequadas. Grandes movimentos sociais gritando por mudanças.
Quem sabe dizer hoje o que esta errado e o que deveria ser mudado? Que bandeira assumir? Ao lado de quem se alinhar sem ser enganado e usado?
Falta justamente este conteudo, a clareza que faz com que se saiba onde colocar a energia e criar a força que precisa existir para mudar. Inexiste a força porque ninguém sabe o que precisa ser feito para matar a sociedade que agoniza mas não esta ferida de morte, e vai ficar muitos séculos girando em torno do nada e não proporcionando nada de bom para ninguém.
É chato chegar a um objetivo num instante, êpa... esta frase tem dono e é de um anarquista celebre: Raul Seixas ( mas pode ser de algum parceiro musical dele ). Mas é muito mais chato não ter um objetivo a que chegar.
Hoje os objetivos são todos individuais ou de pequenas comunidades ou grupos familiares.
Não tem nada movendo a sociedade como um todo, tá pobre de sonhos e de objetivos a humanidade. Estamos num vácuo de sonhos e assim não se potencializam possibilidades de mudança.
A história vai nos rotular de culturalmente pobres, e somos.
Nossa cultura social é a de obter satisfação individual e o que é pior, de se satisfazer com pouco, e pior ainda, esse pouco é fútil e banal, não vai além de um bem pouco durável tipo um celular.
Enquanto isso alguns mais espertos, mas não mais felizes, deitam e rolam acumulando e concentrando a grana e tornando a todos nuns sonhadores fracos e ingênuamente felizes.
Um celular serve para bem pouco além de simplesmente tê-lo, é fácil obte-lo e é chato chegar a um objetivo num instante.
Um dia chegara em que os anarquistas derrubarão todas as antenas de celulares do mundo... pô, isso sim é um sonho. E as pessoas deixarão de falar abobrinha no telefone só prá mostrar que tem um e passarão a falar pessoalmente com as pessoas, nem que prá isso tenham que atravessar a cidade, mas só o farão para falar coisas relevantes, até porque ninguém é besta de ficar atravessando uma cidade prá ficar de conversa mole... ou sim?

O QUE É BOM É PRÁ SER MOSTRADO.

Este vaso sanitário é muito bom.
Você lava a roupa e enquanto isso pode largar um barro tranquilamente.
E mais, depois ainda dá a descarga com a água utilizada na lavagem com grande economia para as despesas do lar.
Economiza tempo, água, sabão para lavar o vaso, pedra sanitária e acho que até papel higiênico ( não é possível que não tenha um esguichozinho embutido em algum lugar, com a vantagem de vir com amaciante e odor de flores do campo ).
É bom demais.

O PIOR CEGO É AQUELE QUE É BURRO.

Este local é onde alguns anos depois seria construída a Marginal Tiete. O Rio é o Tiete e a cidade ao fundo é São Paulo em 1960, provavelmente entre Janeiro e Março.
Insistindo no erro foram alargando e afundando a calha do rio, construindo piscinões, instalando bombas dágua e armando uma estrutura cara, infrutífera e burra.
Eu conheço bem a cidade e sei de sua história de 1968 para cá, quando passei a ir muito ao centro e a conhecer a maioria dos bairros. Hoje conheço muito pouco da cidade porque não é possível acompanhar o desenvolvimento e por conta do sistema viário que desenvolveu grandes corredores fazendo com que você não entre mais nos bairros, daí você só conhece mesmo os lugares onde vai e não por onde passa. Mas a TV mostra tudo, e todos dias o SP TV mostra com seus helicópteros os rolos que acontecem por aqui. Um dia é um caminhão que entala numa passagem de viaduto mais baixo, motoqueiro morto todo dia ( são 3 por dia ) interrompendo a normalidade das grandes vias, caminhão derrubando passarela, viaduto desabando, incêndios, passeatas, pontos de alagamento, obras desmoronando, morros desmoronando, cargas espalhada pela pista por caminhoneiros que erraram o cálculo, helicóptero caindo, avião caindo, greves, obras, adutoras estouradas, túneis alagados onde se pescam tilápias de 4 quilos e a cada dia tem uma novidade e uma coisas fora de controle. Ou seja a cidade esta fora de controle.
Mas veja a foto, se em 1960 era assim não teria sido melhor ir construindo ao invés de uma grande metrolpole uma série de pequenas cidades ao longo das ferrovias e estradas?
Em 1973, se não me falha a memória começou a construção do metrô. Dava orgulho ter o metro, mas justamente onde foi construída a linha do metro é onde hoje mora menos gente em São Paulo. O entorno das estações do metro é sempre um bairro fantasma. A Estação Bresser é gigantesca, tem um terminal de onibus rodoviários desativado e lá não desce nem sobe nenhum passageiro, porque lá não tem mais nada funcionando. Onde estão as coisas então?
Estão nas pontas das linhas de onibus que se interligam com o metro. O custo da região onde fica o metro expulsou as pessoas e os negócios para longe, onde o metro propriamente não chega.
Entre o centro e os limites da periferia existem grandes manchas de terra decadentes, vazias, com prédios abandonados e com infra estrutura disponível, já onde estão as pessoas inexistem a infra estrutura, o metro, as construções adequadas e a presença do poder público.
São Paulo é uma cidade burra, cara, grande e mal ocupada.
Hoje 57% dos entrevistados dizem querer mudar daqui. A cidade não é mais o sonho de quem mora aqui, deve ser sonho só de quem não conhece como é a vida por aqui.
O tempo perdido para se ir de um lugar a outro é enorme, você não consegue cumprir horários e ir a uma consulta médica por exemplo pode ocupar mais de meio dia, custar uns R$ 20,00 de combustível e mais uns R$ 12,00 de estacionamento. É muito tempo e dinheiro desperdiçado.
A cidade é insegura, suja, desigual, com obras obsoletas ou inadequadamente construídas e portanto subutilizadas. É o que mais tem aqui.
Jamais deveriam ter construído as marginais, deveriam ter limitado a construção de imóveis no geral, não deveriam ter permitido a urbanização das regiões de mananciais nas serras, não deveriam ter construído o metro e deveriam ter limitado a cidade a uma população de nó máximo 4 milhões de habitantes, hoje já somos 20 milhões.
Não há como atender a todos com qualidade. Mas o erro continua, estão alargando as marginais, ampliando o metro e cobrindo o que resta de terra a céu aberto na cidade, daqui a poucos anos a cidade vai ter uma média de mortes muito grande por dia em função dessas coisas que listei acima, morar aqui vai ser uma arapuca cada vez mais traiçoeira. Morrer aqui vai ser a coisa mais corriqueira e banal.
Num futuro não muito distante a família vai poder levar o morto para o cemitério de metro.

sexta-feira, 5 de março de 2010

LOUCO É POUCO.

Quando o Sr. Jânio Quadros resolveu seguir a carreira política tenham todos a certeza de que nosso cinema e teatro perderam um grande humorista. Além de totalmente maluco, e coloca maluco nisso ele tinha uma cara que ajudava muito, e mais, ele tinha gestos e expressões físicas que dispensavam qualquer texto. Carlitos seria uma formiga perto dele.
Eu o vi pessoalmente umas duas ou três vezes e ele era já bastante idoso. Mas continuava uma cara muito engraçado.
Uma vez conversando com um janista roxo, um colega de trabalho Sr. Agostinho, pude ver o que era um cara ser fanático por alguém, me meti a besta a dizer que o Jânio era cômico e o colega se ofendeu e ficou não só me passando um sermão de horas como mudou completamente o tom comigo dali pra frente, e um dia quando fui demitido da empresa durante minha férias, soube por outros colegas que tinha sido por conta do Sr. Agostinho, vejam o que dá um comentário impróprio. Na verdade impróprio não é a verdade, porque consegui um emprego muito melhor, recebi um indenização que veio em boa hora e fui trabalhar na empresa onde um dia encontraria a mulher com quem me casei, vejam o que dá um comentário impróprio quando a gente tá com sorte.
Mas o Jânio era uma mistura de doido e esperto. Fazia o tipo e dizia frases famosas tais como: " Fi-lo porque qui-lo", "Bebo porque é liquido, se fosse sólido comia".
E fazia coisas engraçadas que ferravam todo mundo, tipo: Fechar o Parque do Ibirapuera quando era prefeito de São Paulo, para os ciclistas e skatistas, e espera-los com um caminhão pipa pra rechaça-los com jatos de água. Também não podia entrar cachorro. A vida do parque era e é os ciclistas, os cães e os skatistas e patinadores. Impensável um parque sem eles. Mas Jânio era londrino, queria um parque para idosos sentarem em seus bancos e refletirem sobre "terríveis forças ocultas", queria um parque tranquilo e seu gabinete de trabalho ficava lá.
Para dar um clima de Londres a São Paulo ele mandou construir onibus de dois andares e pintou-os de vermelho, vejam que original. O nome deles era: "Fofão" e o primeiro que tentou sair da fabrica da CMTC ( Companhia Municipal de Transporte Coletivo - estatal municipal do transporte público na época ) encalhou na saida, pegava no chão e teve que voltar até que reformassem a saida e só então pode ser inaugurado, a imprensa adorava. Tudo o que ele fazia era estrangeirismo, ele próprio um matogrossense não se sentia muito em casa aqui em São Paulo.
Em meu novo emprego eu tinha um amigo o Antonio Carlos que morava na Vila Olimpia e fazia um trajeto que um dia coincidiu com o do prefeito, naquela época o transito em São Paulo andava mais mas era muito indiciplinado, ou seja, todo mundo parava sobre a faixa de pedestres no sinal fechado. o Carlão um dia fez isso e eis que o Jânio viu, desceu do carro oficial e foi interpelar o Carlão já com um bloco para anotar a placa e multa-lo. O Carlão não tolerava o Jânio, que alias não havia meio termo, ou você era Jânista ou odiava ele. Carlão não teve dúvidas, quando viu que já estava multado soltou um sonoro: - Vá tomar em seu ... e foi embora.
Eu via a multa chegar e o Carlão pagar com gosto.
Jânio teve uma passagem triste pela história do Brasil com sua renuncia e com os bastidores de seu governo então. Abriu a história para o Golpe de 64 e seus acontecimentos brutais subsequentes.
Mas ficando com a parte divertida, os olhos esbugalhados, a fala arrastada, os óculos sempre fora do lugar e sua eterna cara de embriagado, foi um personagem único na história do Brasil, bem como seus seguidores que se encantavam com o jogo de cena que dava na prática sempre em nada.
Nem sei porque ele veio a baila neste momento, acho que só para não esquecer a figura.

quinta-feira, 4 de março de 2010

NÃO CUSPA NO CHÃO, A NÃO SER QUE NÃO ESTEJAM TE OLHANDO E NEM TENHA UMA MANEIRA DE DESCOBRIREM QUE FOI VOCÊ, ENTÃO SEGURA OU DISFARÇA DIREITO.

Cada um tem seu jeito de ser.
Com isso, cada um gostando de tocar a vida de uma maneira impar sempre acaba esbarrando no modo impar do outro. Restam as afinidades, que embora ocupem o menor espaço no território individual são por onde nos ligamos aos demais dos grupos que formamos ou eventualmente participamos.
Aqui poderemos falar então sobre tolerância e compaixão. Tolerância não é meu forte, já compaixão sempre tive e reforço a cada dia que mais leio sobre ela nos ensinamentos budistas.
Mas ter compaixão também significa tolerar, só que se você entende o próximo, coloca-se em seu lugar e tolera seus erros pratica de forma geral duas coisas meio chatinhas, uma é aceitar eventuais erros de conduta e outra e contribuir para que o grupo fique estagnado e digamos isolado dos que não agem como a gente. Resumindo: você acaba por formar um grupo de chatos que ninguém aguenta a não ser você.
Mas como cada pessoa tem lá suas caracteristicas e considerando que é muito dificil mudar algo em alguém a coisa é tolerar certaz bizarrices do dia a dia. Temos um grupo de amigos bastante próximos que se encontra todas as semanas e alguns que não fazem parte do mesmo grupo mas que são pessoas fortemente marcadas por suas manias, maneiras e caracteristicas muitos fortes. Não sei como o grupo sobrevive, acredito que somos muito maduros pois vira e mexe arrancamos os rabos mas não guardamos rancores.
Há algo de doente em degladiar e não emburrar, mas vamos considerar que isso seja elevação de alma e não carencia.
Um dia uma amiga disse que eu e minha mulher eramos muito fresquinhos ou chatinhos, dificeis de agradar.
É fato, não gostamos de churrasco, eu não gosto de vinho, só gosto de pizza de mussarela, nosso gosto musical é muito especifico na maioria das vezes ( baladas com sertanojo, pagode e pancadão nem pensar ), não fazemos certos programas e dizemos ao possivel anfitrião que é programa de indio e outros rasgos de sinseridade que aos olhos dos outros é pura grosseria. Mas se todos soubessem a verdade, o quanto engolimos de sapo mas depois no rescesso do lar reclamamos prá cachorro, seriamos canonizados. Com isso seguimos um frequência social que embora não seja 100% do agrado é no entanto o natural da vida de qualquer um. Mas eu não vou mais a festas em buffet, não vou mais a casamentos e eventos que acabaram se tornando reuniões artificiais e repetitivas.
Um festa mais pessoal num barzinho escolhido com um grupo interessante ou na casa de alguém é um programa que ainda me agrada bastante, principalmente se me chamarem para ajudar, não gosto da atividade passiva de convidado, prefiro estar na produção.
Mas assim como me esforço para me tornar um cara tolerante tenho a certeza que muitos são tolerantes comigo e por isso a coisa anda. E por outro caminho eu procuro diminuir meu fogo, não pressionar tanto os outros com minhas exigências e estou procurando saber parar e recuar diante de um potencial embate. Transformo o conflito em uma piada e tiro a pressão do evento, sempre que posso.
Agora, vamos lá, prá você ter 5 minutos de afinidades precisa encarar os 55 restantes de pisadas em ovos?
Acho que não, temos que trocar algumas chateações, esse estado mutuo faz os outros também sentirem que o grupo tem que se respeitar e principalmente se suportar. A perda deste equilibrio é, no entanto, uma constante e tem sempre alguem se incomodando com algo ou com alguém e no final fica lá uma pontinha de chateação pela noite não ter sido tão legal assim.
Mas as regras básicas são:
Prá conviver vocêm tem que demonstrar respeito mas não deve levar a sério a pessoa, por tráz podes cascar o bico.
Tudo que te disserem e que você tiver a certeza que esta furado, fala na cara, desconcerta mas não polemiza, deixa o clima subir só um pouquinho de temperatura ai você vai ao banheiro e fica rindo para o espelho enquanto tira alguma couvezinha do dente ou meleca do nariz, enquanto a contraparte de contorce em cólicas.
Antes de intercarlar-se com outros faça um mapa bem estudado do território e saiba onde poderá pisar prá não atolar em polemicas ou ter que suportar o chato da noite no teu pé querendo a tua concordancia ou cumplicidade.
Não discuta jamais com bebados e loucos, jamais. Estes apenas observas para aprender a como não ser.
Se o assunto for ruim e a comida for boa, foca na comida; se o assunto for ruim e a comida for pior foca nas coxas de alguém, se as coxas inexistirem vai prá casa dormir porque já tá tarde.
Tenha compaixão dos nécios, mas só depois de deixa-los cabreiros.
Se alguém te disser uma besteira sem tamanho, ri na cara e corre.

Bem estas são apenas poucas e aleatórias regras a serem seguidas, a vida é mais ampla que isso e as possibilidades são infinitas. Mas o basico é ser tolerante, ter compaixão e não deixar de se divertir por conta disso.

Nota:
A ilustração desta postagem é do artista norte-americano Norman Rockwell que sempre faço questão de colocar aqui para que todos conheçam seus trabalhos. A imagem acima é provida de uma força e de uma emoção arrasadoras. Me impressiona a sacação dele de retratar um senhora franzina e seu neto num ambiente ostil completamente alheia aos frequentadores e com total dignidade impondo seu modo de ser e sua fé e chocando pacificamente os demais. Aprendi muito com esta imagem e passei a frequentar qualquer lugar que queira sempre agindo com respeito, dignidade e fiel ao meu modo de ser. Esta imagem estava já  a mais de um ano esperando para ser publicada.

terça-feira, 2 de março de 2010

ALICE NÃO VÊ O QUE PRECISA SER VISTO.

MaRy JoE fez uma postagem em seu blog que achei muito impostante comentar.
Mas como não consegui de forma alguma comentar no blog dela, aqui vai o comentário, depois entrem no blog Afinando e leiam a postagem dela por quê vale a pena mergulhar no tema.

Pode haver muitas opiniões mas existe apenas uma verdade.
Alice não vê o que precisa ser visto.
Ela gosta de sua gata mas despreza o fato de que a gata é uma predadora de ratos.
Não é culpa da gata, mas a natureza faz com que ela seja assim, além de ser carinhosa com Alice, por interesse próprio e linda. Com isso Alice releva e não vê que a gata é uma assassina de ratos.
O rato não vê beleza na gata, vê apenas o enorme risco que corre em sua presença.
Alice erra, não que devesse odiar a gata, mas deveria ter a sensibilidade de saber que conversava com um rato. Se Alice fosse uma juiza inocentaria a Suzane Richthofen, porque a Suzane é bonita, jovem, tem um rostinho meigo e certamente é uma pessoa carinhosa, mas é uma pessoa condenada por participar de um assassinato.
Alice julga por seus interesses e despreza a verdade.

James Bond é bonito ( fora o último que é mais feio que brigar com a mãe por causa de mistura ), charmoso, cavalheiro, elegante, parece ser bom de cama mas é um assassino de um dos lados da história, e tem licença pra matar quem esta do lado adversário. Julgando James Bond ele é assassino tanto quanto um cara baixote, carrancudo, com cicatriz no rosto e cara de mau.
Podemos então olhar uma história pela angulo que quisermos mas a verdade só tem um único angulo.

Chegamos agora à educação.
Uma escola é uma memoria afetiva e um tradição, depois disso ela é um prédio e um organização interna que produz saber. O conjunto prédio, ex-alunos e professores ( ex ou não ) formam uma referencia em nossas vidas. Não se passa por cima disso. De nada adianta renovar os metodos de ensino e projetar o futuro do saber, se para isso você destroi a tradição e a memória afetiva das pessoas.
Não existem varios lados aqui também, aqui existe uma verdade única, a que escola é memória e tradição.
Quando o Brasil foi descoberto já existiam universidades na Europa que existem até hoje.
Podem estar certos que ninguém reformulou o ensino lá destruindo o passado coletivo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

CAMINHO SUAVE


Vi um documentário a algum tempo que falava sobre o ensino no Japão.
O diretor de uma escola determinava que os alunos fizessem um desenho livre numa folha tipo A4 ( sulfite ) e os desenhos eram identificados com o nome do aluno a turma e o ano de sua execução, não estou certo se no primeiro dia ou no ultimo dia de aula dele na escola.
Os desenhos foram sendo guardados em envelopes fechados por décadas.
Num determinado momento acharam por bem ver os desenhos, eles foram então desenvelopados e colocados lado a lado por ordem cronológica, ocuparam completamente a quadra de esportes da escola. Para o acontecimento todos os ex alunos foram convidados a voltar a escola e rever seus desenhos. Muitos voltaram e muitos não lembravam o que haviam desenhado. Mas havia uma lógica no conjunto, e a história do Japão estava contada na sequência dos desenhos realizados individualmente mas que guardavam grande harmonia entre si.
Épocas tranquilas eram repletas de desenhos de acontecimentos cotidianos, a Segunda Guerra estava descrita passo a passo, as bombas de Hiroshima e Nagasaky estavam la, a rendição e a reconstrução do Japão também.
Alguns alunos já eram idosos quando reviram seus desenhos e já não sabiam mais dizer porque havia desenhado aquilo, a razão de suas escolhas. Mas adoraram e se emocionaram com os vários reencontros que tiveram a oportunidade de fazer naquele dia.
Era uma ideia tão simples e de tão baixo custo de ser realizada que eu na ocasião comentei com a dona da escola onde minha filha estudava que seria muito legal fazermos o mesmo.
- Ah... é... é seria...
Ficou nisso. Faltou-lhe tudo, sensibilidade, grandeza, compromisso e amor.
Minha filha saiu de lá, tem vagas lembranças da escola, passou por outras e hoje estou louco pra tira-la da escola onde esta atualmente porque não gosto de lá e da equipe que a toca.
Uma escola não deveria ter grades, deveria ser proibido. Deveria ser um prédio cheio de janelas grandes no meio de um gramado. Quem ousasse algo contra a escola deveria ser preso por 100 anos. Deveria ser um lugar sagrado, e uma escola deveria ser como uma igreja, você apenas a deixa ficar velha mas nunca derruba uma.
O ensino é outro universo, deve-se modernizar e atualizar mas o conceito escola deveria ser o do sagrado, imutável, permanente. Deveríamos ter a certeza de sempre poder voltar ao prédio onde fizemos o curso primário e encontra-lo lá. Nossa passagem por ele deveria ser respeitada e deveríamos voltar lá a cada tempo pra cuidar do prédio e do jardim mesmo que nenhum filho da gente estivesse lá estudando, e se possível deixar nosso nome numa parede, onde todos os alunos deixariam também seus nomes escritos e ninguém tocaria neste outro sagrado.
Escrevo isso porque quando a Mary Joe disse que na cidade dela vão fechar uma escola que viu 50 anos da história de uma pequena localidade passar por seus corredores e agora ela não tem mais importância, fiquei pensando no quanto é pequena a alma de quem decide que deva ser assim. É no mínimo muita falta de imaginação e afeto fazer isso.
Imagino que se um dia o Grupo Escolar onde estudei for demolido, vou lá e queimo meu diploma no terreno vazio.
Quando vendemos a casa de minha avó senti esse peso de deixar que botassem no chão a casa onde estavam minhas lembranças da infância. Não poder voltar a um lugar importante é um perda irreparável.
Gostaria de saber o nome do diretor de escola japonês que teve a ideia de preservar os desenhos e com eles a alma daquela escola. Uma ideia tão simples e uma reverencia tão grande aos alunos