PENSANDO

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

MINIATURAS

O mundo infantil é uma miniatura do mundo adulto. Os brinquedos são miniaturas no geral das coisas que os adultos usam, tipo: carrinho, ferramentinhas, casinha, panelinha, bonequinha no papel de um bebêzinho, instrumentozinhos musicais e tantas outras infinitas variações. O comportamento das crianças também espelha o comportamento adulto... e ai meus Deus! Esse é o problema. Muito cedo elas começam a imitar sem no entanto terem tido o aprendizado dos códigos de pudor, moral, decoro, pudismo e tantos outros, e eu pasmado observo que nem os adultos sabem também se aprenderam direito ou não. Com isso alguns conselhos que dei para amigos e amigas agora tenho que resgata-los para meu uso próprio. Chegou a minha vez. Eu me preparei prá isso e estou bastante tranquilho, mas sem certeza de nada. Mas as crianças também querem experimentar um beijo, também querem saber o que é negócio de catar, só que sem ter noção do limite entre o que é o comportamento normal e o que é o risco ou o despudor.
Os envolvidos nos cuidados e educação das crianças entram em ligeiro pânico e passam a se sentirem culpados por serem privadamente despudorados, publicamente moralistas e intimamente conflituosos sobre isso tudo. Não é fácil querer o melhor para os filhos sem ter que priva-los de algumas experiências que deveriam ser inevitáveis mas que envolvem perdas. O ideal seria deixa-los viver plenamente todas as nuances, mas isso os faria desempenhar papel de bobos nas mãos dos mais espertinhos, e os filhos dos outros são sempre os mais espertinhos, nunca os nossos o são.
A perda da inocência doe nos pais e enche os filhos de orgulho e confiança. Saber do primeiro beijo, que foi dado no pior da espécio humana, que a melhor amiga é aquela vaquinha, que todos estão de olho nela e a rede vai ser lançada.
O papel do pai não é o de viver a vida do filho, as asas precisam crescer, e crescem escondidas.
O pai precisa não dormir no ponto, precisa se atualizar e entender os códigos, precisa renunciar às suas necessidades mais imediatas para como um faroleiro vigiar o trafego dos navios ao longe.
Coisa séria senhoras e senhores.
Tem que se ter nervos de aço.

4 comentários:

Anônimo disse...

As preocupações vão se trasformando no decorrer do período...................

Arquimedes Pessoni disse...

Pois é, passar de consumidor para fornecedor é complicado mesmo. Havaiana de pau nos gaviões!

Mary Joe disse...

Vitório, ando pensando muito sobre isso. De maneira diferente, até porque a fase aqui de casa é diferente... mas o que ando tentando fazer é mostrar a elas os dois lados de tudo..o ônus e o bônus...e o custo disso tudo.
Conceitos como os de piriguete, mãe solteira e relacionamentos que naõ dão certo, são cotidianos, até porque elas vivem no mundo.
E Vitório, naõ vivi a geração, "é proibido proibir", entaõ, acho que sim, tudo está disponível e é possível, mas nem tudo nos é conveniente...

Careta? Sem dúvida alguma... mas em algum momento da trajetória foi escrito que mães conseguem naõ serem totalmente caretas?

creuza disse...

a única maneira entender esta fase de transformação é a participação não apenas como pai e sim como pai-amigo,sempre presente para o que der e vier,qdo digo amigo,não´estou dizendo que deva passar a mão na cabecinha do filho prá tudo e sim amigo que senta ,ouve,orienta, respeita e que proporciona oportunidades para que
se torne um adulto confiante e seguro de si...
bjss