PENSANDO

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

A NONA E O NONO.

Ela é Maria Luisa Meneghel, que chamávamos de Mariana e ele é Paulo Meneghel, meus avós maternos. Moramos juntos durante o tempo em que estavam vivos. Ela nascida em Itapecirica da Serra, lugar pelo qual sou apaixonado, meio pela beleza da região e meio por um num sei oquê que me atraia para lá. Tenho um forte centro de atração naquele lugar. Como moro perto vou sempre lá. Ele acho que era de São Caetano do Sul, ele ia buscar carvão que o pai dela produzia e assim se conheceram e casaram. Ele tinha uma capacidade de cozinhar coisas deliciosas e uma receita de pastelão de carne moída com molho de tomates que se perdeu para sempre. Ela fazia tralharim cortado na faca, bem largo e as porpetas eram absolutamente divinas, e essas eu sei fazer absolutamente idênticas. Fiz uma vez para uma festa e as pessoas adoraram porque o segredo - vou contar - é ficar duas horas esmagando os ingredientes na munheca até ter tendinite. Ela fazia isso conversando, contando histórias ou falando de suas preocupações com a gente em com mãos fortes de quem tinha que trabalhar duro.
Ele era um touro, aos 72 anos conseguia carregar duas latas de 20 litros cheias de areia por uma distância de 400 ou 500 metros, coisa que eu nunca consegui igualar e conheço poucos que conseguem fazer, mesmo os puxadores de ferros das academias. Eles eram fortes, eram simples, religiosos, medrosos e exemplares sempre. Davam um conselho a cada 10 segundos, não paravam de aconselhar a gente. Tinham tudo muito arrumadinho na vida, tinham pouco e o pouco estava em ordem. Eram atenciosos mas não eram carinhosos, eram endurecidos pela vida, mas eram compreensivos e de uma sabedoria básica, de quem não sabia ler nem escrever e de quem morando tão perto nunca vira o mar. Ela tinha medo de andar de carro e isso complicava a vida dela, já o irmão dela aos 73 anos andava de moto no transito de São Paulo, dá pra acreditar?
Aqui eles são um foto mal tirada, mas nós, os netos e filhas olhando para essa raridade conseguimos ver tanta coisa que fica impossível descrever tu

4 comentários:

Mary Joe disse...

Que delícia Vitorio. Delícia de foto e delícia de ter convivido com eles.
Pense no mundo diferente que conheceram e como se situaram nele.
Gosto de pensar nisso.
Nos que vieram antes de nós, e de certa maneira, forjaram estradas para que seguíssemos.

Meu pai morreu aos quase 70anos, há exatos 15anos. Ele viu a segunda guerra mundial, Getulio, o golpe militar, e foi em meio ao plano real.
Gostava de ouvi-lo e pensar em tudo que ele tinha visto e nunca verei.

Tenho uma alegria secreta: ele naõ precisou ver a onda de axé, e nem a gripe suina, rsrsrs.

Vitorio disse...

Olá MaRy JoE
Estamos criando um blog para juntar todas as informações de nossa familia. Vamos colocar fotos e memórias. Meu primo Arqui é fera nisso e já tem muito material e prazer em desenvolver esse tipo de trabalho.
Depois que estiver mais elaborado te informo o link.
Faça o mesmo com sua familia, é muito gostoso e vc vai ver qta coisa legal aparece e quantas coisas já esquecidas por todos esta guardad na cabeça de alguém que nem se esperava que sabia de algo.
Um beijão.

creuza disse...

resgatar nossa história é como vivê-la novamente ,nos trazendo momentos de puro encatamento,momentos de dor e sobretudo de entendimento de nos mesmo em relação a vida ...deixar esta história contada para as gerações futuras é uma herança que nenhum dinheiro paga,não é mesmo???

Vitorio disse...

Primita Creuzita
Para isso criamos o blog da família
link na minha pagina inicial deste blog
Beijão.