PENSANDO

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

GODFREY REGGIO

Quem não viu o filme Koyaanisqatsi de 1982, um documentário em estilo muito original, tem uma lacuna emocional muito grande na vida.

Eu assisti no cinema em 1983, e ele só passou em uma única sala de cinema aqui em São Paulo,

poucos viram, mas a dois anos estavamos numa loja comprando um presente para uma amiga quando dei de cara com o DVD double-face com Koyaanisqatsi de um lado e Powaqqtsi o segundo filme da trilogia de documentário concebida e dirigida pelo norte-americano nascido em 1949 em New Orleans e que depois fez apenas mais três filmes também documentários. Bem, eu tenho o DVD, assisto quase sempre e acho que prá algumas pessoas estou falando algo absolutamente inteligível. Os documentários fazem um mergulho profundo e radical, além de visionário e antecipado da presença do ser humano neste planeta, algumas sequências são alucinogénas e deixam você tão grudado na tela que você sente uma tremenda corrente eletrica passando por seu corpo e o fantástico é que ele consegue mexer fisicamente com todos que assistem.
A música é de Phillipe Glass que é um craque absoluto na composição de trilhas cinematográficas. A união de imagens, músicas e micro histórias deduzíveis pelas expressões dos personagens reais que são mostrados numa velocidade alucinante, tão alucinante que me arrisco a dizer que em algumas sequencias são mostradas 100 ou 500 imagens em meros 15 segundos.
Por vezes a musica é lenta com imagens muito aceleradas, tipo 24 horas em 30 segundos, ou o oposto mostrando em camera lenta com música minimalista aceleradissima. É uma experiência cinematográfica única. Depois de ter visto este filme uma dúzia de vezes revi-o em tela grande com som de 1º mundo no sábado para um publico muito qualificado, e o resultado foi excelente.
E gostoso curtir junto com outras pessoas uma experiência alucinante como essa.
Esse filme mudou minha forma de ver a vida urbana e eu me mudei para Paraty grandemente influenciado por ele. Ele mostra como fazemos mal uso do planeta, de nosso tempo e como as cidades são um caos que vai sendo absorvido de forma não percebida pelas pessoas.
A vida mecanizada das grandes cidades fica escancarada e você se sente realmente mexido por tudo aquilo.
Durante as quase duas horas de filme não é dito nenhuma palavra, apenas no final aparecem legendas traduzindo o significado do nome do filme, algo assim como " Mundo em caos, e em busca de uma nova forma de ordenação" em um dialeto africano.
Acredito que na Saravai.Com possa ser encontrado o DVD com os dois primeiros filmes, pois eu comprei o meu na Saraiva do Shopping Ibirapuera.

2 comentários:

Arquimedes Pessoni disse...

Assisti e tive de analisar esteticamento Koyaanisqatsi na aula do Manolo, em 85, na Metodista. Juro que é muito depressivo...saí muito mau da sala de vídeo...deprimente.

Mary Joe disse...

Eu assisti com meu irmão, na época. Do alto dos meus 14anos achei muito acelerado e confuso. Mas naõ desgostei. Apenas achei difícil.
Agora com seu post, tive vontade de rever.
Vou fazer isso.
Beijokas
Mary Joe