PENSANDO

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

TÉDIO

A muito tempo não sentia tédio.

Mas algo mudou e eu me enchi um pouco de ler o livro que estava lendo porque não era apropriado para o momento, então busquei outro livro e também achei um de monte coisas necessárias para fazer. Mas não me livrei do tédio.
Vi então minha filha em férias aqui em casa deitada sobre o carro da mãe na garagem agonizando em tédio. Um cena horrível.
Bem ela arranjou um lugar para ir e sumiu por alguns dias para lá.
Eu não me livrei do tédio nem com muitas ocupações e me coloquei a pensar sobre a sua origem.
Conclusão: O tédio é esperar por algo ou não ter pelo quê esperar.
É um espaço vazio dentro da gente louco para ser preenchido pela adrenalina da paixão.
Já falei aqui no blog sobre solidão a dois, ou a três.
É preciso você se beliscar e acordar, começar a planejar bobeiras para fazer junto com pessoas que gosta e ocupar a mente com coisas fúteis mais que consumam muita energia.
Um agravante tem sido os temporais e o risco que se corre em sair de casa, aqui as coisas andam muito complicadas e esse confinamento, as vezes sem energia elétrica, sem telefone, sem internet e sem rotas de fuga da rotina tem sido massacrantes.
Muita coisa para fazer, poucas para relaxar.

Por outro lado eu sempre gostei de ficar só, em lugares especiais que tenho aqui perto.
São mirantes onde posso passar horas sem ver ninguém e onde se tem umas paisagens deslumbrantes. Lá fico parado no tempo, espero por nada, perco a noção do tempo e sei que o mundo e as vidas seguem enquanto fico contemplando, só contemplando, sem tédio, sem paixão... sem pressa.

2 comentários:

Mary Joe disse...

Vitório, tédio é uma sensação horrivel mesmo.

Uma inadequação ao momento que estamos vivendo, como se estivessemos a procura de algo que nem bem sabemos o que é, e menos ainda, onde está.

Espero que as coisas voltem a fazer sentido, via mirante, ou simplesmente via uma introspecção na cabecinha do Vitório mesmo.
Beijokas
Mary

Arquimedes Pessoni disse...

O tédio é um tédio, mas pode vir a ser um ócio criativo. Sempre gostei de andar de ônibus e olhar as pessoas e paisagens, sem ter o trabalho de pensar. Imagino o que se esconde atrás de cada rosto. Também gosto de ver as luzes dos apartamentos nos prédios grandes. Fico imaginando como deve ser a vida de quem mora ali, suas agruras, medos, conquistas. Outro tédio gostoso é ficar olhando pras ondas quebrando no mar ou a água que corre num ribeirão, isso me acalma. Fico calmo quando o tédio vem e não preciso pensar em arranjar dinheiro para pagar as contas que chegam enquanto tenho o tédio. O ruim é quando precisamos pagar as contas e só o que conseguimos é ter tédio e não renda. Aí o tédio vira um horror...