PENSANDO

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

ULTIMA DO ANO.

Assim como vocês, ano que vem estarei sempre por aqui, pensando impunimente, atento aos movimentos e feliz por encontra-los.

OS LIVROS.

Este ano li pouquissimos livros, mas li sentindo o maior prazer em todos os tempos.
Um ano de Biografias, na dos Beatles me absorvi num mergulho de sentimentos que durou 6 meses e um tendinite devido ao peso exagerado do livro. A outra biografia do Eric Clapton foi lida em 4 dias num mergulho rápido e alucinado, ele escreve muito bem, e fez um diário detalhado durante toda sua vida, o que é algo muito estranho na medida em que ou estava drogado ou bêbado, mas ainda assim registrou tudo com muito critério. E depois só mais um terceiro romance inespressivo. Resumi meu ano a 3 volumes, desde que comecei a ler nunca havia lido um numero tão pequeno de livros. Hoje quando pensei nisso fiquei muito impressionado, até porque não parei de ler o ano inteiro.
No entanto escrevi mais de 700 paginas de blogs entre já publicadas e na geladeira e já tenho um livro, pequeno, indo pra seu final.
De cada lado do balcão que fiquei fiz meus mergulhos radicais.
O de escrever foi o mais profundo e mais útil pra mim.

PENSANDO ASSIM...

Este mundo como se apresenta, parece trágico para os que sentem, mas parece cômico para o que pensam. ( El Xucro )

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A SOMBRA NÃO É A ÁGUIA.

Conversando a pouco com o eletricista de autos que sempre conserta meu carro, um rapaz que se formou este ano em direito e que quer ter uma carreira na justiça, ouvi dele que o atual governo é melhor que o Brasil já teve. Respondi na lata que não.
Governos não podem ser classificados como melhores ou piores.
Sempre se pode apontar graves falhas politicas ou administrativas em qualquer ótimo governo.
Quando vejo fotos das BR que atravessam a amazônia, onde caminhões e ônibus afundam na lama, e fazem com que o açúcar chegue ao seu destino a R$ 8,00 o kg, onde o tomate custa R$ 16,00 o kg, e de onde entrar e sair é quase impossível, e que isso não se soluciona nunca, não há como rotular um governo de o melhor de todos os tempos.
Tapar buraco de estrada não é a coisa mais difícil do mundo, construir boas estradas também não, então por que não fazem.
Ter telecomunicações de boa qualidade é a coisa mais fácil que existe hoje, o mundo todo esta voltado para esta tecnologia, que sobra, abunda e transborda em novidades e quedas de custo a cada instante. E o Brasil naufragando em apagões de energia e comunicação. Agora pifaram os cartões de crédito e débito.
A sombra da águia não é a águia, dá pra simular uma sombra usando gravetos e folhas, recortando papeis ou com a sobreposição de varias mãos. Fazer a sombra de uma águia é muito fácil.

ESCOLHA.

Há os que preferem os ingênuos.
Eu prefiro as pessoas mais descoladas, malandras e preparadas.
Alguns não se intimidam em passar para trás alguém que esteja despreparada ou que não tenha nenhuma malícia.
Eu prefiro lidar com os que estão sempre prontos a reagir.
Outros desviam dos temporais.
Eu já acho mais emocionante passar pelo meio e tomar meus cuidados contra os ricos incorríveis.
Há os que querem que a vida seja plana, doce, fácil e alegre.
Eu prefiro os tropeços, os sabores todos, as facilidades e as dificuldades e vivenciar todos os estados desde o tédio até a tristeza.
Cheguei bem até aqui passando por tudo sem desviar.
Passei a gostar de enfrentar as coisas, as situações e as pessoas.
E hoje aprendi a dar voltas e mais voltas sobre um mesmo ponto e nada querer dele.
E este ar enigmático de quem não quer nada com nada ou não deixa claro exatamente o que quer é muito gostoso e atrai muitas atenções, além de manter você o tempo todo na zona de turbulência e perigo.
Apenas passo pelas coisas sem querer colher os frutos.

A TRÉGUA.


Quando chega esta fase do ano onde nada acontece, porque tudo foi planejado com antecedencia, então quem tinha que ficar ficou e esta quieto no canto, quem tinha que viajar já foi e deixou apenas o espaço pra ser ocupado, sentimos que a vida poderia ser levada num ritmo muito mais lento. Eu estou fazendo algumas coisas que a chuva me impediu de fazer durante todo a ano e isso esta se traduzindo rapidamente num visual muito agradável do entorno de minha casa.
Estávamos precisando investir pesado em tratos na vegetação e estou fazendo isso e em troca estou ganhando arranhões das touceiras de amora silvestre, encardidos nos pés e mãos da seiva de um monte de outras plantas que resistem o quanto podem sem ser arrancadas, picadas de mutuca que este ano viraram uma praga e picadas de todos os outros tipos de formigas que estão sendo por mim incomodadas, além da inevitável dor no corpo no final do dia porque não é fácil se adaptar ao ritmo e ao peso do trabalho de cuidar de uma chácara.
Mas o resultado final é sempre muito agradável e só lamento não ter mais entusiasmo por esta propriedade para investir em algumas transformações que a deixariam muito bonita.
Com isso ganhei um vivo interesse em voltar a caminhar pelas lindas estradas daqui da região, num ensaio das caminhadas que pretendo fazer pelo resto de minha vida por este Brasil a dentro. Caminhar com tempo pra parar, olhar e ver a coisas, para apreciar uma sombra, um papo com alguém e pra matar algumas curiosidades. Vou levar sempre meus pincéis e deixar marcas, trocar um almoço por uma pintura na parede de uma birosca, ganhar R$ 5,00 para um cerveja retocando ou corrigindo o letreiro do borracheiro. Quero deixar um rastro e tirar fotos.
Ouvir e contar histórias, não saber onde irei dormir na próxima noite e nem se já é hora de voltar para casa. É a vida que eu quero, banho de rio, chuva na cabeça, ladeira acima e ladeira abaixo. Mas nada muito longo, muito estafante, dois ou três dias e volto pra ficar 15 dias em casa.
Mas uns 4 ou 5 fora e um mês sem sair. Caminha sempre, caminhar por vicinais e estradinhas locais, atravessar pastos e sentar um lugares altos para observar as nuvens formando a chuvarada. Alguns confortos não dispensarei, nem abrirei mão de longos momentos de solidão.
Um bloco de desenho uma caderneta para escrever na hora que der vontade.
É a vida que terei.

sábado, 26 de dezembro de 2009

APENAS ALGUMAS ALTERNATIVAS VALIDAS

Raul Seixas e Paulo Coelho divulgaram através de suas músicas a ideia de Sociedade Alternativa.
Um ideia anarquista que como toda a teoria anarquista é cheia de lacunas e falta de clareza prática, mas nem por isso é um assunto menos apaixonante para aquelas horas em que estamos com o saco cheio da vida.
O General Ernesto Geisel, que era um homem muito inteligente, mas cercado de bajuladores que faziam com que as coisas imaginárias ganhassem peso de verdade e nelas passavam a acreditar viram na Sociedade Alternativa do Raul um inimigo prestes a atacar e destruir a Revolução Militar de 1964. Resultado foi que Raul e Paulo Coelho primeiro foram convidados a das esclarecimentos sobre suas teorias anarco-libertárias, depois o Raul foi torturado pelos militares e expulso do Brasil. A teoria era, hoje sabemos, um delírio sem fundamentos consistentes que viabilizassem sua transformação em algo verdadeiro, real, existente. Não era em momento algum um Sociedade que substituiria a existente, mas uma alternativa para uns poucos despendidos, apenas isso. Um grande besteira em que poucos acreditavam e que ninguém conseguiria realizar dada a rudimentar elaboração teórica que tinha.

Leia o manifesto a seguir extraído da Wikipédia:

O texto que segue abaixo está no manifesto/gibi A Fundação Krig-Ha, , distribuído no primeiro show de Raul em SP em 1973. Escrito por Raul e Paulo Coelho, entre outras pessoas, esse manifesto lança a idéia de Sociedade Alternativa. No ano seguinte, todas as cópias desse manifesto seriam recolhidos pela Polícia Federal e queimados como "material subversivo". Raul foi preso e torturado pelo "Dops" e é "convidado" a se retirar do país, retornando ao Brasil pouco mais tarde devido ao sucesso de seu disco "Gita"
Prefácio
Nós vos saudamos, Maria. Nós Vos Saudamos José. E nós saudamos os artistas brasileiros que tiveram o silêncio do resto do mundo quando seus trabalhos e seus corpos foram censurados, mutilados desaparecidos.
Manifesto
1 - O espaço é livre. Todos tem direito de ocupar seu espaço.
2 - O tempo é livre. Todos tem que viver em seu tempo, e fazer jus as promessas, esperanças e armadilhas.
3 - A colheita é livre. Todos tem direito de colher e se alimentar do trigo da criação.
4 - A semente é livre. Todos tem o direito de semear suas idéias sem qualquer coerção da INTELEGENZIA ou da BURRICIA.
5 - Não existe mais a classe dos artistas. Todos nós somos capazes de plantar e de colher. Todos nós vamos mostrar ao mundo e ao Mundo a nossa capacidade de criação.
6 - "Todos nós" somos escritores, donas-de-casa, patrões e empregados, clandestinos e careta, sábios e loucos.
7 - E o grande milagre não será mais ser capaz de andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas. O grande milagre será o fato de que todo dia, de manhã até a noite, seremos capazes de caminhar sobre a Terra.
Saudação final do 11o manifesto.
Sucesso a quem ler e guardar este manifesto. Porque nós somos capazes. Todos nós, todos nós somos capazes.
Escrito por: Raul Seixas, Paulo Coelho, Sylvio Passos, Christina Oiticica, Toninho Buda, Ed Cavalcanti.



Hoje sinto uma inquietação nas pessoas com a vida que levam.
Buscam alternativas, buscam uma vida mas inteligente porque, principalmente aqui em São Paulo a vida tornou-se uma coisa muito burra. A comunidade esta esgarçada, as regras são demasiadas, as punições vem antes do julgamento, o julgamento antes do processo e o processo não existe, só existe a culpa. Vivemos amontoados, o prazer foi suprimido, tudo custa caro demais não só em dinheiro como em trabalho e sacrifício para obtenção. Quem pode foge. Mas mesmo a fuga é para um ponto periférico e é apenas um refresco e a dependência da estrutura social aflige de qualquer maneira, apenas se obtem alguns atenuantes que logo são neutralizados pela ação tentacular de uma minoria chata, insistente e persistente que não poupa ninguém e nenhum bolso, é como morar num prédio em que o sindico ignorando a penúria de seus moradores insiste em fazer obras fúteis e injustificáveis.
Ganha força com isso querer educar e fazer crescerem os filhos numa outra sociedade.
Um escola melhor e mais dedicada, filhos brincando com crianças conhecidas e saudáveis.
Recuperar-lhes o direito de serem ingênuos.
E para todos a possibilidade de respirar, andar a pé, trabalhar bastante mas naquilo que gosta.
Comer algo saboroso e não industrialmente produzido, mecanicamente servido, e elaborado sem afeto e ter pessoas afins com quem conversar e se divertir.
O primeiro erro é pensar em fazer isso num núcleo isolado, num condomínio, num sítio, onde todos serão rotulados de doidos ou e onde o convívio logo se tornará insuportável. O formato terá que ser diferente do que se fez até agora.
Reinventar :





Se não for feito diferente não existira como nunca existiu pela formulas que foram tentadas.
Não importa que o profeta seja empolgante, o caminho tem que ser claro e possível.
E a Sociedade só vai se tornar Alternativa se a ideia original for realmente uma alternativa ao que temos. Se for só mais um desabafo não vai mudar nada.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

LIÇÃO DE CASA, HORA DE FAZER!

Estou com muito trabalho pra Janeiro e Fevereiro e por isso meu ano já começou em 2009 ou 2009 só termina em Março pra mim. Com isso não passarei pela calmaria destas próximas semanas e não terei tempo pra fazer listas de mudança ou repensar posturas, ideias, planos e atitudes. Mas lendo hoje um revista muito velha, a única coisa que encontrei para ler no lugar onde passei o Natal, recebi toques inesperados e muito interessantes sobre dois assuntos, um deles é sobre auto-estima x narcisismo e o outro é sobre perdão.
Já me posicionei aqui sobre os dois assuntos, mas é sempre bom ir renovando as opiniões na medida em que novos elementos vão sendo descobertos.
Estou numa fase de vitoria parcial num processo na justiça e caminhando para um recurso mesmo tendo vencido. E avaliei que a alguns anos deixaria barato e não me aborreceria com um processo na justiça, e hoje resolvi não só me aborrecer como também resolvi não perdoar. Tanto busco o reparo material como busco o reparo de minhas emoções.
Mas isso tem um foco muito específico, uma relação trabalhista conflituosa e injusta.
Nas demais relações tenho tentado buscar conciliação e um perdão relativo.
É arrogante ficar na postura de perdoar, dá sempre a impressão de que os outros é que erraram, mas como não estou envolvido em pendencias pessoais mas sim em pequenas frustrações pessoais por me sentir por vezes não correspondido e não tendo reciprocidade, nisso me baseio aqui.
Gostar de mim sem exagero é algo que tenho buscado. Passar do ponto é cair na vaidade, na arrogância plena. Perdoar e conviver é algo que não faço, elimino o peso mas não corro mais o risco, e isso já defendi aqui.
Li coisas a respeito disso e vi parcialmente endossadas minhas posturas.
Mas vi também que vaidade e falta de perdão são dois tipos de venenos que matam a alma.
E que é preciso auto-conhecimento e percepção aguçadas para transitar bem por estes dois terrenos.
Embora ocupado, vou trabalhar minha cabeça nisso.
Vou buscar o ponto de equilíbrio, gostar de mim na medida certa e perceber os sentimentos dos outros sem injustiça ou favorecimento.

FIM DO PRIMEIRO ROUND

Terminou o natal deste ano.
Basta de ansiedade e expectativas.
A coisa vai turbinando e parece que o mundo precisa levantar voo, mas é apenas mais um ou dois dias de festa e reunião de pessoas com alguns excessos e nada mais.
Agora as coisas já ficam mais calmas, a velocidade diminuiu muito e as pessoas começam a recolocar as cabeças nos devidos lugares.
As expectativas do Ano Novo também são grandes mas diluídas ao longo de 365 dias e assim todos sentem menos a pressão diante de um prazo muito mais longo para realiza-las.
Sofremos porque queremos, já sabemos decor o roteiro e não precisaríamos passar por isso.
Mas a pressão e geral e ninguém escapa.
Findo o Natal, passa rápido o reveilon e é só esperar o Carnaval, depois tudo volta ao normal.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

TEM HORA QUE EU EMPURRO.

É assim, tem uma hora em que você solta o que te prende e vira dono de si.
Mas se você segue a moda do momento de nunca se soltar e ficar grudado na casa pátria, alguém tem que cortar os laços e empurrar a pessoa pra vida.
A melhor maneira de aprender a nadar é sendo jogado na água.
É fundamental ter água pra aprender a nadar.
Não se faz curso de natação por correspondência.
pra aprender a andar é preciso ter um mundo aos seus pés, ele gira você move as pernas e assim conforme o rumo ou avança em relação a algo ou fica se movimentando parado no mesmo lugar.
Eu tenho uma filha que quer muito uma coisa, mas não tem coragem.
Eu também quis algo muito parecido e também não tive coragem.
Agora posso concertar a minha vida fazendo ela ter coragem, fazendo ela fazer aquilo que sonha.
Ela terá que roer as cordas, vai ter que ficar com o nó na garganta da despedida, se quiser depois nos contar como foi a jornada.

SEMPRE SONHO QUE NADO NO MAR.

Num mar parecido com este acima, bem calmo, a água é grossa, é quente e não tem ondas.
Dura muito o sonho, eu vou e volto e nunca sinto medo algum. É diferente da vida real onde morro de medo do mar. Tem vezes que o sonho se repete de forma precisa, nesses casos estou numa baía pequena e muito iluminada com penhascos cinzas e há uma espécie de gruta por onde se chega na tal baía. Já sonhei isso incontáveis vezes.
Sempre no entanto procuro traduzir o significado de meus sonhos, e exceto neste recorrente, acho logo todos os significados nas coisas que vivi no dia anterior ou nos dias próximamente anteriores. Mas pra este não tenho tradução. Nada me ocorre, a não ser lembrar de minha corajosa amiga Andréa quando acordo, porque ela faz coisas que me arrepiam e que eu certamente nunca farei. Ela mergulha nas águas do mar, e em mares estranhos.
Eu já pensei assim: Se ela tão franzina tem essa coragem todo eu também tenho que ter. Mas ainda não tive, um dia, eu sei, ela me conta o mistério e o segredo de como fazer.
Por hora sonhar me basta. O sonho é bom, me relaxa e me deixa feliz.

ANTES TARDE DO QUE MUITO MAIS TARDE.

Esta madrugada me ocorreu responder adequadamente aqui a algumas coisas que eu deixei passar sem resposta, então darei 3 respostas agora:
1) Em 1973 o Sr. Alfio que era gerente administrativo da empresa que eu trabalhava, veio até a sala de serviços gerais onde eu trabalhava e onde ficava a única copiadora da empresa, uma maquina de marca Apeco que fazia cópias horríveis e engasgava o papel o tempo todo. O papel era de bobina e você colocava o original sobre o vidro e movia uma rodinha que por sua vez movia uma seta, essa seta indicava onde a copiadora deveria cortar o papel, então o lógico era você ajustar a seta bem próximo ou exatamente sobre o final do papel. O Sr. Alfio então me perguntou:
- O menor tamanho de cópia é este? ( Com ar de que eu era culpado por isso ).
Eu respondi na época:
- Infelizmente sim, ela não tira cópias menores que 27 centimetros.
Mas eu deveria ter respondido, e respondo agora:
- Sr. Alfio, o senhor é uma pessoa muito digna e extremamente gentil e respeitador, mas a verdade é que se o senhor tem que fazer cópia de uma papel tão menor que 27 cm, não deveria fazê-lo, deveria apenas anotar os dados em outro papel igualmente pequenininho já que sua preocupação é economizar dinheiro para o Dr. Horst que é rico pra cacete, vem trabalhar ou de Mercedes vermelha conversível para duas pessoas ou de Helicóptero aqui em Diadema que é conhecida como O cú do muindo e onde só mora gente miserável, isso quando vem, porque já faz meses que ele não dá as caras por aqui e nós estamos aqui faça chuva ou faça sol, ralando e gerando o lucro que ela gasta com essas futilidades. Se o senhor quer mesmo economizar fala prá ele pegar o onibus com a gente lá no Largo da Concórdia e vir se divertindo com os funça dele ao invés de vir voando e queimando querosene de aviação, e mais, 27 cm não é porra nenhuma, é um pedaço insignificante de papel e o senhor, com todo o respeito, pelo tamanho da bunda que tem deve gastar pelo menos meio rolo de papel higiênico todas as vezes que faz um nº 2. Pena , gastar o restinho do papel e ele sair em branco.
2) Em 1974 na Rua Florêncio de Abreu, numa repartição pública qualquer desorganizada, cheia de corredores mal iluminados, sem nenhuma sinalização e onde todos os elevadores eram privativos, eu buscava uma seção, junta ou sei lá o quê pra fazer o protocolo de alguma coisa absolutamente inútil. Parei diante da única porta que encontrei aberta e vi que havia um homem em uma escrivaninha conversando com outra pessoa. Detive-me na porta e o senhor me encarou e pergunto:
- O quê foi?
Eu dei um passo em direção à porta da sala e parei sobre o umbral.
- Eu estou procurando a seção tal?
Ele me respondeu secamente:
- Em primeiro lugar eu deveria te dizer que você deveria pedir licença para entrar em minha sala, em segundo eu deveria te dizer que você não deveria ter ficado no corredor me encarando, em terceiro lugar eu deveria te dizer que a sala que você procura fica no 5º andar, sala número 510 e saia de minha sala.
Eu sai imediatamente, passado, constrangido, chocado e nem falei obrigado.
Mas hoje, 35 anos depois eu respondo o seguinte:
- Senhor funcionário público e o escambal, vá tomar num ponto equidistante das duas bordas de seu dignissimo .
3 ) Ao grande colega de trabalho Garibaldo, mais conhecido pelo apelido de Sidney Diório, e quem é meu leitor antigo sabe que já me referi à letra S, em nomes masculinos amaldiçoando-a, aqui esta uma parte da razão. Em 1970, ele tinha um modo todo engraçado de aparecer, fingindo-se de surdo na minha presença e com isso fazia rolar de rir muitos colegas de trabalho com minha ingenuidade. Num determinado dia, eu em meu papel de office boy que recolhia e distribuia a correspondência interna, que ralava feito besta, que cheguei a ganhar livros com dedicatórias elogiosas de alguns colegas pela qualidade e atenção com que eu prestava minhas obrigações, fui vitima de uma de suas brincadeiras maldosas e em dose exagerada, onde ele escrevia de forma ilegível os nomes dos destinatários obrigando-me a perguntar a ele o que ali estava escrito, e ele sempre me respondia:
- O quê, não entendi, fala mais alto!
E eu era obrigado a gritar feito um louco e a ouvir as gargalhadas mesmo dos chefes de departamento, Sr. Mauricio, Sr. Gonçalo e Sr. Gerson que ali estavam para produzir resultados e não para animar a festa como faziam.
E eu ouvia sempre:
- O quê, não entendi, fala mais alto!
E eu hoje sussurraria aos ouvidos do Sidney, não, não sussurraria, falaria num tom que todos pudessem ouvir, e não eram poucos, eram pelos menos 30 a 40 pessoas numa imensa sala:
- Sidney, você é pequeno, tua alma é pequena, teu humor é tosco. A vida é mais que aparecer, teu legado será ficar na minha memória como um cara desprezível, e eu serei alguém a quem você nunca conquistou a amizade e eu ao longo dos próximos 40 anos terei centenas de amigos que me admiram porque aprendi com a sua insignificância na vida dos outros a ser significante na vida de todos.
Finalmente, ao Sr. Alfio M. que era um bom homem mas mas mal direcionado, ao Funcionário público medíocre que ajudou a construir o Serviço Publico que temos hoje ineficiente e corrupto, e ao Garibaldo, meus votos de um Feliz Natal, porque tenho a certeza de que vocês não são felizes.

ELA VAI PEDALAR NUA.

Minha amiga vai se presentear neste Natal com uma bicicleta para poder pedalar nua.
Eu perguntei se ela vai me avisar quando for sair, e ela disse que não.
Eu aprovei totalmente a ideia mesmo sabendo que não vou assistir. Acho que ter coragem de romper com a normas, confrontar as questões de moral e pudor são pára poucos. Ela diz que vai fazer e eu acredito que ela o fará, mas não como disse que fará e nem com a frequência que tentou me fazer acreditar. Lembro que a alguns anos, durante o Regime Militar, alguns alucinados saiam em grupos totalmente despidos correndo pelas ruas, davam o nome de Strings
( acho porque isto em inglês significa também cordão, mas não sei ao certo se é esse o nome em inglês ). Era noticiado na TV mas depois baixou a censura e não se falou mais nisso.
Eventualmente sabemos de um ou outro performático nu por ai, eu já escrevi a poucos dias sobre um homem totalmente nu que vi na Granja Julieta e minha amiga disse que viu, provavelmente o mesmo cara em São Paulo, viajou para Curitiba e lá chegando no mesmo dia viu um mulher totalmente nua na rua.
Eu iria tranquilamente numa praia naturista, sofreria inicialmente os mesmos constrangimentos que todos até me acostumar com a ideia, mas tiraria de letra, até porque já fiquei nu muitas vezes em praia desertas e cachoeiras e não tenho mais idade pra ligar pra essas coisas.
Embora eu nunca tenho sido Hippie, trago um sanguinho deles em minhas veias e acho que esse movimento deveria voltar.
Mas por hora estou torcendo para que minha amiga saia nua de bicicleta novinha, faça o maior sucesso e não seja pega pela policia. Invejo a coragem, acho que ela esta na melhor idade da vida para fazer loucuras, ela tem bagagem emocional pra segurar a atitude e tem material pra mostrar. Pode ser que ela seja apenas um pouco exibicionista, eu acho que eu não estou muito isento para julgar, mas acho mesmo que ela esta dando um demonstração de espírito livre,postura atrevida de vida, inconformismo, bom humor, amor à vida e demonstrando claramente que a opinião dos outros não pesa nas costas dela.
Torço por você amiga.
Quem sabe eu consiga publicar uma foto numa próxima postagem.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

DETONA QUE TÁ HORA!

Não beba com moderação. Chegou a hora da detonação.
Não adianta você ficar com prevenção, peso na consciência ou qualquer outra forma de culpa.
Ninguém consegue passar limpo pelo Natal e pelo Revellion. Imponha um limite, digamos: - Vou engordar somente 6,5 kgs, ficar alegrinho umas 4 vezes e vou vomitar só 3 vezes.
Estes números já são números bastante razoáveis. Depois você recupera no Carnaval que em 2010 vai ser no meio de Fevereiro, Terça de Carnaval é dia 16, ninguém nem vai notar que você esta acima do peso, vai estar todo mundo viajando ou na fila do banco pagando IPVA, a 1ª parcela do IPTU, a matricula da escola, comprando materiais apertado nos corredores das papelarias, pagando fatura vencida do Cartão de Crédito ainda no parcelamento do presente do Natal de 2008, enfim, engorda que ninguém vai notar nem vai ter a ousadia de dizer qualquer coisa que possa bater e voltar.
Então não modera, gasta, bebe, come, embriaga, dá vexame, chora, vomita, jura nunca mais, estoura rojão, e depois entra na fila do banco.
Ah, não se esqueça de pegar uma insolação, dormir descoberto porque até o lençol dói e sendo atacado por pernilongos.
Meu, odeio estas duas semanas finais do ano.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ABRA O CABEÇÃO.

Alem dos planetas conhecidos no sistema solar hoje já se conhecem mais 373 planetas orbitando ao redor de 316 estrelas ou sois se assim você preferir defini-las.
Tomando a Terra como padrão de tamanho você faça a seguinte viagem mental:
Se você fizer uma viagem de São Paulo a Tóquio levará em média 26 horas, mas se em Júpiter, o maior planeta de nosso sistema solar, tivéssemos uma São Paulo e uma Tóquio esta mesma viagem demoraria 8268 horas ou arredondando 345 dias. Isto porque Júpiter é 318 vezes maior que a Terra, mas se você tomar como exemplo um tal de CT Cha b que fica a mais de 500 anos luz da Terra ( uma ano luz é igual a viajar a 300.000 km por segundo aproximadamente durante todo o período de duração de uma ano terrestre ), ou seja: .2.770.590.000.000.000 kms ( Dois quatrilhões e setecentos e setenta trilhões e quinhentos e noventa biliões de kilometros ), a mesma viagem entre a São Paulo deles com a Tóquio deles também duraria 140.478 horas ou um pouco mais de 16 anos, isto porque o planeta é 5403 vezes maior que a nossa terra.
Mas o pior é que tem um tal de HD 43848 b que por ser 7946 vezes maior que a gente faria esta mesma viagem durar 23 anos e meio.
Acreditem a coisa é grande, enorme mesmo.
Mas desta turma só 13 tem caracteristicas distantemente semelhantes às da terra, os demais são inadequados ao nosso saber de como poderia neles existir vida.
Mas a Via Láctea, que é apenas uma das infinitas galáxias que conhecemos tem a bagatela de mais de 100.000.000.000 de estrelas, com mais de sei lá quantos planetas e não sei mais onde este assunto possa parar.
Mas a coisa é séria, se todos os povos desses planetas resolvessem pegar a estrada na mesma hora prá ir à praia no ano-novo, tipo a Rodovia dos Imigrantes que liga São Paulo ao litoral, ia ser fogo. Ia faltar troco no pedágio e não sei na virada de que ano se chegaria na praia, mas em 2009/2010 é que não seria. Alem se ser chato prá cacete ficar na areia ao lado de uma familia de ets farofeiros e pagodeiros.
Quando vocês estiverem no engarrafamento do ano novo tentando chegar à praia lembrem-se deste texto e aliviem-se sabendo que poderia ser muito pior. Quanto pior?
1.675.039.056.567.923.850.765.451.678,3%

NÃO É UM LUGAR ONDE SE CHEGA.

O amadurecimento pessoal não é um lugar onde se chega, é na verdade um lugar por onde se passa a caminho do nunca.
Nestes dias lendo minhas postagens do blog, lendo e-mails pps que recebo sempre, lendo os comentários dos blogs, e conversando com pessoas na reunião de amigos que tivemos no sábado e falando também com conhecidos nas ruas onde estive trabalhando estes dias, ouvi muita coisa numa colcha de retalhos que mais confunde que alinha as ideias. Com isso deduzo que nunca estamos maduros o suficiente para obter sínteses imediatas. Sempre ficamos vencidos pelo conjunto e pela variedade de ideias que brotam e nos chegam. Há um certo conforto em não se sentir tão vulnerável aos postulados e comentários contraditórios, quando já temos um passado de vivências que nós dá a base para formular uma opinião e nela acreditar. Das fortificações desta opinião defendemos nosso território e nosso ponto de vista. Mas sempre reflito sobre se estou pronto pra fechar a questão ou se não seria prudente pensar um pouquinho mais e avançar para o território do oponente. Afinal, acredito que a maturidade é justamente a capacidade de transitar e não a incompetência de se achar o senhor da verdade. Com isso ficamos intimamente alvos das mais variadas dúvidas. Nunca estamos maduros o suficiente para as novidades que aparecem, é mais fácil ser maduro para as coisas já mais consolidadas, tradicionais. Isso é fácil. Abrir a mente para o desconhecido e nele entrar com segurança é uma coisa que nunca vai nos acontecer, sempre teremos o advento da dúvida e a necessidade de caminhar em direção ao nunca ter certeza e à necessidade de ter que experimentar.
Portanto, saibam, vai ficando cada vez mais fácil viver e compreender a vida, mas também vai ficando cada vez mais claro na cabeça da gente que o próximo dia sempre trará algo inédito para os que tem capacidade de reconhecer que a vida não se repete e que as nuances são sutis.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

É TEMPO DE MUDANÇAS.

Prá nós ocidentais, estas semanas, as duas últimas do ano, são tempo de se planejar as mudanças para 2010. Eu já fiz minha lista, que pretendo perder no dia dois de Janeiro, no máximo.
Tive mudanças demais em 2009 e quero um 20101 mais parado e com mais rotina.
Quero apenas poder controlar um pouco os meus dias, poder fazer aquilo que desejo e não fazer aquilo que não me é muito do gosto. Este ano vivi para os outros ou para coisas inadiáveis, e isso é igual a não ser dono de si mesmo.
Mas foi um bom ano com cara de ano ruim.
Troquei de trabalho, fiz alguns trabalhos públicos muito comentados e até rentáveis e sai em revistas, coloquei três piercings na orelha direita, ganhei um processo na justiça que vai me render além de um bom dinheiro mais 7 anos de contagem de tempo em minha aposentadoria ( tadinha da minha aposentadoria ), reencontrei muitos amigos, fizemos a festa de aniversário da Regina como ela queria, passei o meu aniversário caminhando na praia como eu queria, reestabeleci amizades balançadas e principalmente cresci escrevendo este blog. Muito de opinião varias vezes ao longo do ano, conheci de perto minha volubilidade. Cresci também sendo entrevistado na comunidade do Orkut Somos Imortais pelas generosas mãos e mente da Mary Joe, que foi uma amiga muito especial este ano, ela fez parte deste meu ano. No campo material não fiz nada, não cresci, mas fui muito mais feliz que nos anos anteriores. Tivemos crises financeiras, gripe suína ( que realmente me assustou muito e temi pelos meus ). Mas li livros maravilhosos, mantive conversas deliciosas, cocei muito piolho de meu louro, torturei meus 9 gatos e dei banho nos cachorros. Lavei meu carro pelo menos duas vezes ( recorde absoluto em muitos anos ), não renovei minha carteira de motorista nem licenciei o carro, estou peitando anarquicamente o sistema de transito e seus fiscais de merda. Comprei um mouse maldito com led que me deixa louco, ralei e não consegui tirar todas as goteiras do telhado só as mudei de lugar, e uma terminará o ano bem na porta de entrada. Acumulei mais coisas do que consigo usufruir, mas admirei muito, mas muito mesmo a beleza de minha filha e de minha mulher que este ano estavam de tirar o fôlego. Faltei com minha mãe a quem não consegui atender muito bem, vou me ocupar mais dela. Fizemos um bela reunião de família este ano e tivemos muitos problemas gravíssimos de saúde que aos poucos estão sendo superados. Choveu muito, a chuva foi a grande presença este ano.
Percebi coisas que a muito não percebia e aprendi muito sobre rock. Meu, o rock entrou fulminante em minha vida este ano, entendi coisas e desvendei outras.
Foi sim um ano bom com cara de ano ruim. Tem dias que gosto de mudança, tem dias que gosto não.
Acho que eu escreveria um ano sobre 2009, mas isso cansaria muito aos leitores.
Mas este ano rendeu, foi tenso, elétrico, molhado e roqueiro.
É nois.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

POR DENTRE AS BELAS ÁRVORES

Sempre vivi perto de belas árvores, nos últimos anos, embora eu não acredite em duendes e almas ocultas dentro de troncos sinto um estranho frio ou coisa parecida na barriga quando estou dentro de um bosque. Acho que já me referi a isso aqui em alguma postagem.
Mas como tenho o habito de me movimentar muito entre elas as vezes perco a trilha de alguma.
Agora sem que eu tivesse feito algum plano de busca achei uma árvore antiga conhecida de quem gosto muito. Essas coisas sempre acontecem por acaso e quando acontece eu me pergunto como consegui ficar tanto tempo sem -la, ou porque deixei que isso acontecesse? Mas a vida nos ocupa de coisas que se impõem como prioridades e que na verdade são apenas pequenas chateações, isso sim.
Mas a bela árvore que eu julgava poderia estar sufocada por outra maiores, pareceu-me forte e competitiva. Esta muito mais desenvolvida parece que cresceu pra todos os lados e ocupou espaços que seriam naturalmente seus mas também disputou e também conquistou novos grandes espaços. Eu sabia que ela era forte mas não imaginava que em tão pouco tempo ela se ampliaria tanto. Os homens próximos às árvores são sempre criaturas minúsculas. Não tenho a retenção de competir em resistência e magnitude, mas tento extrair delas as melhores lições que elas sempre disponibilizam para que aprendamos. Todos somos seres solitários como as árvores que mesmo cercadas de milhares de outras, lutam sempre sozinhas por sua sobrevivencia, dizia a amiga falecida Meg que o vento é o faxineiro da floresta, e isso é verdade, pois a cada temporal ele arranca um monte de galhos decréptos para que no lugar brotem ramos mais vigorosos. E assim, depois de uma crise vem uma nova árvore mais forte, mais equilibrada e sempre mais bela de ser apreciada. E a gente vai ficando cada vez mais pequenininho perto dela. Mas se você tem humildade e procura entender a essência dessas criaturas cresce de alguma forma junto com elas. Eu tenho hoje muitas belas árvores para observar e aprender com elas porque optei por morar num bosque, -las sofrerem com os vendavais e crescerem na estação certa. E com isso saber que a vida é feito de ciclos, de idas e voltas, de perder e de ganhar. E acima de tudo de ter a paciência das árvores que sempre aguardam e percebem a hora e o caminho certo parar crescer e vencer a floresta.
Minha bela árvore não quero mais te perder de vista.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MEG

Dedicada aos livros, aos filmes, ao jardim e as viagens deixou-nos aos 88 anos a Meg, mãe da minha gigantesca amiga Jackie. Nascida na Grã-Bretranha, e radicada no Brasil a muitos anos viveu aqui entre nós com seus estilo de vida único, suas maneiras sempre muito elegantes e com seus gostos muito seletivos. Logicamente lamentamos a perda, mas também admiramos a jornada bem vivida através de uma grande guerra, da aventura de começar a vida num país distante como a Australia e depois num sub-tropical como o Brasil onde permaneceu até domingo a tarde e agora para sempre entre as plantas de seu jardim.
Estaremos sempre por lá admirando as inumeras paisagens e sabendo que ela estará nos vigiando atentamente, mas vamos tentar estar sempre atentos a seu grande jardim e procurando mantê-lo como ela o faria.
Aqui nosso tributo a Meg com quem compartilhamos alguns momentos legais nesta vida.

domingo, 6 de dezembro de 2009

NOVIDADE

Agora neste blog você tem uns links para assuntos diversos que são apresentados em forma de noticias no Gadget ENQUANTO ISSO NO RESTO DO MUNDO... lá você tem atualizações sobre cinema, arte, literatura, comportamento, música, cultura, geografia, e um monte de coisas legais.
Esta à esquerda da tela e é clicar no título que abre uma janela com o conteúdo completo da chamada. Dali você acaba fugindo de meu blog e se interessando por um monte de outras coisas.
Aproveitem.

COMO MUDAR ALGO SÓ COM PALAVRAS.

Quando assisti pela primeira vez na vida a um treino classificatório da Formula 1, tomei um susto. Nós só tínhamos acesso à transmissão das corridas e não sabíamos como eram os treinos, e eu achava que no treino o piloto entrava na pista junto com todos os outros e ficavam dando voltas até conseguir uma boa marca, obtida a marca continuava tentando melhora-la. Não era nada disso, o piloto orientado pela equipe ficava uma hora no box esperando o momento certo e esse momento era uma sintonia de muitas variáveis, tipo: pista vazia, emborrachamento da pista
, o tempo dos concorrentes, temperatura da pista, chuva ou não chuva e coisas assim , daí entrava dava uma volta pra embalar, fazia o tempo necessário e possível na volta seguinte e única onde ele realmente corria e dava a volta seguinte pra chegar ao box e estava encerrado o trabalho. É como ganhar um ouro olímpico nos 100 metros, você treina longe de todos, participa de umas eliminatórias que ninguém vê e entra na final, alinha larga, corre 9 segundos e fica famoso por 4 anos.
Mas o que quero eu dizer com tudo isso?
Quero dizer que algumas coisas para darem certo necessitam de muita precisão.
Imagine o rapaz pedindo a mão da moça em casamento, ele pede de um jeito e ela diz que não aceita, ele pede de outro e ele acha que ainda não esta bom, ele volta pede de outro e não consegue nada, pede de 100 maneiras diferentes e não tem êxito. Oras, esse cara usa a palavra errada, tem que pedir uma única vez com a palavra certa e conseguir ou não. Se sim: segue a vida e capricha na relação, se não: esquece e parte pra outra.
Assim como na Formula 1 e nos 100 metros não temos como ficar dando voltas infinitas até conseguir aquilo que queremos, temos que ser precisos, claros e objetivos na proposta e ter coragem de ouvir a resposta.
Mas e se a resposta também carece de precisão e você sente que não foi a palavra errada que melou tudo mas sim o momento errado?
Ai chegamos ao Como mudar algo só com palavras.
Bate de frente a questão da palavra precisa e sincera contra a insistência nas tentativas até obter êxito. Em que você vota? Eu acho que a palavra precisa é o caminho mais certo, penso de uma forma mais sintética, digo claramente o que penso e quero, e suporto a contrariedade. Depois de algum tempo, no entanto, posso reavaliar as circunstâncias de uma contrariedade e dar uma segunda e última oportunidade à questão. Até pra não atuar como uma pessoa muito fechada.
Mas acho que a fila tem que andar sempre, e devemos estar atentos para a prova seguinte onde talvez as nossas chances de êxito sejam maiores com menor esforço.
E perceber que algumas coisas não se movem só com palavras, é preciso tempo, clima, sorte e trabalho bem feito.

O PAI NA NOIVA.

Como dar valor a algo que não desperta em você o menor interesse?
É difícil a tarefa de contentar os outros quando você não consegue sentir o mesmo prazer que eles estão sentindo com aquele objeto de desejo.
Certos eventos sempre foram desprezados por mim, e os principais deles sempre foram as festas de casamento. Nunca consegui ver o sentido de tanto trabalho e gasto por um evento que glorificava uma passagem na vida que é uma entrada segura no território da incerteza. Depois de alguns poucos meses já se avista o casamento na rotina, logo depois os primeiros sinais de esgarçamento e em seguida o inevitável... mas não estou gorando ninguém.
Mas um dia assisti a uma filme do Steve Martin chamado O pai da noiva, e uma cena em especial fez minha vida mudar e minha maneira de ver tudo, não só casamentos, também.
No filme o pai é dono de uma fabrica de tênis e a filha vai se casar, ela sonha o normal de todas as noivas, uma bela cerimonia, uma boa festa e um vestido lindo. O pai atrapalha os sentimentos e pensa como o dono da empresa apenas em economia, facilidades e simplificações extremas. Os gastos vão se mostrando inevitáveis e o sofrimento do pai vai aumentando a cada cena e ele começa a pressionar fortemente com soluções exóticas como a de fazer a festa no quintal ao invés de num salão apropriado, um churrasco informal ao invés de um buffet caríssimo, mas num determinado momento durante o auge dos conflitos ele passando a noite pela sala vê sua linda filha, que ele ama de paixão, dormindo num dos sofás da sala e sobre ela um livro. Ele pega o livro e vê que se trata de uma manual de como fazer seu casamento economicamente, com dicas como: faça você mesma seu vestido de noiva, convide as amigas para prepara os docinhos, recicle, reaproveite, peça emprestado e outros tantos baldes de água fria nos sonhos de quem deseja apenas cumprir o convencional, ter um casamento nos conformes e sabendo que isso só se faz uma vez na vida e que é uma coisa muito desejada e esperada. Nesse momento, absolutamente tocante do filme, o pai e eu percebemos que não é possível sonhar o sonho dos outros. Cada um tem seu sonho e muito faz quem não atrapalha. Dai em diante o pai libera a realização plena do sonho da filha a um custo falimentar, e com o agravante que ele nunca durante toda a cerimônia consegue chegar nem perto da filha dada a uma séria de ocorrências tipo Lei de Murphy, e isso é engraçado e triste no filme, mas dá uma dinâmica muito legal às cenas. O publico sente o outro lado da história, agora o lado do pai que trabalha, ganha uma boa grana mas vê seu investimento sendo isufruido por todos menos por ele.
É isso, não mudei de opinião, apenas de postura, continuo achando que o gasto com cerimonias de casamento são muito longe de minha realidade, mas sempre tomo lá meus calmantes e sigo firme facilitando e tentando realizar os sonhos dos outros. Quando me casei pela primeira vez minha ex mulher usou um macacão riscadinho que de longe parecia jeans na única cerimonia que tivemos num cartório na Vila Prudente, em meu segundo casamento fomos para um igreja minúscula no Bairro onde minha sogra nasceu e o vestido da Regina custou o equivalente a um carro zero na época ( mas foi pago por meu sogro ). Ao meu ver até hoje um delírio.
Mas agora estou eu aqui lambendo minhas feridas, e seremos só padrinhos de casamento no próximo Sábado numa cerimonia relativamente simples mas cheias de sonhos de todas as partes e pessoas envolvidas.
, mas dava prá passar uns par de dias na praia com essa grana que gastei.

PELO CAMINHO MAIS CERTO.

Nos últimos dias tenho ouvido muitas lamentações, e uma ou outra voz mais serena falando que as coisas tem que seguir pelo caminho mais certo. De uma maneira geral as pessoas quando chegam em certas épocas do ano e do mês, principalmente, ficam muito sensíveis a coisas muito pontuais e não ao conjunto dos eventos com os quais estão envolvidos. Em palavras mais simples, se os negócios vão mal, a vida não vale a pena, se o tempo chuvoso não ajuda, a vida também não vale a pena. Eu também tenho essas crises de depressão, pelo menos um vez por dia. Mas sempre dou um sai pra lá nas nuvens negras e procuro ficar na postura de negociador de minhas vontades. Eu tenho sempre que negociar comigo que a vida tem muitos mais elementos positivos que negativos, e isso não é fácil quando você tem durante o dia uma verdadeira corrida de obstáculos onde cada um deles é na verdade alguém que tem alguma compromisso com você e quer saudá-lo com choradeira. Fico na desconfortável tarefa de ter que consolar, iluminar a vida da pessoa para fazê-la ver que tem que cumprir comigo aquilo que se comprometeu a cumprir.
O negociador não tem sentimentos, tem foco e objetivos a realizar. Se me acho uma pessoa humana e sensível tenho que dar uma de homem aranha, trocar de pele e encarnar o individuo distante dos sentimentos alheios e precisamente focado na tarefa de fazer cumprir o acordo.
No transcurso da ação não se obtém nenhum prazer, e não é tarefa do negociador obter prazer nessa etapa, o negociador é um homem de gelo, mas num determinado momento quando obtém o resultado objetivado é claro que se tem um sentimento de glória e vitória. Triunfar dá direito ao mérito do prazer. Fracassar como negociador só te dá o direito de fazer nova abordagem.
É uma terra de bravos, onde fracos e vacilos não tem vez.
Com o tempo você se acostuma tanto com as choradeiras como com as etapas de frieza diante da pseudo-dor. Não precisa com isso se tornar um ser distante e insensível, só precisa saber a hora certa de estar em cada papel. Esse modo prático de enfrentar as coisas não trás em si nenhum cinismo explicito, embora não esteja isento de ser enquadrado como pura manipulação.
É manipulação, mas é uma manipulação salvadora. Uma espécie de encurtamento do caminho pelo vale do sofrimento em que muitos insistem em caminhar.
Alguns anos atrás, muitos anos, eu vi o Daniel Filho da Rede Globo dizendo aos seus colaboradores durante a direção de um programa qualquer: - Faça alegre e rápido.
Isso me marcou, nunca mais esqueci essa lição absolutamente básica de vida.
Faça o mais rápido possível, não fique adiando as coisas do dia a dia. E faça com alegria ou ao menos sem pesar, faça sem sofrer, porque você vai ter que fazer de qualquer jeito e é melhor fazer com um sorriso no rosto. O lema do bom negociador é esse: "Faça alegre e rápido".
Seja inteligente, perceba com quem você esta lidando, veja que sentimento esta envolvido na relação, nunca demonstre que percebeu, seja um camaleão e tenha aderência ao modo da coisa toda, se infiltre e de as cartas até obter a sua solução final.
E deixe Maquiavel rolar no túmulo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

ERIC CLAPTON

As primeiras 91 paginas li em poucas horas. É arrebatador o volume.
"Quando a festa chegou o fim, considerei-me plena e verdadeiramente adulto, um homem do mundo, um pouquinho rebelde e anarquista, mas, acima de tudo, experiente. Senti que minha vida estava realmente deslanchando. Olhando para trás, senti como se houvesse fechado a porta do passado. mantinha pouco ou nenhum contacto com os velhos amigos de Ripley*, e meus laços de família pereciam muito frouxos. Foi como se eu estivesse começando uma vida novinha, onde não havia lugar para qualquer excesso de bagagem. Estava muito confiante em minhas aptidões e muito ciente de que essa era a chave para o meu futuro." (pag.84)
Narrada na primeira pessoa a biografia do inglês Eric Clapton, da Editora Planeta 399 pgs. é deliciosa de ser lida. Ele tem uma origem muito humilde e um dia descobre que seus pais são na verdade seus avós, e quando conhece sua mãe e pergunta: " Posso chamá-la de mãe agora?" ela respondeu de um jeito muito gentil: "Acho que é melhor, depois de tudo que eles fizeram por você, que continue chamando seus avós de mãe e pai" " e naquele momento senti um rejeição total. Mas até onde li ele parte sem muito peso na alma para uma aventura musical relevante e passa facilmente em seu inicio de carreira pelas questões intimas e pessoais, embora sempre relevando que tinha dificuldades com relacionamento sexual e vivia em seu mundo bem fechado.
Mas com isso ganhou foco, deixou de lado o mencionado excesso de bagagem e seguiu triunfante.
O livro promete muito e eu recomendo mesmo tendo lido apenas 1/4 dele.

* Ripley é no nome da vila onde ficava a casa de seus avós e onde viveu sua infância numa casa muito pequena com banheiro no fundo do quintal onde ele tomava dois banhos por semana com esponja e balde. E aos domingos a tarde um banho melhor na casa de sua tia.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TEM COMO ACERTAR.

Quando a MaRy JoE me mandou um e-mail com a foto acima achei que era importante guarda-la porque aquilo me acertou no queixo.
Eu moro num lugar pobre e coisas engraças como a da foto estão sempre no meu caminho.
Havia no centro de Embu-Guaçu uma placa mal feita onde queriam escrever PARE CALDO DE CANA, mas da forma como estava escrito ficou mais ou menos assim:
PA CAL RE
DO
CA DE NA.
Eu honestamente acho engraçado, mas é como a conversa do momento sobre o Robin Willians falar que ganhamos a competição para sediar as Olimpíadas porque mandamos 50 stripers e 500 gr de cocaina. É engraçado porque o cara é um comediante e faz piada sobre os fatos não sobre a ficção.
O fato é que não fazemos as coisas direito em nenhuma das escalas.
As grandes operadoras de tudo aqui em São Paulo são um caos, a tecnologia não suporta a demanda da telefonia, da internet, da tv a cabo e de outros embarques tecnológicos ; pontos de onibus inteligentes que tem painéis onde estão listados os onibus que estão a caminho, o itinerário e quanto tempo levarão prá chegar naquele ponto, na verdade informam mentiras, pois o onibus não aparece, quem vem é o de outra linha e não há informação sobre lotação, e eles sempre chegam abarrotados e impraticáveis. Quando chove, já pegamos uma sequência de 8 km de faróis apagados, não são meia dúzia, são todos de uma avenida de 8 kms. Alguém resolveu sincronizar e deu nisso. A lista de tecnologias que não funcionam quando são aplicadas a grandes demandas e infindável.
Mas nesses casos a cobertura profissional e financeira é sempre muito elevada.
Tem muito envolvido naquilo, muitos empregos, muitos direitos de patentes, muitos impostos, muito investidores e muito lucro gerado com cobranças aos consumidores e enormes e
implacáveis. Podemos fazer piada a vontade, temos assunto de sobra, nossa sociedade não esta funcionando. Nem na escala onde existe o dinheiro e a competência nem onde nunca se viu dinheiro e a competência é um mero exercício de sobrevivencia.
Mas acho que tem como acertar tudo isso, acho que passa primeiro por não ir tão acelerado, segundo por tratar a todos como diferentes e com isso aplicar medidas e remédios distintos.
Um grande sociedade não precisa de grandes soluções, precisa de soluções do tamanho de cada micro partícula que precisa delas.
Eu já fiz trabalhos de comunicação visual com erro de português, fui advertido e corrigi.
Já dei toques a algumas pessoas sobre erros que elas haviam cometido.
Mas não há como você querer ajeitar uma grande operadora que só pensa no lucro e não no produto. Ou como solucionar um governo que não sabe consertar buracos nas ruas. Ou quem faz uma obra que desaba antes de ser inaugurada porque a viga, uma entre 2000 utilizadas, trincou.
Tudo tem remédio no tempo certo mas é preciso ter honestidade de propósito.
Por fim é difícil saber como vai se alavancar um individuo como o da foto, por suas próprias competências jamais sairá de sua ALFISINA , vai precisar de muita ajuda e boa vontade para um dia ser o que é uma Ferrari ou BMW.
Esta comparação doeu em mim agora, o abismo é muito grande e não podíamos ter deixado isso acontecer.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

LOMBARDI

Não tenho nada a dizer que não vá ser dito ou que já não tenha sido dito muitas vezes.
Este cara fez parte de toda a minha vida, e não sei definir a importância dele nela, mas ele fez parte e hoje morreu.
Com isso algo de raro e único se perdeu.
Senti a perda, fiquei sinceramente triste com o acontecimento.
E tenho que registra este fato aqui.
Minha homenagem a esse cara tão especial para tanta gente.

PULSEIRINHAS

É algo que esta me deixando indignado já alguns dias a tal história das pulseirinhas.
São umas tripinhas de um tipo de silicone com uns dois milimetros de diametro e em cores variadas. A criançada esta comprando aos montes e custam entre R$ o,05 e R$ 0,10 nas papelarias, bancas de jornal e casas de doces, cada cor tem um significado, arrebentam com facilidade e o jogo é claro e direto e cada criança coloca a cor que correspondente à sua intenção.
Vem uma outra criança do mesmo sexo ou oposto e puxa a pulseira, se arrebentar o dono da pulseira tem que pagar algo, esse algo varia de pequenas atitudes como um beijo uma passada de mão até a mais pura violência física ou moral. Os códigos foram se ampliando naturalmente a criatividade foi ampliando as possibilidades e o jogo foi se tornando contagiante e nervoso.
A coisa em duas semanas tomou uma proporção impensável. Muita coisa ruim e violenta esta acontecendo e as crianças entrando intencionalmente ou ingenuamente no jogo estão ficando exposta a coisas bastante desagradáveis. Hoje numa reunião de diretores de escola que minha mulher participou houve o comentário do quão danoso esta sendo o alastramento e mau uso das tais pulserinhas.
Nossas crianças são bichos selvagens, e isso é lamentável.
Minha filha tem sofrido por minha parte uma perseguição implacável porque eu descobri o significado da brincadeira antes dela e já comecei pegando pesado com ela, o que não estava evitando dela ficar consertando pulserinha todos os dias aqui em casa. Inicialmente queira Super Bonder, como eu negava o produto ela passou a usar a alternativa de acender vela e queimar aponta da pulseira. Hoje a proibição foi dada de forma absoluta, não pode usar, não poder ter não pode ficar perto dos participantes e vai ter incerta minha e de minha mulher na escola e revista nas coisas dela. Se a brincadeira é grave e acaba até em espancamento ou violência sexual na rua tem que haver também por parte dos país uma atitude igualmente grave e em proporção maior.
E mais, estou advertindo meus conhecidos que comercializam as tais pulseiras que parem de vender porque são corresponsáveis pelos danos.

BIOGRAFIA

Algumas pessoas não tem biografia = Zero
Outros pensam que não tem biografia = 5
Outros acreditam que tem uma biografia = 10
Eu sou 7,5.
Encontros familiares são inevitáveis momentos de comparação. Todos temos, salvo um meia década ou mais, a mesma idade, nascemos da mesma família, dentro de um mesmo padrão econômico, vivemos na mesma rua ou no mesmo bairro e estudamos nas mesmas escolas.
Mas hoje entre 40 e 55 anos depois podemos fazer uma boa avaliação do que cada um fez de sua vida, que escolhas acertou e quanta sorte teve na jornada.
As variáveis de comparação são infinitas e ao final não se chega a nenhuma conclusão geral, apenas a conclusões específicas. Por exemplo: quem estudou e até onde chegou nos estudos. Ou quanto o estudo reverteu em bens materiais para cada pessoa do grupo, ou quem escolheu a carreira certa e esta feliz e realizado nela, quem escolheu qualquer carreira, ou quem não escolheu ou escolheu e não conseguiu ficar nela. Mesmo num item específico como educação as variáveis vão se seguindo e o leque fica muito aberto. Difícil chegar a qualquer conclusão.
Mas precisamos, porque reforça nossa auto estima, saber se estamos fazendo a coisa certa e ver a família reunida ajuda muito nisso.
Fora do âmbito familiar eu fico sem entender como o cara mais idiota da turma conseguiu tornar-se o mais rico? Como o cara que teve a sorte de casar com a garota mais bonita hoje amarga estar com a mulher que se tornou a mais desleixada e insuportável. Como o cara que era filho de pais formados em nível superior acabou na bebida, no cartório de protesto e vez por outra na delegacia?
Aquelas revistas de Empresários de grande sucesso são mais objetivas e procuram sistematizar a trajetória individual de sucesso.
Mas descartando-se o sucesso material e pessoal temos a questão da riqueza biografica.
Minha mãe e suas irmãs não tem muita história de vida para contar. Basicamente cuidaram da casa e dos filhos, sua biografia é um tanque de roupas, uma casa para encerar e um pia de louças para dar cabo. Nada de emocionante, tudo rotina, espremendo os 70 anos de vida dá ó máximo uma semana de acontecimentos que se repetiram 3.650 vezes ( 365 dias / 7 = 52 semanas ano x 70 anos em média = 3.650 semanas iguais vividas ). Ou seja se tivessem vivido apenas uma semana teriam a mesma história para ser contada. É claro que meu filosofar é leviano porque não considera as emoções de ver os filhos nascendo e crescendo, os casamentos, os netos as perdas, os capítulos finais das novelas e as músicas ouvidas no rádio. Nada é absolutamente vazio e sem vida, mas existem muitas oportunidades desperdiçadas.
Mas os anos 60 trouxeram um possibilidade de libertação das pessoas que passaram a negar as regras sociais até então existentes e com isso, com essa rebeldia muita biografia foi sendo completada e a nota média foi subindo. As pessoas foram saindo de casa e vivendo informalidades múltiplas, fizeram experiências e participaram de experiências sociais, embarcaram em ondas em furadas e em roubas. Tudo conta. Todo mundo casou pelo menos uma vez e a maioria se separou pelo menos uma vez prá tornar a casar.
A vida deu mais voltas, os dias ficaram mais curtos e mais recheados de acontecimentos.
E o tempo disponível dissolveu-se num perigoso esquema de prisão à rotina que rouba novamente a oportunidade de construir uma biografia. Nessa espera pela vida, pelos fatos da vida a vida se vai sem escrever história. Não importa o lugar. Não importa a pessoa a biografia só se torna real se a pessoa tiver atitude, sempre é claro.
Cheguei a conclusão que minha nota é 7,5 baseado em ter estudado, ter viajado, ter saído para morar longe numa iniciativa de aventura por mais de uma vez, em ter um pequena obra composta, ter uma filha linda, ter muita coisa feita prá contar, ter lido muitos livros, visto muitos filmes e ter visto muitas obras de arte importantes. Conheci muita gente legal e algumas importantes. Com isso tenho muitas história prá contar por horas seguidas, emoções vividas e percebidas. Mas a comparação de sucesso, felicidade e fortuna não é possível fazer.