PENSANDO

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

UM TESOURO REENCONTRADO

Sem querer achei na internet uma cópia de um trabalho meu feito 1986, acredito eu.
Um trabalho que custou mais de uma semana de dedicação, já que cada casa da cidade e cada rua teve que ser imaginado visto de cima pois não haviam imagens aéreas da cidade ao meu alcance. Mas apostei na poesia e por encomenda de um espaço cultural da cidade que faria um festival ou algo assim, fiz esse desenho para encartar na divulgação do evento. Posteriormente o mapa passou a ser vendido. Eu tinha notícias dele por intermédio de um amigo que hoje reside lá e que reconheceu minha autoria, eu acreditava que não houvesse mais nenhuma cópia dele já que se passaram 27 anos, mas o achei com pequenos acréscimos de nome de algumas ruas, e isso é uma retificação sobre o original que tinha todos os nomes e indicações dos locais relevantes.
O fato é que quando a gente menos espera a internet age feito o mar que do nada devolve à terra coisas que a gente acreditava terem sido tragadas para sempre.

terça-feira, 25 de junho de 2013

19 PALAVRAS

... e uma velha ama, a velha Moody, a velha Goody, ou coisa parecida, a quem se visitava numa pequena peça cheia de fotografias e de gaiolas de passarinhos.)   Mrs.Dalloway pagina 64 - Virginia Woolf  ( até aqui é dela, daqui pra frente sou eu )...


Ela já beirava os 88 ou 89 anos e ainda assim vivia em total independência, apenas que havia sabiamente reduzido sua rotina ao possível. Mas esse possível era tão amplo que duvido que muitas pessoas algumas décadas mais jovens tivessem uma vida tão repleta e movimentada.
Os pássaros já não existiam mais nas gaiolas... motivo de brigas e enfrentamentos com o finado marido hoje eles eram feitos de tecido estampadinho, preenchidos de algodão ou marcela e com olhos de botões ou rosário... algumas gaiolas maiores chegavam a ter 5 ou 6 e eram encantadores.
As fotos jaziam em molduras feitas pelo marido... ele as fazia às dezenas e ficavam amontoadas, ela, depois que ele morreu, resolveu pinta-las e completa-las com uns pedaços de cartão e sobre estes colava fotos. Não havia vidros para protege-las, mas as fotos estavam ali milagrosamente conservadas. De algumas ela não tinha mais lembranças para descrever quem eram os retratados e onde havia posado, mas havia fotos de todos que ela havia acompanhado pela vida e levado ao cemitério... mas sem dramas, sem lamentações.
O jardim era uma coleção caótica de espécies, mas tinham uma harmonia e a casa, escondida nos fundos de onde não se podia avista-la facilmente, estava estalando de nova sempre... ela pintava e repintava e contava com a ajuda de amigos para isso e para os concertos... chegara aos dias atuais com muitos deles, para ele cozinhava doces e bolos e montava em varias tardes da semana uma caixa de vime e ia ao encontro deles, numa lerdeza enervante, mas chegava, sempre chegava... e ao chegar encantava com suas observações feitas com precisão pelo caminho... nada de muito elaborado no pensar, era e sempre fora simples, mas era de muita poesia e precisão... sabia parar de falar e ficava olhando com um sorriso de Monalisa, a espera de um replica... isso confundia um pouco, era preciso buscar rapidamente algo para falar, ela ficava olhando e esperando e aqueles olhos cinzas, ou sabe-se lá que cor tinham, não piscavam e não desviavam...
Nos dias de chuva limpava as fotos e tirava a poeira dos passarinhos e depois coçava longamente  um gato de pano... se gostava tanto assim de gatos, por que não tinha um de verdade, havia tantos na redondeza, mas ela sabia que não iria muito longe e não queria deixar órfão... então conversava com os panos, e conversava longamente, contava detalhes, forçava a memória e o intelecto para formular algumas ideias, mas lhe faltava estofo, ela era realmente muito simples.
Não havia caderno de receita e tudo dava certo na mais pura intuição.
Banhos quentes 3 vezes por semana na casa de uma amiga, em casa não havia banho e não parecia faze r falta. A comida vinha era colhida ou chegava de algum lugar, sempre muito mais do que o necessário.
Era o menor paraíso do mundo... era aberto... era um ponto de encontro garantido com um sorriso e uma vós calma... era uma vida resumida em 19 palavras.



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Nunca consegui aceitar ser igual aos outros... mas também fiquei só nisso, nunca consegui ser, por fim, muito diferente da maioria das pessoas.
De qualquer maneira lutei a vida toda de forma anárquica para me manter longe dos modelos.
Foi um tal de vai e vem que mais me ferrou no campo material que ajudou... mas no campo bem intimo, pessoal sinto que o saldo foi positivo.
O vai e vem foi a luta, hora eu estava engolido pelo modo comum, hora eu chutava para o alto e conseguia seguir um caminho levemente diferente dos demais, e olha que levemente diferente nesse caso foi uma diferença enorme na minha vida.
Primeiro que ter a atitude, boa ou ruim, de conseguir chutar quase tudo para o alto soa como loucura para quem convive com você, mas causa inveja e admiração nessas mesmas pessoas... parece que é o que todo mundo quer fazer, mas é de fato algo que ninguém faz por não querer pagar preço algum... e o preço é alto.
Sei que não existe a figura do meio porra louca, esse é um bosta, acho que eu fui um bosta.
O louco total, o porra louca total não se ferra tanto, se você fica louco de uma vez e faz uma loucura completa sempre terá um lugar para voltar quando a loucura passar... as pessoas parece que gostam de acolher os loucos, os que tentaram, e se deram mal. Já os meio porra loucas, aqueles que fazem apenas uma meia loucura por não ter coragem de assumir uma loucura completa, esse se dão mal completamente. Não há muito acolhimento na hora em que bate o arrependimento. Parece também, que as pessoas não aprovam os que não ficam completamente loucos, até porque parece que esse meio louco na verdade é um subversivo, ele mantem um certo grau de razão e conduz a coisa de modos a se manter em dois lugares e modos de vida ao mesmo tempo, e isso não é bom para ninguém... loucos são divertidos, subversivos ao contrário metem medo. A subversão se caracteriza pela forma como o meio louco mostra aos demais que não é preciso viver completamente entalado numa rotina que subtrai e oprime diariamente a vida e a energia dele. A boa energia parece que é gasta em favor dos outros, a vida pertence ao gosto e ao desejo dos outros. E ver isso destacado na atitude de alguém que conseguiu pular "parcialmente" fora incomoda, e incomoda muito. Ninguém vai admitir que você fez uma acordo, largou o emprego, a faculdade, foi ganhar a vida morando num lugar melhor, trabalhando menos e que não tem mais conta em banco, sem criticar alguma coisa, sem denunciar alguma perda que eles acham relevante, mas vão dizer: isso é que é vida.
Na verdade todos os tipos de vida são vida, e preciso muito pouco tempo para você perceber que se revoltou contra uma rotina opressiva e caiu em outro tipo de rotina com apenas um grau diferente de opressão. Não tem saída, ou você faz uma loucura completa, um completo desligamento de sua vida anterior ou sua loucura será sempre pela metade...
Eu fiz pela metade, duas vezes de maneiras diferentes... alias fiz 3 quando entre a primeira e a segunda loucuras fiz a maior de todas que foi voltar acolhido, pensei que, para o formato pré-primeira-revolta.
Mas o saldo positivo que houve foi saber que não sou corajoso o suficiente para digamos colocar a mochila nas costas e dar uma volta ao mundo a pé... mas quantas pessoas conseguiram fazer isso na vida, algumas centenas no mundo todo, vá lá: alguns milhares, em todos os tempos da história, e olha que a humanidade contabiliza mais de 100 bilhões de nascimentos ao longo de toda a história da humanidade.
Desde que a mochila e o emprego foram inventados, poucos foram os que conseguiram dar uma volta completa, ou cumprir completamente um plano inicial estabelecido, a maioria volta e os que não voltam estão divididos em dois grupos: os que morrem no caminho e os que descobrem um novo lugar e ali ficam até morrer, que é uma outra forma mais poética de morrer pelo caminho um pouco mais tarde.
Eu parei de acreditar em minhas loucuras, em minha capacidade de realiza-las mas não parei de querê-las, e isso incomoda como uma farpinha travada na roupa que você sente mas não consegue achar.
Dá aquela sensação de não pertencer a este mundo nem ao outro mundo, de não ser parte de nada, de estar sobre um vazio.
Pior ainda quando mesmo não acreditando em sua capacidade de enlouquecer e partir, você se pega fazendo planos de um dia partir e ainda comete a besteira de compartilhar.
Eu quando fiz mudanças radicais em minha vida, as fiz quando estava no auge e vivendo os melhores momentos materiais de minha carreira, fazia com grana, e acho que ai estava o meu eterno erro.
Para mim a loucura tem que ser, acredito agora, a loucura selvagem, aquela se sair com nada  no bolso e cavar cama, comida e deslocamento todos os dias.
Mas pra que isso? Pra que ser um andante, um mendigo sem teto, sem cidade?
Resposta possível: Pra conhecer a vida de verdade, a vida fora da alienação, para não se sentir na necessidade de criar laço algum com coisa alguma ou pessoa alguma por algum tempo na vida, pra sentir o gosto de ser completamente dono de suas vontades, sentir-se um bicho selvagem não necessariamente um leão ou tigre, poder ser selvagem sendo uma suricata, solidária e simpática.
Não é difícil de entender... mas eu não vejo ninguém mais preocupado com isso, o tema envelheceu, ficou nos anos 60 e 70... o mundo mudou e ficou perigoso para os indivíduos... mas tem gente na estrada, conforme o jeito de cada um, mas na estrada...
Quando eu vejo um filme como o Na natureza selvagem, ou outro do gênero, fico extasiado, mesmo vendo o mocinho morrer no final... ai caralho, desculpe, não devia ter contado que ele morre... mas morre... ele se confunde com a identificação de uma planta, come a danada e só depois descobre que ela é venenosa... desculpa ai contar o final.
Bom, pra finalizar... tem gente que nasce com o estrepezinho espetado na roupa e se coça a vida toda, tem gente que nascem sem estrepe, tem gente que mesmo se estrepe sai pelo mundo, conhece outras maneiras mais inteligentes e efetivas de viver e é assim, a gente nasce assim, não escolhe.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

O PRINCIPE

Perdido.
Completamente perdido e sem dominar o idioma, sentiu mais uma vez na vida que suas burradas lhe tiravam as grandes oportunidades de ser feliz das mãos. Não era a primeira vez que o excesso de confiança o levara a um erro grave. Intuição, nada mais que intuição... zero de informação.
O lugar chamava-se Ladock, e lá o inglês era falado da forma mais enrolada possível. Mais fácil se estivesse numa cidade chinesa. Errou em todas as opções de estrada que fez e estava agora numa tal de B3275, no meio de plantações e de um povo branquelo.
Sentiu-se um ninguém, não sabia se localizar, não sabia se comunicar e o povo não era lá muito solidário.
Havia um bar chamado The Falmouth Arms

Pediu Coca-cola, e foi compreendido e atendido... imaginou que isso que sempre odiara agora lhe salvava a vida, uma marca globalizada era um lar, onde quer que se perdesse... uma centena de anos levou a Coca-cola para se tornar uma marca mundial e chegar ao dia de hoje onde sua vida era salva por um de seus maiores ódios.
Sentou-se num banco próximo à porta e ficou lá pensando em como se arranjar naquela noite num lugar tão fora de seus planos.
Parou um carro, ele nem conseguiu ver a marca, era coisa grande, de quem tem muita grana.
Um homem velho e alto saiu do carro cumprimentou-o e entrou no bar.
Em alguns minutos saiu de lá com uma lata de Coca-cola igual a sua e num estalo abriu-a.
Olhou-o com um sorriso e tomou um gole.
Ele também sorrio e acompanhou o gole.
O homem lhe disse algo que muito bem poderia significar: Até breve.
Entrou no carro e seguiu pela B3275.
Ele achou que conhecia aquele rosto de algum lugar, mas também achava que os ingleses eram todos muito parecidos.
A balconista do bar saiu e acenou para o carro que já ia longe.
E pronunciou claramente: Prince of Wales...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O GAROTO

O garoto  tinha um desejo, foi contando assim sem que eu lhe perguntasse nada... acho que estava meio aflito e querendo falar... é meio comum em quem esta em um momento de medo ou insegurança e quer compartilhar algo que julga importante para sentir a proteção de um cúmplice... mas eu não era... ah, com certeza não era mesmo... ele ao mesmo tempo se achava homenzinho mas ainda tinha medo de fantasmas... e me pareceu que tinha muitos fantasmas ali naquela cabeça... eu meio que simulei que estava atrasado e muito ocupado para me livrar dele, mas ele deu pra me seguir e eu me vi numa situação que não achava confortável... perguntou como poderia fazer para derrubar um grandalhão que insistia em estragar os dias dele... falei sobre David e Golias, ele não tinha a menor ideia de quem fosse... mas falei assim mesmo...
que Golias era um gigante a quem outros haviam dito que era grande demais para ser derrubado e David havia pensado: É grande demais para eu errar o alvo... depois vi que a história era totalmente inapropriada para o caso e aconselhei a mudar de turma, mudar de caminho, esquecer o idiota e achar algo mais interessante para fazer... mas fazer o quê?... comece fazendo arrumação... comece arrancando o mato, depois repare o que esta quebrado, em seguida já pode pensar em construir alguma coisa e sem querer falei para ele a essência de como acredito que as coisas devam ser levadas na vida.
Ele não entendeu nada naquele momento, talvez entenda um dia se guardar meus conselhos...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

SUTILEZA

Como entender algo grande demais?
Antigamente os povos que ocupavam o lado oriental do planeta concebiam alguns princípios de um modo muito diferente dos povos ocidentais.
Parte dessa pureza se conserva intacta e grande parte dela esta se perdendo rapidamente.
Como algumas civilizações orientais são muito antigas e tiveram nichos de isolamento, alguns modos de concepção e percepção se conservaram ali intactos.
É interessante inverter a maneira de entender as coisas para tentar entende-las melhor.
Mongóis concebem a posição do passado e do presente em relação à pessoa de forma mais lógica.
Para eles o passado esta na frente e o futuro nas costas... nós, ocidentais, achamos que o futuro esta na nossa frente porque acreditamos que temos que avançar para ele, ir em sua direção, quando na verdade o futuro nos vem em forma de tempo presente avancemos ou não. Os mongóis posicionam o passado na frente apenas por conceber que sabem como ele foi e que isso esta diante de seus olhos e sentidos, já o futuro é totalmente incerto e não sabido e por isso esta nas costas, oculto e pega e surpreende por trás.
Muitas outras coisas, fenômenos e princípios estão escondidos em pequenas e sutis dobras do perceber, de modos que ao vermos o todo complexo não o traduzimos de sua complexidade. Vemos de forma muito limitada, compreendemos de forma muito tabulada e contida dentro de uma sólida mania de ver como sempre foi, como sempre deverá ser.
Existem outras maneiras de perceber para poder entender.
Não se trata de fé.
É mais uma questão de angulo de posicionamento, uma questão de busca mais precisa por um endereço.
Seria assim como escrever algo em um lado de um papelzinho, dobrar mais de uma vez e colocar dentro de um livro, guardar o livro numa prateleira dentro de uma biblioteca com muitos andares no campus de uma universidade com muitos prédios... e depois achar o papelzinho cavando um túnel por baixo disso tudo.
Pode não ser o melhor exemplo... mas tem uma sutileza ai... você precisa achar algo que esta disponível, mas requer um outro caminho, estranho para nós, pouco usual e aparentemente mais difícil... mas na verdade é apenas preciso aceitar que existe uma outra maneira de ver a mesma coisa, só que com mais detalhes, precisão e sentido,

domingo, 10 de fevereiro de 2013

TÔ ME GUARDANDO PARA QUANDO O CARNAVAL PASSAR.

Para quem não gosta de carnaval, hoje é dia de cuidar dos vasos de plantas ou de ouvir discos velhos.
Qualquer coisa que não te coloco com o mundo além de seu portão.
Se por um lado parece que o mundo inteiro esta se divertindo, na verdade o mundo inteiro esta ridiculamente como sempre foi, meio parado pelo feriadão e meio entediado.
Bom momento então para fazer nada.
Excelente momento para parar e ficar olhando para o nada esperando o carnaval passar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

INOCENTANDO OS HOMENS MAUS.

Ninguém faz nada sozinho.
Quando você prega um grampo num morão de cerca no meio do pasto, longe de tudo, longe de todos, pode estar certo que junto com você esta o grampo feito por alguém que pegou um fio de aço feito por outro alguém que usou um minério cavado por outro alguém, e assim é com o morão e com o martelo e o arame.
Ninguém governa sozinho, ninguém erra sozinho.
Assisti a um filme sobre um momento específico da vida de um ex presidente dos Estados Unidos.
Não se espera que um homem que não seja uma verdadeira raposa consiga chegar a um cargo tão elevado e invejado. Não se fala de gente normal quando se trata desse tipo de conquista.
Uma vez no cargo o indivíduo tem algumas frentes de perturbação... a do próprio cargo em si  a dos adversários, a dos puxa sacos, a justiça, a opinião pública e a pior de todas que é enfrentar a si mesmo todos os dias.
Assim, a cada decisão, uma série de decisões menores interferem na decisão maior, principal e definitiva.
É a solidão mais exposta que um ser pode ter. Você é o responsável final por tudo mas todos  tem o direito de opinar e julgar todos os seus atos solitários.
O único atrativo é o poder pelo poder, nem sempre há uma recompensa material e na maioria das vezes a história não faz justiça.
Aqui no Brasil achamos que todos os que ocupam cargos públicos em qualquer parte do mundo o fazem para enriquecer, e isso é uma deturpação causada por 500 anos de corrupção e aceitação da corrupção.
Somos assim e acreditamos que o mundo inteiro seja assim. Não é verdade. Tem lugares onde a corrupção existe em níveis bastante aceitáveis e outros onde é intolerável e vem destruindo a nações. Ela é tão corrosiva que desagrega e faz com que um coletivo se torne cada vez mais tribal.
Então eu acredito que os políticos mais capazes muitas vezes não usam toda a sua capacidade em proveito próprio como acreditamos. Muitas vezes deslumbrados com o poder, a fama, a possibilidade de dar a palavra final sobre a vida de multidões eles aceitam como recompensa apenas a satisfação do ego.
Capacitadíssimos para articular ideias e planos, para fazer avaliações muito complexas de conjunturas muito mais complexas ainda, hábeis aos extremo na arte do convencimento e muito estudiosos dos detalhes e das possibilidades a que esses detalhes podem levar, passam como um rolo compressor sobre todos e isso é um outro grande prazer,  a capacidade de vencer intelectualmente.
Mas sempre se cercam de conselheiros e esses mais cedo ou mais tarde caem em desgraça num território ou em outro, ou no campo inimigo ou por fogo amigo, nunca saem ilesos, nunca vi ninguém que não é o número um sair sem machucados de suas gestões. Mas essa é a função deles, se por um lado podem estar colados ao poder sem terem sido eleitos por outro estão lá por um preço caro que será cobrado na hora que isso for possível. Tombam, fatalmente tombam e levam a fama pelos erros nem sempre cometidos.
O volume e a qualidade de  informações que um mandatário tem dá a ele o poder de decidir sem ser entendido. Como o grosso da sociedade só dispõe de parte da informação e pouco da experiencia de tomada de decisão, então fatalmente o significado da decisão se perde quando chega aos extratos mais baixos. Decorre então o julgamento com base em matéria parcial que fatalmente leva a injustiça.
Quem esta lá encima sabe disso tudo e já não dá importância maior a isso, sabe também que no macro a coisa tem que andar e que se a cachorrada late ou não late não faz a menor diferença, em tempo algum.
A experiência de ser o número um no país mais poderoso do mundo é tão única que apenas 44 homens ocuparam esse cargo entre 30 de Abril de 1789 e o dia 20 de Janeiro de 2013, ou 224 anos.
A visão deles é uma antes de entrar e outra completamente diferente depois que saem. Mas nenhum outro simples mortal tem a menor ideia da complexidade que é essa visão. Alguns inciaram guerras e levaram milhares a morte, outros terminaram essas guerras, e alguns não passaram por guerra alguma que tenha sido relevante ( sem querer aqui dizer que há irrelevância em qualquer guerra que seja ).
Li algumas biografias e me interesso permanentemente pelo assunto: o homem no poder, dada a distância que o poder impõe a esse homem... é a tal solidão exposta.
Solitário nesse mundo de força disponível e no centro de todas as informações que nunca teremos e podendo, dispondo delas fazer aquilo que julgam o melhor, não fica claro para quem seria esse melhor, mas acredito na necessidade de continuidade no poder e eles hora pendem para o melhor para suas próprias imagens, hora para o melhor para o coletivo que representam, hora para o melhor para seus egos, e isso é assim, já que não terei o reconhecimento pleno vou fazer algo que só será percebido no futuro, vou aceitar o julgamento da história, e isso é pender para o lado do ego em detrimento a todos os outros lados.
Acumula-se um bocado de experiências com uma vivência que em verdade é rápida no poder, no máximo  8 anos numa vida media de 80 anos, e levasse uns 50 anos para conseguir chegar lá, até mais. Mas são anos muito intensos, carregados de jogadas, rasteiras, pressões e surpresas. Nada é obvio e anunciado previamente, tudo chega camuflado e a arte de governar é a arte de desvendar qual a verdade por trás de tudo que chega ao seu conhecimento.
O erro é sempre embarcar na necessidade de governabilidade. Esse erro é fatal e derruba e derrubou a todos. Melhor passar por incompetente que por ladrão ou desonesto. Alguém incompetente conseguiria chegar lá? Alguém honesto conseguiria chegar lá? Claro que não, tratamos aqui de pessoas que conseguem juntar as pontas de várias coisas, criar os fatos e deles de valer para subir cada degrau e se manter nele.
Assim chego ao ponto básico que quero chegar com essa conversa toda.
Imagino ir pescar com um  ex presidente americano, estar só com ele num barco no meio de um lago com o tempo todo a disposição, nada para interromper e poder sondar entre um lance e outro da pescaria cada mínimo detalhe do que é estar no cargo e ser uns dos 44, entender os fatos pela ótica de quem pode declarar a verdade totalmente. Imagino poder descobrir coisas tão absurdamente complexas que levaram a tais e tais decisões, como descobrir também as coisas tão absurdamente simples que levaram a complexas decisões. Coisas como 1 + 1 = 2 ou fórmulas que ocupam um pagina inteira de caderno. Nas coisas simples evidentemente vão prevalecer a alma do homem, suas convicções e suas possibilidades de articulação. Nas bem complexas veria apenas como ele se virou na enxurrada  como conseguiu manter a cabeça de fora para respirar e como conseguiu nadar até a margem ou se conseguiu apenas se agarrar a algo e esperar a força da água diminuir. Deve ser maravilhoso ouvir uma explicação completa e convincente dada a mim que não propagarei nem sairei contando nada para ninguém. Mais, poder mergulhar fundo e entender o processo e o homem envolvido no processo. Foi fácil? Tirou de letra? Perdeu o sono? Deu dor de barriga? Assinou a autorização para bombardear e não tremeu a mão sabendo que de uma certa forma matava naquele ato?
Fascina, instiga... acho que deixaria o anzol sem minhoca só prá não perder a concentração nas respostas.
Sentiria vontade eu também de ser um 45°... claro que sim, é fascinante o poder até para um anarquista como eu. Desconstruir um fato partindo da base da informação, fazendo do fim para o começo e do verso para o anverso, saber primeiro o nome do assassino, depois a história do filme e só por último o nome do filme e quem trabalhou nele. Tem gente que não gosta de saber o final antes, prefere a ilusão. Falo de um mundo sem sonhos e sem ilusões de homens sem isso. De pessoas que se ocupam de fatos, não especulam, que lidam só com verdades e que erram até por não se usarem de suposições ou verdades vagas.
A matéria que lidam é imaterial. Tratam de um jogo jogado entre iguais. Tudo é abstrato e se transformara em verdade material num futuro, onde só então poderá ser avaliado com certeza, só no futuro está a configuração final de seu estilo de propor um ideia, consolida-la e descobrir se acertou ou errou. E isso considerando que jogar com  iguais é muito mais difícil. Num cenário onde outros dispões de vontades diversas, informações diversas e éticas relativas o punhal paira sobre suas costas o tempo inteiro.
Saber como lidou com a ingratidão, com a mentira, com as más intensões e com os que sendo honestos não sabiam se expressar... como soube tirar de cada um a verdade, ou não soube e perdeu por isso.
Houve um universo em cada mandato, alguns foram presidentes quando o país tinha lá sua desimportância.
Na verdade a relevância de decisões ocorreu no mandato Lincoln por conta da guerra sangrenta interna que quase detonou o país e para todos depois de Roosevelt ( Franklin 1933/1945), quando então o país despontou e se manteve no topo.
Esta postagem terá continuação...