PENSANDO

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sexta-feira, 5 de março de 2010

LOUCO É POUCO.

Quando o Sr. Jânio Quadros resolveu seguir a carreira política tenham todos a certeza de que nosso cinema e teatro perderam um grande humorista. Além de totalmente maluco, e coloca maluco nisso ele tinha uma cara que ajudava muito, e mais, ele tinha gestos e expressões físicas que dispensavam qualquer texto. Carlitos seria uma formiga perto dele.
Eu o vi pessoalmente umas duas ou três vezes e ele era já bastante idoso. Mas continuava uma cara muito engraçado.
Uma vez conversando com um janista roxo, um colega de trabalho Sr. Agostinho, pude ver o que era um cara ser fanático por alguém, me meti a besta a dizer que o Jânio era cômico e o colega se ofendeu e ficou não só me passando um sermão de horas como mudou completamente o tom comigo dali pra frente, e um dia quando fui demitido da empresa durante minha férias, soube por outros colegas que tinha sido por conta do Sr. Agostinho, vejam o que dá um comentário impróprio. Na verdade impróprio não é a verdade, porque consegui um emprego muito melhor, recebi um indenização que veio em boa hora e fui trabalhar na empresa onde um dia encontraria a mulher com quem me casei, vejam o que dá um comentário impróprio quando a gente tá com sorte.
Mas o Jânio era uma mistura de doido e esperto. Fazia o tipo e dizia frases famosas tais como: " Fi-lo porque qui-lo", "Bebo porque é liquido, se fosse sólido comia".
E fazia coisas engraçadas que ferravam todo mundo, tipo: Fechar o Parque do Ibirapuera quando era prefeito de São Paulo, para os ciclistas e skatistas, e espera-los com um caminhão pipa pra rechaça-los com jatos de água. Também não podia entrar cachorro. A vida do parque era e é os ciclistas, os cães e os skatistas e patinadores. Impensável um parque sem eles. Mas Jânio era londrino, queria um parque para idosos sentarem em seus bancos e refletirem sobre "terríveis forças ocultas", queria um parque tranquilo e seu gabinete de trabalho ficava lá.
Para dar um clima de Londres a São Paulo ele mandou construir onibus de dois andares e pintou-os de vermelho, vejam que original. O nome deles era: "Fofão" e o primeiro que tentou sair da fabrica da CMTC ( Companhia Municipal de Transporte Coletivo - estatal municipal do transporte público na época ) encalhou na saida, pegava no chão e teve que voltar até que reformassem a saida e só então pode ser inaugurado, a imprensa adorava. Tudo o que ele fazia era estrangeirismo, ele próprio um matogrossense não se sentia muito em casa aqui em São Paulo.
Em meu novo emprego eu tinha um amigo o Antonio Carlos que morava na Vila Olimpia e fazia um trajeto que um dia coincidiu com o do prefeito, naquela época o transito em São Paulo andava mais mas era muito indiciplinado, ou seja, todo mundo parava sobre a faixa de pedestres no sinal fechado. o Carlão um dia fez isso e eis que o Jânio viu, desceu do carro oficial e foi interpelar o Carlão já com um bloco para anotar a placa e multa-lo. O Carlão não tolerava o Jânio, que alias não havia meio termo, ou você era Jânista ou odiava ele. Carlão não teve dúvidas, quando viu que já estava multado soltou um sonoro: - Vá tomar em seu ... e foi embora.
Eu via a multa chegar e o Carlão pagar com gosto.
Jânio teve uma passagem triste pela história do Brasil com sua renuncia e com os bastidores de seu governo então. Abriu a história para o Golpe de 64 e seus acontecimentos brutais subsequentes.
Mas ficando com a parte divertida, os olhos esbugalhados, a fala arrastada, os óculos sempre fora do lugar e sua eterna cara de embriagado, foi um personagem único na história do Brasil, bem como seus seguidores que se encantavam com o jogo de cena que dava na prática sempre em nada.
Nem sei porque ele veio a baila neste momento, acho que só para não esquecer a figura.

2 comentários:

Arquimedes Pessoni disse...

E por causa do Jânio e do Lula, num desenho bolado por mim e feito por você, conquistei o primeiro lugar num concurso do CCAA e ganhei um semestre de estudo gratuito. Lembra disso? "I wasn´t a Brazilian like you, but I found the right way: CCAA". É nóis, primo.

Francisco disse...

Lembro-me quando ele ganhou a eleição para prefeito de São Paulo, uma reporter fez a tradicional pergunta, "em quem o senhor votou", e ele irritado respondeu "na senhôra sua mãe". Na palavra senhora ele costuma falar com o "o" fechado mesmo, bem como o "mas" passava a ser "mans"