PENSANDO

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

REGISTRO

Tenho que fazer aqui o registro de algo grave.
Faço porque isso documenta uma situação complicada.
Ontem ao ir buscar minha filha na escola ( EE Leda Guimarães Natal ) ocorreu na saída às 17 h 30 um fato muito grave, os portões não foram abertos. Ocorre que a saída se dá por uma corredor que é um atalho entre o prédio da escola e uma rua que ficaria nos fundos da escola embora seja muito mais prática para todos. O corredor tem uns 40 metros de comprimento por 2 a 3 metros de largura começa no topo de uma grande escadaria e termina num portão de grade de folha dupla. Imagine 300 ou 400 crianças se comprimindo no corredor numa saída de escola.
Os primeiro a tentarem sair ficaram presos juntos ao portão, os pais do lado de fora vendo o negócio ficar complicado, alguns pais tentando ligar para a secretaria da escola para avisar do perigo e nada do telefone ser atendido. Outros pais passaram a filmar porque viram que o risco estava ficando cada vez maior de algumas crianças se ferirem gravemente e era bom no minimo resgistrar aquilo tudo. Começamos a pedir para as crianças se afastarem do portão e a coisa só piorou.
Aqui um capítulo a parte. Quem são as crianças?
Em minha opinião um bando de selvagens, pois quando perceberam que o portão estava fechado passaram a empurrar mais ainda a turma para frente a a atirar pedras. Não sei se o caso deles é divã, internação ou porrada, mas certamente mesmo não achando que sejam anjos quando se juntam não é possível admitir que se matem por conta de uma falha na segurança da escola.
Com muito custo uma funcionária conseguiu atravessar a massa e chegou com a chave ao portão, mas dai a conseguir abrir é outra história, levou muito tempo e a funcionária também foi espremida. Portão meio aberto, estouro de boiada e ai começaram os ferimentos, a conduta das crianças nesse estado de euforia é algo lamentável. Um rapagão de seus 15 anos e com cara de que poderia assaltar a todos a qualquer momento resolveu simplesmente agarrar nas laterais do portão e impedir a saída dos demais, não respondeu aos pais que o mandaram parar com aquilo e ainda saiu ameaçando. Um pequeno fim do mundo.
Todos saíram, vários se ralaram alguns se machucaram. Coloquei minha filha no carro e fui para dentro da escola, na secretaria não havia ninguém disponível para ser informado que havia acontecido algo potencialmente grave. Logo depois de mim entraram os demais país já fazendo o barraco. Surge uma senhora chamada Dna Marlene coordenado e diz solenemente depois de ouvir o relato: - Isso não é problema dos país, erros acontecem, o funcionário abre o portão a 11 anos e sabe o que tem que fazer.
Argumentamos que era grave que hoje ele não havia aberto e que aquilo era uma armadilha para as crianças, resposta de Dona Marlene: - Façam o que bem entenderem, os assuntos da escola resolvemos internamente.
Bem resolvi parar de falar com ela na medida em que percebi que ela é corporativista, omissa, não demonstra entender a responsabilidade que tem nos ombros, que não sabe dialogar e que realmente se sente imune em seu cargo. Arrogante e despreparada.
Pedi por último o nome do funcionário pois iria falar com ele para saber o que havia ocorrido, pois sempre tem uma segunda história para ser contada em todas as histórias,e neste caso tinha, ela se negou a dizer o nome, dei-lhe as costas e alguém me falou pelas costas: - Chama-se Osmar tá la na cozinha.
Bem, Judas tem em todo lugar e na cara dura.
Desci para a cozinha e perguntei pelo Sr. Osmar, ele estava lá, e quando o vi tomando um copo de água me desarmei. Era a pessoa mais simples e humilde que se pode pensar em encontrar na vida. Perguntei a ele se ele sabia o que havia acontecido, e ele muito singela e educadamente me falou que tinha sido responsabilizado para olhar duas salas e que não poderia ter ido abrir o portão pela ordem que recebera, e ele é do tipo que obedece. Não entendi que salas ele tinha que olhar e não achei relevante saber. Perguntei se ele percebia a importancia do fato de não ter aberto o portão e ele deixou claro que sabia que aquilo era grave mas tinha ordens a cumprir.
Um outra funcionária merendeira, conhecida minha, saiu em defesa dele dizendo que eram humanos e que erros acontecem. Falei para ela que sim mas que o erro era grave. Falei também ao Sr. Osmar que os pais estavam indignados e que ele deveria se precaver naquele momento porque estavam muito exaltados com o ocorrido, desejei a todos boa sorte e sai.
Liguei para a policia e perguntei como deveria proceder preventivamente num caso desses.
O policial foi muito atencioso e disse que a situação era complicada, pois a policia é orientada a nunca entrar dentro de uma escola, que a Ronda Escolar nada pode fazer estando do lado de fora e mesmo em caso de algum tumulto na rua são limitadas as possibilidades deles frente aos menores. Mas eu não queria saber sobre a policia e sim sobre um prevenção efetiva e ele me aconselhou a tratar o assunto com a Delegacia de Ensino. A Delegacia de ensino não tem plantão noturno, se tem não foi possível chegar a ele. Pensei num boletim de ocorrência da Polícia Civil para forçar a direção da escola a se sensibilizar, pensei na imprensa e pensei em ir direto com o assunto ao Secretário de Educação.
Pensem assim, a prefeitura nega licença de funcionamento para um lugar se este não tiver uma saída de emergência com portas livres que abram para fora. Como então uma escola onde 300 ou 400 alunos saem de uma só vez pode ter todos os seus portões trancados. Imagine então o portão trancado no final de um corredor onde cabem 400 alunos com idades entre 9 e 15 anos, alguns muito pequenos outros muito grandes. Um dia vai acontecer novamente e será um massacre. Mas Dona Marlene acha que isso não diz respeito aos país.
Não adianta malhar em ferro frio.
Resolvi botar no papel.
Vou enviar oficio ao Governador do Estado de São Paulo porque ele é o responsável pela escolas, ao secretário Estadual de Educação uma cópia, embora o chefe dele receba o original, ao Ministério Publico porque pode ser que os ofícios do Governador e do Secretário sejam picotados antes de alguém ler, ao Prefeito da Cidade de São Paulo porque o prédio não esta em conformidade com as leis de segurança, ao Crea - Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura porque algum infeliz executou aquele projeto de corredor da morte, ao Comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, porque é atribuição da corporação zelar pela segurança física dos cidadãos, a toda a imprensa que eu puder enviar o relato, porque a imprensa adora essas coisas, só não vou enviar à Dona Marlene porque esta teve em suas mãos o privilégio de cuidar, sendo remunerada, dos filhos dos outros e não sabe fazê-lo.
Mas tem tantas coisas erradas neste mundo, por que se ocupar e atormentar tantas autoridades com algo que poderia ser resolvido localmente e na diplomacia?
Bem, porque se fico calado sou cúmplice, porque é preciso forçar os outras a cumprirem com suas obrigações já que ele não o fazem expontaneamente.
Por fim recomendei a minha filha que não entre mais no corredor da morte, que espere até que todos saiam, que avise seus amigos para não caírem na armadilha mas crianças não ouvem, por isso os que lá estão são adultos, para zelarem por elas, Dona Marlene?

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

É isso aí, bote a bota no trombone mesmo. Mas a decisão mais sábia, apesar da Dina Marlene, vc escreveu no último parágrafo: eduque sua filha a ficar longe da choldra...