PENSANDO

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

JUDAS.


Você conhece alguém que se chama Judas?
Pois é, acho que ninguém conhece e diz a lenda que o Gilberto Gil quando foi registrar no cartório o nascimento de sua filha Preta, hoje cantora e atriz famosa conhecida como Preta Gil, teve sua intenção barrada pelo escrivão que disse que Preta não era nome. Gilberto Gil então argumentou que se alguém podia registrar a filha com o nome de Bianca, Branca, Clara ele poderia registrar de Preta. O escrivão então disse que só o faria se ele acrescentasse um nome cristão, e Gil resolveu não enfrentar o escrivão e registrou-a com Preta Maria, Maria a mãe de Jesus ou a famosa Nossa Senhora. Daí tudo bem. Então imagine você querer registrar um filho com o nome de Judas.
Pois vamos ao ponto.
Judas era um apóstolo de Jesus, e teve a mais árdua das tarefas: trair Jesus e morrer antes Dele. Judas traiu para que Jesus fosse morto e sendo morto se tornasse o símbolo que se tornou. Se Jesus deu sua vida para salvar a humanidade, Judas deu a sua para que isso pudesse sem duvida acontecer. Logo, se Judas deu sua vida para salvar a humanidade, porque é odiado? Por que não é cultuado como Jesus?
Imagine o sofrimento emocional de Judas sendo levado por uma força interior que não podia controlar, porque era um instrumento da história e estava destinado a isso, ter que trair, receber as moedas por isso, não usufruir do valor recebido e em seguida se matar por conta do profundo drama de consciência a que foi submetido.
Teve um destino cruel e uma incompreensão e ingratidão históricas absurdas.
Não haveria a prisão de Jesus se ele não fosse identificado e indicado com um beijo por Judas?
Os romanos eram tão idiotas assim que não conseguiam identificar sozinhos o rabi que era seguido por metade do povo de Jerusalém para ouvi-lo? Será que os romanos construíram um império sendo tão tapados assim?
Judas foi um personagem histórico ( real ou não ) absolutamente fundamental na história, assim como todos os outros que construíram o drama e sofrimento de Jesus, porque sem eles o fato não teria a menor importância e as palavras do rabi teriam sido apenas mais palavras ditas por um dentre tantos outros profetas que também se acreditavam filhos de Deus.
Quando eu era muito pequeno ia com meus pais na Igreja de São Judas Tadeu no bairro do Jabaquara aqui em São Paulo e achava que se tratava do mesmo Judas que amanhecia pendurado nos postes no Sábado de aleluia e depois era trucidado com pauladas. Bem se vê que minha formação religiosa era muito mal conduzida e eu por minha parte era um cara muito cretino e pouco observador. Mas depois descobri que um era o queridinho das causas impossíveis e o outro o rato.
Mudei, passei a pensar mais e acredito que minha missão é fazer pensar. Pensem se é justo passar por cima dos sentimentos e sofrimento de um homem que foi destinado apenas a ser fraco e trair para que algo de importante acontecesse em função disto e nunca oferecer a ele o perdão que o rabi pregava. Não teria sido justo que assim que Jesus ressuscitou, ter ido ao Geena, precipício de 40 metros onde os restos de Judas foram lançados, e fazê-lo de lá surgir vivo e perdoado para provar a todos a consistência da palavra do filho de Deus. Então como é, perdão para todos, menos para Judas? Será que no Juízo final não te enquadram também na mesma lista que Judas e você se lasca por alguma traiçãozinha que tenha feito até sem saber ou pode ser por uma fofoca que você fez ou um segredo que sem querer contou?
A verdade é que estas contradições todas tiram a graça e a credibilidade das coisas, mas como ninguém quer pensar muito, me arrogo a dizer que penso, seguem crendo.
Desculpem se tiro um pouco da graça das coisas também, mas minha missão também é incomodar ou irritar vocês.

Um notinha: Dirão que o arrependimento de Judas é um lição/exemplo para que as pessoas não façam igual a ele e não tenham que se arrepender depois. Eu acho que neste caso o exemplo do perdão seria algo muito mais apropriado ao cristianismo.

Uma piada: Jesus já no céu rodeado por seus apóstolos estava muito preocupado com uma incumbência do Pai de resolver a questão do consumo de drogas no mundo. Para melhor resolver a questão pediu a cada apóstolo que descesse à Terra e trouxesse uma amostra de um tipo de droga para análise. Passado algum tempo de espera, bateram na porta e Jesus pergunta:
- Quem é?
- É Thiago rabi!
- E o quê você trás?
- Trago maconha de Pernambuco.
- Entre.
Batem novamente na porta e Jesus pergunta:
- Quem é?
- Sou eu, Lucas e trago cocaína da Bolívia.
- Entre.
Batem outra vez e a pergunta:
- Quem é?
- É João Batista!
- E o quê trás?
- Trago Heroína do Paquistão.
- Entre então.
E assim todos foram chegando. Por fim batem à porta e Jesus pergunta:
- Quem é?
- É Judas Scariotis rabi!
- E o quê trás?
- Trago a policia, mãos na cabeça moçada que a casa caiu!

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

O erro de todo esse pensamento é esquecer do livre arbítrio. Judas não estava "predestinado" à traição. A lógica é que para Deus não existe nem espaço e nem tempo. Logo, Ele já sabia (porque não existe presente, nem futuro... sei que é difícil, mas tente se imaginar sem a linha do tempo)que a opção de Judas seria trair Jesus e não que ele tenha sido, como boneco de marionetes, usado para esse fim.
O futuro é desenhado por nós como um livro em branco. Acreditar que Deus vai guiar sua mão para escrever certo e que o Diabo para o errado, fica a visão simplista que se as coisas dão certo é porque Deus quis e se dão errado é por causa do demo ou de alguma obscessão.
Piadinha para entender o tempo de Deus: um homem chega para Deus e pergunta: "Senhor, o que é um trilhão de dólares para ti?". Deus responde: "Apenas um centavo". E o homem continua: e um milhão de anos-luz?": Deus responde: "Apenas um segundo"...o homem pede: "Então, Senhor, dê-me um centavo!!!!". Deus arremata: "Claro, filho, aguarde um segundo".