PENSANDO

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A VIDA NÃO É PLANA

Me apaixonei pelo trabalho do pintor Vasarely, cujo trabalho publico acima quando o vi pela primeira vez num a agenda da UNICEF 30 anos ou mais atrás. Esses volumes dizem muito para mim. Embora hoje imperfeitos diante das possibilidades gerados por alguns programas gráficos de computador, ainda assim são lindos pelo conceito de ilusão de ótica que as tonalidades e a geometria produzem.
Mas o ponto é a depressão e não a arte. Eu em alguns momentos fico buscando uma ferramenta ou um truque mágico prá me tirar da depressão. Depois de um final de semana com muitas atividades e convívio social, na segunda a coisa pega, e pega de um modo muito dolorido. Eu prevendo isso, ontem escrevi uma lista de coisas que preciso e devo fazer nesta semana prá não ficar virando de um lado pro outro sem saber o que fazer, ou sem saber o que fazer primeiro, ou para não começar algo que não irei acabar e com isso aumentar a minha depressão no final do dia. Sinto uma enorme necessidade de chegar ao final do dia com a sensação de que aquele dia foi produtivo e portanto valeu a pena. Mas não tenho conseguido. Não importa o volume produzido a sensação de que algo deu errado vem do mesmo jeito. Então resolvi investigar as causas da depressão, e começo a achar que eu estou é ficando mal acostumado com as coisas. Ou seja, estou escolhendo fazer só as coisas que gosto e não as coisas que preciso fazer goste ou não. Com isso, trabalhar a contra gosto acaba gerando a sensação de não estar fazendo nada, contrariando a realidade de que estou fazendo, mas talvez não tão bem feito e sem nenhuma alegria.
Conclusão: não tem cura minha depressão. Acho que preciso de um chefe, alguém que me obrigue a fazer aquilo que não gosto. Consegui um certa liberdade, mas não a liberdade plena. Posso trabalhar em casa e fazer o que gosto, mas não me livro das demais tarefas e dos contactos inevitáveis com os clientes chatos e de ter que fazer cobrança e pagar contas. Só ganhando na Mega Sena mesmo. Mas algo a mais esta errado, mesmo depois de um dia fazendo mais coisas que gosto do que as que não gosto senti que a proporção de prazer ainda assim era pequena. Entendi que as coisas chatas então passaram a roubas o prazer das coisas gostosas. Se eu faço as coisas chatas primeiro quando chego nas coisas boas já estou cansado e sem criatividade, se faço as gostosas primeiro acabo fazendo sobe a pressão de ter que acaba-las para dai então enfrentar as coisas chatas, lá se foi meu prazer.
Melhor achar a ferramenta certa prá acabar com essa ansiedade toda.

2 comentários:

Mary Joe disse...

Vitorio, puxa, estava com saudades do seu blog!...

Amigo querido, a vida definitivamente não é plana. E nem simples.

Em tudo que somos e fazemos há o ônus e o bônus.
E ser autônomo requer mais autocontrole do que se tivessemos um feitor a nos empurrar pra lá e pra cá.

Mas por outro lado, podemos estabelecer pequenas metas diárias... (de coisas chatas, mas necessárias) e feitas essas, estabelecer prêmios... coisas gostosas que nos deixam felizes, por termos dado conta.

Eu trabalho dessa forma: a cada tarefa "mala" me dou o direito de fazer algo que goste (por isso as 8:52h da manhã estou aqui lendo seu blog). E assim vou levando o dia, alternando o prazer e a chatice.

Não existe o prazer único... isso é utopia, amigo Vitório. Até porque já imaginou que chatice um mundo perfeito? rs
Um grande beijo pra ti
Mary Joe

Arquimedes Pessoni disse...

Pois é, minha enfermidade momentânea me proporcionou tempo para coisas que realmente gosto: genealogia, leituras, organizar coisas, refletir sobre outras e dar pequenas, doloridas e lentas caminhadas pelo bairro. No meu caso, no final do mês o $$$ tá na conta. Isso facilita e evita preocupações financeiras. Sei que quando voltar ao trabalho, além das sequelas que me perseguirão, terei de fazer coisas não tão legais e ter menos tempo para as caminhadas, ouvir minha filha ao piano, brincar com a cachorra e sair com a esposa. Mas, aos poucos, tento fazer as coisas que gosto - trabalhar é uma delas. Programo tarefas para o dia seguinte, pegando a agenda e colocando tópicos do tipo "comprar isso", "ler aquilo", atualizar blog... e vou ticando as que consegui fazer. Depois de muitos tiques há sempre a sensação de prazer cumprido. Aí é sentar e assistir algo que gosto, sentar na varanda e não fazer nada... sem sensação de culpa. Sem grandes planos, viver o curto prazo...