PENSANDO

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OS DEUSES ESTÃO MORTOS.

Quando ouço algumas musicas de pessoas que já morreram sempre me pergunto o quê estariam fazendo hoje se ainda estivessem vivos?
Fred Mercury por exemplo foi prá mim uma gigantesca perda, com sua interpretação e inspiração únicas não deixou nenhum cover sequer à sua altura. Na real, eu acho que carreiras que terminam em alta, criam na gente a falsa impressão de que o melhor ainda estava por vir.
Minha percepção da verdade no entanto me diz que não é isso. Grandes figuras que ainda estão vivas sumiram de todos os panoramas, não só do musical como do intelectual, cultural e da midia de maneira geral. Aquilo que prometia ser eterno perdeu sua força e caiu num plano prá lá de secundário. Elis era maravilhosa, mas será que hoje estaria fazendo o mesmo que a Gal Costa?
Cazusa eu adorava, mas será que hoje estaria fazendo o mesmo que Belchior?
A dimensão do vazio é prá mim maior do que eu posso calcular. Há o vazio pelos que partiram e o vazio dos que ficaram. Ou então não há o vazio mas sim uma outra forma que não consegue me atrair. O novo sempre vem, o velho deixa de existir.

4 comentários:

Mary Joe disse...

Vitorio, é difícil se manter no ápice eternamente.
Sempre aparecem novos talentos, seja em que área for. Claro que é possível estar sempre se atualizando e tentar acompanhar a onda... ou mesmo antecipar-se a ela.

Em termos culturais então, acho que isso se aplica de maneira ainda mais acentuada.
A opinião pública é bastante volúvel e o que agradava há vinte, trinta anos como no caso do Mercury, por exemplo, poderia hoje naõ achar tanta atenção da mídia...

Você e eu vivemos essa fase musical com bastante intensidade,e acho que para nós, são insubstituíveis. Mas veja, há novas gerações que sequer ouviram falar do Queen. E se ouviram, consideram datado, sem graça.

Meu pai dizia que é preciso morrer quando o mundo começa a parecer estranho demais. Acho que ele tinha razão.
O mundo se tornou estranho para a Gal e o Belchior... ou ainda a pobre Vanusa...
Me entenda: naõ desejo a morte das pessoas que são. Mas a morte do trabalho que fazem e já não se ajusta aos tempos. Se tornam relíquias vivas.
Complicado isso.
No fim, nem eu mesma entendo o que eu ia dizendo.

Mas acho que estou virando anarquista, ou seria anárquica?
Enfim,
Beijo carinhoso
Mary Joe

Galatea disse...

Quando vi o título, pensei que se tratasse de Ufologia ou Mitologia.

Bom, Vitorio, o fascínio por músicas antigas existe em todos que já tiveram a oportunidade de ouvir uma boa música de um artista do passado.

Quem não ficaria minimamente encantado com os Beatles,hm?

Quanto a querer preencher o vazio, sim, todo ser vivo tem dentro de si um vazio existencial. Ele não pode ser ignorado, não pode ser anulado, e nos motiva a procurar coisas para nos preenchermos.

O problema é que hoje, essas coisas são cada vez mais fúteis e temporárias. Elas são fast- food. Sentimo-nos "cheios", satisfeitos enquanto elas duram, mas logo depois a euforia passa e o vazio volta a incomodar.

Acho que o primeiro passo para acabar com a anústia é aceitar o vazio. Não há nada de errado em termos esse vazio, até porque ele é parte constituinte da nossa formação humana, e quiçá dos animais.

Algumas religiões - pasme! - mandam você se voltar para o vazio, com pra´ticas como a meditação. Você literalemnte esvazia sua mente e seu coração de tudo que é deste mundo e alcança assim, contemplando o seu vazio interior, a paz de espírito.

Então o vazio pode ser uma coisa boa?

Deixo para você e os leitores do post refletirem sobre o assunto...

Arquimedes Pessoni disse...

Fazer sucesso é fácil, o difícil é manter-se no topo. Alguns ídolos realmente submergiram e acho que tiveram um papel importante, mas já deram o que tinha de dar. Lembro dos discos que vc me emprestava do Milton Nascimento, Chico Buarque, Mercedes Sosa...hoje não colam mais. O Chico resolveu escrever e galinhar. O Milton balofamente estagnou e a Mercedes a ouço no Youtube. O legal é que alguns deles produziram filhotes que levaram eternamente a chacela de "filho de...". Veja a Elis Regina: até arrepio quando ouço a filha dela cantar. É muito igual. Não acho que é uma versão melhorada, mas já mata a saudade.
De qualquer forma, morrer para alguns é uma forma de sair em alta, como o Mickel Jackson que passou de comedor de criancinha para ícone: morreu e ficou bonzinho.
Mas, se existir esse lugar chamado céu e se eles foram bonzinhos, chegar lá e assistir a um show de Cássia Eller, Cazuza e Tim Maia (se ele aparecer, claro), seria bem legal.

marcia disse...

PARABÉNS, MOÇO SEU BOLG É MUITO BOM