PENSANDO

PENSANDO

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A IMENSA CURVA.

A vida é uma imensa curva.
Quando você se despede da necessidade de ser protegido e inicia seu voo solo em busca da afetividade que transborda pelo mundo afora, começa a fazer a jornada pela imensa curva.
Um pouco baseado no hinduísmo, tão antigo, esquecido e parcialmente na moda, acredito desde a muito, que a vida não é uma reta, e que por não sabermos onde é exatamente o destino, erramos por beiradas e variantes, mas que sempre tornamos à imensa curva.
Quando pela primeira vez você descobre-se gostando de alguém passa a se expor para a pessoa de seu interesse de modos a facilitar a criação de vínculos, acreditando que os vínculos criados gerarão as possibilidades necessárias para realizar a plenitude de seus sentimentos.
Mas os sentimentos nunca chegam ao limite de suas possibilidades, há interferências, e a plenitude nunca acontece. Mas dentro do universo limitado em que se encontra a pessoa em seu principio de vida afetiva exterior, as crenças são ferramentas para justificar as atitudes. Você acredita que será amado igualmente e na mesma intensidade e isso justifica os riscos. Elabora então as técnicas para a conquista. Com poucas ferramentas, quase nenhuma experiência e sem rumo certo lança-se nas trevas da conquista achando que terá que fazer malabarismos muito complexos para conseguir aquilo que todos já conseguiram. É como uma corrida de espermatozóides, no entanto haverá interferencias. Não é um caminho reto, é cheio de alternativas e as escolhas terão que ser feitas. Nessa hora, das escolhas, sempre ocorre um travamento total. Faltam as ferramentas e as experiências para balizarem as escolhas. E os erros vem em avalanches, causando catástrofes interiores, machucando e ensinando.
Desistências, outros apelos até então ignorados e muitas novidades nos roubam a atenção e nos excitam, levando para dentro da gente um turbilhão de emoções com as quais não temos a menor ideia de como lidar. Nisso os hormônios começam a confundir amor com desejo, e trocamos e destrocamos uma bela bunda por uma essência, um sorriso amigo por uma roupa mais provocante. Oquê queremos? Não sabemos. Queremos sair disso tudo com alguma vantagem, com alguma conquista, queremos não ficar sós. Queremos ter algum troféu, nossa aventura precisa de uma gratificação, nosso orgulho e auto-estima precisa da certeza de que alguém gosta da gente, de que somos capazes de atrair, seduzir, conquistar, garantir nossa parte no borbulhante mundo afetivo. Entre confusos, campeões por pequenas vitorias que logo se mostram como sendo coisa alguma, e sempre carentes de novas conquistas arrebatadoras, nunca nos passa pela cabeça a condição de estabilidade, porque nessa idade ninguém quer ser estável, na verdade o que interessa é justamente a variedade. E lutar pela variedade é angariar mais angustia.
A questão de aprofundar-se na essência de alguém virá a seguir e causara medo. Medo de se fisgado e ficar preso acreditando que a escolha final esta feita. Um pequeno pedaço da curva já foi feito e agora não se vê mais o ponto de partida e muito menos o possível ponto de chegada.
Tudo são duvidas. E a essência da outra pessoa, a coisa mais importante de todas é trocada pela aparência e pelo que a outra, camufladamente, tenta dizer e fazer acreditar que é. Nesse engano sofremos e recuamos, vamos aprendendo a reconhecer a enganação e a falsidade e um dia com um pouco mais de ferramentas e experiências finalmente fazemos uma escolha meio definitiva - só o tempo dirá.
Mas e a essência?
A escolha pode já ter sido feita; mesmo por um carater definitivo por uma aparência ou por uma percepção de gosto imediato, esquecendo que a curva prossegue e que lá na frente o que hoje era bom, já não será mais. A essência pouco muda ao longo da vida, não importa o tamanho da curva.
O fato é que: nunca fazemos nossa lição de casa de forma correta. Cedemos ao imediato, suprimos nossas necessidades do agora e desistimos de buscar o mais importante. Com o tempo pagamos caro por isso. Mas acredito eu, quando já chegando ao final da grande curva, embora não divisando claramente o objetivo final, já conseguimos ver, pasmem, nosso ponto de partida e descobrimos abestalhados que a vida não é uma reta, mas uma circunferência, e que tendemos sempre ao ponto de partida. Aqui voltamos ao hindusmo onde o conceito de tempo é circular e não linear. É na verdade como reencarnar em vida em sua própria vida.
Mas sem ser pretensioso, acredito que a única lição a ser aprendida, depois de tantas idas e vindas, é que...
... amar é fazer tudo o que é preciso!

6 comentários:

sel disse...

Lindo demais..parece até que foi escrito para mim,amigo!peço permissão para copiá-lo e reunir com os textos que mais gosto de ler e tbém fazer uso de uma frase que gostei em meu blog(tenho este costume de citar amigos,poetas,na entrada de meus poemas..)bjos!

Mary Joe disse...

Muito lindo esse texto. Muito mesmo.

Gostei do posicionamento que vc deu a sair para o mundo adulto... porque veja, temos a grande curva profissionalmente também. E a forma como vc colocou a questão amorosa tam´bem foi brilhante.

Fiquei ruminando o seu texto, porque em princípio, ele me deixou sem palavras (e acredite sou uma tagarela...) mas só posso dizer que vc foi nota dez.
Beijokas
Mary

Vitorio disse...

Sel
Fique a vontade para usar o que quiser de meus blos sempre que quiser.
É antes de tudo uma honra.
Obrigado pelos elogios. Adorei.
Bjs.

Vitorio disse...

MaRy JoE
Obrigado pela acolhida das ideias.
Bom saber que penetro nas almas.
bjs.

Francisco disse...

Muito bom mesmo, um dos melhores texto que li.
abçs
Francisco

Vitorio disse...

Francisco.
Obrigado pelas palavras gentis.
Esse texto terá ainda alguns complementos porque tenho pensado muito sobre esssa questão asfixiante de vencer na vida no plano material, de produzir os resultados certos nos varios campos, de realizar-se afetivamente e principalmente de encontar dentro da gente a pessoa que verdadeiramente somos, e se não formos o ideal saber como fazer para ser melhor.
É um conjunto complexo de ideias e uma coisa muito universal, mas acho que tenho alguns pitacos a dar nessa história do tornar-se ao pó.
Um abraço.