
Ao ser humano é
impossível ser coerente. Nossa
bíblica imperfeição, nós faz donos do direito de errar o quanto quisermos para que
Deus nos oriente e
perdoe no dia do
juízo final.
Acham que é assim?
Coisa nenhuma, somos incoerentes e isso é uma
característica básica do ser humano no campo de batalha que é a vida na era da informação. Mas há uma obrigação intima de ser ético consigo mesmo. Ou ter que padecer no colo da
consciência.
Tudo que aceitamos sem brigar de soco e unhada, nós torna mais próximos de uma modelo bem acabado de covardia. Somos então covardes e incoerentes quando aceitamos passivamente padrões de uma ditadura de ideias, valores e estéticas perfeitamente
harmónicas.
Vi no sábado num canal chamado
Wh1, um programa chamado
Princesinhas... sobre aqueles concursos de misses
mirins americanas. A meninas de 6 anos são miniaturas de estrelas do cinema dos anos 50/60 e sua mães são ( desculpem me ) balofas.
Balofas porque pesam mais de 100 quilos e são
obcecadas por uma padrão de beleza que não possuem, não se esforçam em possuir e duvido que se conseguissem, seriam capazes de manter- não por falta de esforço mas porque a natureza manda mais, e manda forte.
Mas para as filhas elas adotam a ditadura da beleza. A
imposição da frustração por uma derrota. É
aversivo o mundo que criaram e o
padrão alucinado de beleza que torna a todos ali patéticos. Trata-se de uma caso
coletivo de doença comportamental. Mas quem não participa daquele mundo come nas bordas daquele mesmo mundo. E
incautamente acaba assumindo valores estéticos e competitivos
incorretos.
Naquele filme muito bom chamado se não me
angano O amor é cego, onde o cara se apaixona por uma
obesa e a acha uma
miss, tudo isso é desmascarado. A garota é legal, a
família é
sensível às dificuldades dela o cara é sincero sendo seu amor honesto. Ali, embora fazendo piada, as coisas estão para o cara nos seus devidos lugares, não há
incoerência nem ditadura. O que para todos parece uma doença ou loucura individual é na verdade o oposto, pois todos estão doentes e cegos menos o cara apaixonado.
Na vida, no dia a dia a coisa pega feio.
Sou magro e vez por outra acho que estou ficando
barrigudo.
Mas como, serei eu algum
deus grego????... não posso ter barriga????, mas me olho de perfil e do alto de meus 1,88 e escassos 78 quilos ( morram de inveja mortais ), me acho um velho de 51 anos
barrigudo, acabado,
pelancudo, deformado... enfim um trapo.
Mas e os 1200 livros que li, os 3000 filmes que assisti, os mais de 4000 desenhos que já fiz, as 10.000 musicas que sei
decor, as 300 peças de teatro que já assisti, as festas que fiz, as
caronas que dei, os amigos que ajudei, os desabafos que ouvi, a filha que estou criando, as contas que pago em dia, as velhinhas que
ajudei a atravessar a rua, o filho e marido que sou, os
quilometros que nadei, as piadas que contei e que tanto fiz rir e os bichos que alimentei e que me adoram?
Minha
coerência diz que posso ser incoerente e me achar feio no espelho, mesmo sendo uma cara bonito quando visto no espelho das almas.
Mas este assunto vai ter muita continuação.