PENSANDO

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sábado, 12 de janeiro de 2013

PARATY, NUNCA MAIS.

Durante mais de um ano pensamos em fazer camisetas estampadas com uma bela imagem de Paraty-RJ, com a frase "PARATY NUNCA MAIS" e vende-las como água em dia de chuva. Os turistas simplesmente odiavam a cidade quando chovia e tinham muitas razões para isso.
As ruas calçadas com enormes pedras arredondas nas bordas, assentadas de forma a canalizar a água para o meio da rua e assim conduzi-las ao mar eram um tormento para se caminhar. Em uma parte mais para as bandas do mangue e do cais alagava, eu cheguei a ver algo próximo a uns 70 centímetros de água em pleno sol de verão. O odor era horrível, cheiro de mangue - uma mistura de água salgada, lodo e peixe podre - característica do mangue, gostemos ou não.
Calor insuportável, chuva sem tréguas, ruas alagadas e nada para fazer, nada... só havia a opção gastronômica, mas ninguém fica o dia todo comendo.
Assim, Paraty com chuva era o maior programa de índio que uma pessoa podia imaginar fazer, e programa caro, caro de tirar o couro... se tinha uma coisa que a cidade sabia fazer era tirar a grana do turista em volumes elevados sem oferecer nada de especial em troca.
Lembro de um rapaz que trabalhava no Café Paraty e que atendia aos pedidos de sanduíches dos clientes lendo no cardápio quais ingredientes deveria usar e a toda hora perguntava: - Que treco é esse tal de peito de peru, o quê é mostarda holandesa? Improvisação total a preço de ouro para o cliente.
Justiça seja feita, dizem que o serviço melhorou, mas em minha época tudo lá era selvagem.
Falo de um  período intermediário entre a barbárie total do século XX e os dias atuais.
Os nativos eram rústicos e sem honra e os gringos eram safados demais.
A história da cidade era uma imensa página policial, com crimes de morte banais, atentados, corpos semi carbonizados na estrada da Ponte Branca, roubos, vandalismo... uma cidade violenta, muito violenta.
Um cidade de coronéis, gente sem capacidade de repartir, gente sem brilho, gananciosos e cruéis.
Mulheres eram objetos sexuais ou mercadoria, animais eram rotineiramente maltratados, não havia o mínimo respeito a sentimentos e à vida de nada.
Não havia palavra nem honra. Um acordo, um contrato não tinham valor algum. Tudo era desfeito ao menor indicio de lucro alheio. Ninguém aceitava repartir, e morriam, se contorciam com o sucesso alheio. Não bastava ganhar, o outro tinha que perder para uma negociação  ser satisfatória.
Cobra comendo cobra, ninguém piscava, piscou dançou.
Inveja, muita inveja... segredos, calúnias, mentiras e armações.
Eu nunca vi um covil como aquele em qualquer outro lugar em que estive.
Vi coisas banais como uma pessoa dar um informação errada a uma família de turistas que buscava localizar um determinada pousada onde tinham reserva para simplesmente dificulta-los já que não tinham escolhido a pousada de um primo do informante. Como vi também cartas anônimas enfiadas debaixo da porta de todas as casas do centro histórico durante a madrugada chamando determinado morador de cornudo, dizendo quem é que estava comendo a mulher dele e uma outra anunciando ser o morador tal um traficante de drogas, tudo era muito baixo. Vi a população da cidade tentar jogar a única viatura da policia no rio em frente à delegacia num Sábado a tarde, assim como vi os filhos da elite drogando, a beira da overdose, as filhas dos moradores da Ilha das Cobras em plena luz do dia na prainha do Forte.
Por ali passaram imensas cargas de ouro e pedras preciosas a caminho de Portugal, esse mesmo falido Portugal que hoje pede penico ao mundo. Ali desembarcaram escravos, ali se matou muito e se morreu muito pelo dinheiro. Ali mataram um certo poeta Zé Kleber, companheiro de cela de Graciliano Ramos, figura conhecida de toda a população, pessoa amigável e barbaramente assassinada num carnaval.

O poeta Zé Kleber

Mas não havia nada de bom lá?
Havia, e muito, o lado ruim, o lado negro da alma daquele povo, que era de assustar, pasmar e entristecer qualquer um.
A paisagem era maravilhosa, eu morava no sobrado da foto acima - num apartamento no andar de cima dele, bem no centro da cidade. As praias distantes eram lindas, o  mar transparente, a serra e suas cachoeiras um deslumbramento só. Mas não conheci lá nenhuma pessoa que não tivesse o pé atrás com quem era de fora, que não tivesse rancor por alguém da cidade, que não tivesse uma história de como havia sido enganado e roubado por outra pessoa da cidade. Todos se diziam herdeiros disso e daquilo e em um golpe de cartório haviam sido passados para trás por fulano de tal, que depois perdeu para o fulano que no final perdeu na bala por beltrano. Não havia lá o respeito a propriedade. A cidade foi esquecida por longos anos e um dia renasceu, uns dizem que por conta do capital e iniciativa dos gringos, outros por conta da raça dos herdeiros, fato é que a cidade se ergueu e criou fama, daí a todo mundo querer rever o passado e reivindicar para si tudo que havia sido restaurado foi um pulo.
Mas veio um tragédia, a cidade foi levada pelas águas de uma sequência de chuvas e toda a iniciante indústria do turismo se ressentiu. Seguiram-se anos de vacas magras e cidade vazia. Naquela época eu cheguei a cidade para morar nela por um ano e meio. Amargas lembranças, escolha infeliz. No começo não havia uma única brecha, mas depois acertei a mão e ganhava dinheiro, quanto mais ganhava mais ódio eu atraia também, lá não há compaixão nem reconhecimento de mérito. Quem consegue ganhar algum dinheiro é inimigo.
Eramos os primeiros a perder o direito a comprar leite quando entrava a entressafra.
Não podíamos comprar pão quando chegava a temporada, o pão estava na vitrine mas não podia ser vendido porque estava reservado para algum morador nativo ou para alguma pousada, mas estava na vitrine, o mesmo se dava com a carne e com o peixe. Era medieval demais o modo de tratar.
No banco não havia o mínimo respeito a fila, atendido primeiro era o amigo ou parente do caixa, o Banerj era escroto, você ficava horas lá esperando e vendo o atendimento sendo feito pelo fundo do balcão.
No supermercado era assim, você passando as compras no caixa e o caixa abandonava você para ir a outro caixa atender um amigo, parente ou um ilustre e nem falava nada, só interrompia e fim. Numa marcenaria onde fui pedir um orçamento de um trabalho ouvi: - Meu trabalho é caro demais para você pagar... e deu-me as costas sem nem saber quem eu era e se eu tinha ou não meios, uma situação de te fazer pensar em matar.
Não deixei um amigo sequer naquela cidade, vivemos lá acompanhados as vezes de algumas pessoas vindas de fora que moravam lá e de turistas com quem fizemos amizade, nativos não conquistamos nenhum.
Terra amarga, terra de pessoas sem alma, terra de pouca alegria.
Terra de gente hipnotizada e deslumbrada pela fama, pelo luxo e pelas coisas obtidas nas relações, não no trabalho.
Desisti quando senti que o fel me contaminava.

"A defesa é natural;
Cada qual para o que nasce;
Cada qual com a sua classe;
Seus estilos de agradar.

Um nasce para trabalhar;
Outro nasce para brigar;
Outro vive de intriga;
E outro de negociar.

Outro vide de enganar;
O mundo só presta assim;
É um bom, outro ruim;
E eu não tenho jeito para dar.

Para acabar de completar;
Quem tem o mel, dá o mel;
Quem tem o fel, dá o fel;
Quem nada tem, nada dá.





12 comentários:

André Menezes disse...

Completo idiota....Paraty é mar.....volta pra Avenida Paulista que lá é ótimo!

Anderson Costa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Talvez o problema seja você. ..

Unknown disse...

Porra eu morei em uma cidade de friburgo lumiar os nativos eram extremament estranhos, pior q exist pessoas assim...

Lua disse...

Porra eu morei em uma cidade de friburgo lumiar os nativos eram extremament estranhos, pior q exist pessoas assim...

Anônimo disse...

Cara, o que você fumou antes de escrever esta bobagem? Que viagem, hein? Passado, futuro....tudo misturado....foi regressão, santo daime?

Anônimo disse...

Uma aula de Historia e Literatura contemporanea

Anônimo disse...

nem li todo, pq com certeza é um ser saltitante. Pararty é Paraty, praia, cachoeira, ilha, história... o idiota que não vê isso, faz camisetinha e tira fotinha na academia

anapsm82 é meu face...

lembram dos skrotinhos???? kkkkk
então né

Anônimo disse...

o autorzinho ainda remove comentários pra não passar vergonha... tb usa regata fio dental na academia???

Anônimo disse...

maconha e falta de neurônio ===== burro!!!

FABINHO Motoboy disse...

E eu pensando em ir embora de juiz de fora pra la, justamente por causa do povo daki

mandinho disse...

Isto é que nem aquela história em que o viajante ao entrar na cidade perguntou a um velho: " como é esta cidade?" O velho perguntou como é de onde vc veio? Muito barulhenta e violenta. Em que o velho responde: então não vai gostar daqui, é a mesma coisa. Partiram e foram embora. Outro viajante chega a cidade e pergunta ao velho: como é esta cidade? Como é a sua de onde veio? Pergunta o velho. É calma e tranquila. Então irá gostar daqui é igual a sua. Moral da história, vc faz a cidade em que vive.