PENSANDO

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

JÁ ERAM...

As grandes empresas não tem mais credibilidade.
Elas tornaram-se desumanizadas, seus funcionários não tem vínculos fortes com o empregador e não transmitem confiança, os produtos são práticos mas não gratificam o cliente, se ocorrer algum problema o cliente sente-se infinitamente pequeno e impotente diante do gigantismo da corporação.
Antigamente uma empresa tinha uma relação estável e permanente com o cliente. Você gostava de comprar e usar os produtos dela, depois o produto virou marca e a marca foi passando de mão em mão, e hoje você não sabe mais quem fabrica tal coisa, mas no final quem fabrica é um único dono de um grupo desfigurado de empresas que nascem e somem instantaneamente.
É como plano de saúde , você tem um a mais de 20 anos, dai um dia vem um banco e o compra, muda tudo e você tão tem mais nada, direito a mais nada, alias tem , tem uma encrenca danada.
Aquela relação antiga e cordial se extingue muito rapidamente.
O empregado é sempre terceirizado e não se sente parte de nada, com isso participa minimamente de tudo, o produto resultante é algo sem densidade. Ligue para um tele-atendimento e veja de onde o funcionários esta falando, em alguns casos o cara tá na India.
Ele na tela as respostas e não vai alem de meia dúzia de opções de soluções que nunca agradam a cliente algum.
A fórmula básica é fazer o mínimo, cobrar o máximo e fingir que satisfez o cliente.
Lembro me da Cerâmica São Caetano, seu slogam era " Só uma lajota da Cerâmica pode riscar outra lajota Cerâmica", as lajotas avermelhadas e sextavadas eram usadas em todas as casas de do Estado de São Paulo, até hoje você encontra algumas em perfeito estado, o produto era de primeira, trabalhei com eles, os funcionários se aposentavam e continuavam trabalhando, o Seu Savério trabalhou lá por mais de 60 anos. Era cumprimentado pessoalmente pelo Dr. Simonsen, proprietário do Grupo embora fosse um funcionário da produção. Havia respeito, vinculo e reconhecimento.
Hoje as empresas tentam passar a imagem de ecologicamente corretas, quem acredita que um Petrobrás seja ecologicamente correta, ou uma Vale?
As grandes empresas tornaram-se gigantes, unidas, e disformes.
Eu conheci pessoalmente o Sr. Samuel Klein, dono das Casas Bahia, e ele ficava nas lojas, quando já tinha uma grande rede, hoje isso tudo é do Pão de Açúcar, e os donos nem sabem onde ficam as lojas. Certamente toda a equipe é terceirizada e não ficam mais de um ano em suas funções e buscam outras oportunidades de emprego, com isso tanto faz de você voltar ou não a comprar da empresa, eles não estarão mais ali quando você voltar, por isso você não é importante para eles.
Acabou, o mundo perdeu o laço, a parceria, a fidelidade ao produto.
Antigamente uma Brastemp era uma Brastemp, hoje é apenas um eletrodoméstico caro.
Quando você abre a caixa do produto já começa a ficar insatisfeito, e logo passa a sentir ódio do fabricante. Não há mais nenhum prazer e confiança na relação cliente-fornecedor.
Depois que compramos nosso ferro eletrico Eletrolux que funcionou por 3 horas e pifou, jurei que por alguns anos não compro mais nenhum eletrodoméstico. Vou comprar um ferro a carvão que dura uma vida inteira, não quebra, não tem manual de instruções e vai fazendo história na medida que o tempo e ele vão passando.

2 comentários:

Mary Joe disse...

Muito bom o seu texto. Sinto na pele as agruras de mexer com grandes redes. Ninguém se interessa, ninguém se importa.

Mas, quanto mais isso acontece, mais procuro fidelizar meu cliente, sendo o parceiro que ele quer e precisa. Porque é tão ruim ser apenas mais um número né?

Gosto da lucidez dos seus textos.
Acho que vc põe o dedo na ferida, sem que isso soe como piegas, ou por outro lado, como mordaz. Vc tem o timing perfeito. Parabéns Vitório.
Beijokas
Mary Joe

Arquimedes Pessoni disse...

Charles Claplin, em Tempos Modernos, já caricaturava esse comportamento. Por isso prefiro feira livre a supermercado. Lá me conhecem e conheço todos pelo nome, não sou mais um consumidor apenas. Não que deixe de lado comprar pela Internet: evita filas, gastos com estacionamento e permite comparações de preços na ponta dos dedos. Quanto ao ferro à carvão, não seria ecologicamente correto...