PENSANDO

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

O CHINÊS DOS PRATOS

Tinha muito no circo no tempo em que eu era a criança mais linda do mundo.
Era angustiante.
O chinês colocava uma monte de pratos a girar nas pontas das varas e eles iam perdendo a força e o chinês tinha que correr e agitar a vareta para não caírem... e quando você achava que ele ia se dar mal, ele colocava mais uns 3 ou 4 pratos adicionais e corria feito doido de ponta a ponta do cavalete dando mais força em cada vareta... nunca mais vi esse tipo de pataquada, mas também nunca mais vi circo na tv... tinha no circo do Arrelia, todos os Domingos...
Eu acho que hoje nossa deita em berço esplendido eterna pátria do futuro divide-se em pratos, e o chinês não preciso dizer quem é... vai ter que correr para todos os lados para conseguir girar os pratos... não conseguirá.
Uma vez eu vi o chinês derrubar uns pratos e eles quebraram... poxa,  aquilo estragou o meu domingo, eu fiquei muito triste mesmo, eu achei que algo de muito grave aconteceu... dei uma dimensão exagerada para o fato... mas o fracasso dele me deixou mal... alguns anos depois eu descobriria que esse sentimento recebe o nome de constrangimento alheio... eu já havia quebrado um prato na vida, e não fiquei tão mal quanto quando o chinês se estrumbicou. Suporto mais os meus fracassos que os fracassos alheios.
Muitos pratos vão se quebrar na nossa generosa pátria, não tem como girar tanta vareta assim, até porque, quem já viu o número de circo, sabe que quando o prato perde a força ele cambaleia de uma lado para o outro de um modo assustador... estamos com um número muito grande de pratos cambaleantes, muitos mais que a capacidade que temos de girar as varetas... a coisa correu solta demais por muito tempo... parecia que a gente ia chegar lá, chegou a parecer que tínhamos chegado lá no futuro, mas o que vem por ai é um revez do cacete.
Voltamos a ser o país do futuro...
Não chore, não pense em você, pense em seus bisnetos... tataranetos, é o mais apropriado no momento.

Um comentário:

Paulo Vilela disse...

Boa, Vitório! Sobre a política é bem isso mesmo.

Agora, por que a gente torce pro cara que atravessa o desfiladeiro numa corda, chegar ao fim? Não temos nada a ver com o cidadão que arrisca a vida pelo seu prazer, mas se cai nos constrange enormemente. Não sei se é isso, mas penso que nos projetamos na figura deles, nosso alter ego banana sonha com heróis que não somos nem nunca poderíamos, se ele cai, é como se nós estivéssemos na sua pele, o sonho acabou.